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SÃO PAULO – Montar uma carteira de imóveis para garantir a aposentadoria é uma das táticas mais utilizadas no país quando o assunto é a criação de um pé de meia. Construir ou adquirir lojas comerciais pode render bons aluguéis durante a melhor fase da vida. Mas sem uma visão estratégica e talento para os negócios, todo capital investido pode não dar o resultado esperado, ou simplesmente gerar ainda mais dores de cabeça ao proprietário.
Aplicar em lojas comerciais exige um grande conhecimento no ramo. Como em qualquer outro investimento imobiliário, a localização continua sendo decisiva para o sucesso do empreendimento. No Brasil, mesmo com a inauguração dos shopping centers, muitas regiões comerciais continuam bastante ativas e atraindo cada vez mais clientes. No entanto, para ter acesso aos grandes filés do mercado, o investidor precisa estar ligado aos comerciantes locais e possuir um bom “faro” para os negócios.
Localização
Com a criação de centros comerciais nas grandes cidades brasileiras, muitos apostavam na decadência ou mesmo na extinção das ruas comerciais, tradicionais locais de compras da população. É certo que a concorrência dos shopping centers trouxe algumas dificuldades para certas regiões, roubando parte da clientela cativa. Em outros casos, ao contrário do previsto, apresentaram um crescimento ainda maior e continuam sendo um grande polo atrativo da clientela.
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Em São Paulo, ruas comerciais como a Santa Efigência, no centro, se consolidaram como locais de comércio forte e próspero. Muitos consumidores preferem andar pelas calçadas e procurar mercadorias de loja em loja, e não fazem questão de ar condicionado ou escadas rolantes. É o caso da Oscar Freire, nos Jardins, endereços das grifes nacionais e estrangeiras mais importantes do mundo. No Bom Retiro, na região central, as confecções comandadas por coreanos e judeus atraem clientes de todo país, em busca de preço e qualidade em peças de vestuário.
Ambas as regiões devem passar em breve por uma reforma na paisagem urbana e na infra-estrutura, o que certamente aumentará o valor dos pontos comerciais, atraindo ainda mais consumidores. Nesse sentido, conhecer bem a região e analisar o potencial do mercado é fundamental na hora de fechar o negócio.
Flexibilidade do aluguel
Em comparação com o aluguel residencial, o contrato de lojas costuma ser mais fácil e menos burocrático. Afinal, os prazos são mais flexíveis e a legislação mais branda para os proprietários. Eles podem negociar melhor o valor, os reajustes anuais, assim como os prazos de locação. Em geral, os inquilinos priorizam o pagamento do aluguel, uma vez que a loja é o local de onde provem as receitas de sua empresa.
A ausência de taxas de condomínio também é uma vantagem, tanto para o locatário quanto para o locador. Para baixar custos, alguns comerciantes preferem pontos de rua, ainda que tenham que contratar a própria segurança e arcar com despesas de estacionamento para os clientes. Note também que é o próprio lojista que promove reformas e cuida da manutenção do imóvel, já que suas vendas dependem da aparência da loja.
Pontos negativos
Investir em lojas, por outro lado, pode não ser o “mar de rosas” que se espera. Em geral, poucos investidores têm acesso aos bons negócios, já que se trata de um mercado bastante fechado e exclusivo. É sempre complicado se inserir entre os comerciantes antigos, que praticamente detêm o monopólio das informações.
Na Santa Efigênia, por exemplo, como os lojistas estão no mesmo ramo, as negociações são feitas entre eles, criando barreiras à entrada de novos investidores. Ao contrário do que parece, os comerciantes não convivem de forma concorrencial, mas sim de modo bastante harmônico. E nesse caso, as propriedades tendem a se concentrar com um número cada vez mais reduzido de comerciantes, gerando assim uma espécie de oligopólio.