Imóveis : venda atinge picos em anos eleitorais

Pesquisa revela que número de unidades comerciais vendidas aumenta em épocas de eleição; especialistas não concordam com a afirmação

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SÃO PAULO – Traumatizados com os desastrosos planos econômicos implantados por novos presidentes, os brasileiros ainda optam pela compra de imóveis para proteger seu patrimônio de eventuais confiscos de seu dinheiro. Essa é a opinião de alguns especialistas do setor imobiliário, que acreditam que o risco político continua exercendo um grande impacto na decisão de milhares de investidores no Brasil.

Por outro lado, existem aqueles que não enxergam nenhuma correlação muito forte entre venda de imóveis com anos eleitorais. De qualquer forma, a expectativa de que 2002 seja um excelente ano para os negócios imobiliários é um consenso geral entre os participantes desse mercado.

Vendas de imóveis atingem picos em anos eleitorais

Os últimos acontecimentos na Argentina contribuíram para refrescar a memória dos brasileiros, com imagens de argentinos em filas nos bancos, impossibilitados até mesmo de resgatar o próprio salário da conta corrente. O último grande confisco do dinheiro dos brasileiros ocorreu no governo Collor, engessando a maior parte das aplicações da população.

Segundo uma pesquisa feita pela consultoria Richard Ellis, alguns investidores dão grande importância ao risco político e decidem proteger seus ativos sob a forma de imóveis. A venda de imóveis comerciais é um excelente termômetro para essa análise, já que a maior parte deles é utilizada pelos proprietários como fonte de renda, ou seja, como investimento. No quadro abaixo, os números mostrando que os picos de aquisições de imóveis ocorrem justamente em anos eleitorais.

Fonte: CB Richard Ellis

Secovi não vê correlação

De acordo com Basílio Jaset, vice-presidente de incorporação imobiliária do Secovi-SP, Sindicato da Habitação de São Paulo, a correlação entre venda de imóveis e anos eleitorais não existe. “Nossas perspectivas de vendas para esse ano são maiores em comparação ao ano passado. Mas não por ser um ano eleitoral”, explica Jaset. Para o Sindicato, entre 1998 e meados de 2001, o mercado imobiliário apresentou um bom crescimento, que só foi interrompido no segundo semestre do ano passado, quando ocorreram fatos que desaceleraram o setor. “Nossa previsão é que o número de unidades comercializadas em 2002 aumente em 10%, se não houver novas intempéries”, completa Jaset.

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A opinião do Secovi é compartilhada pela maior empresa do setor imobiliário do país, a Lopes Consultoria. Segundo o diretor de novos negócios da Lopes, Tomas Salles, a expectativa é ainda mais otimista, e o número de contratos assinados em 2002 deverá aumentar em 30-40% em relação a 2001. “O ano começou muito bem. Em janeiro nós fechamos 50 milhões de contratos em todo Brasil”. Trata-se de um aumento de cerca de 72% em relação a janeiro do ano 2000, quando foram comercializados 50 milhões de imóveis.

Salles ainda acrescentou que a previsão de lançamento da empresa no primeiro semestre ultrapassará R$ 2 bilhões. “Eu acho que vai existir uma diferença muito grande em relação ao ano passado. Tivemos o problema do dólar, do desaquecimento da economia norte-americana e do Cavallo na Argentina”. Para ele, a estabilização fará com que os investidores resolvam se fixar em imóveis. “Os consumidores estão mais conscientes de uma recuperação”. Por sua vez, Salles também acredita que as eleições não devam exercer um grande impacto no mercado de imóveis dessa vez. “A contrário de outros anos eleitorais, a população acha que esse processo de mudança será mais fácil. Não haverá implicações na política econômica”.

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