Publicidade
SÃO PAULO – Em menor intensidade do que no Rio de Janeiro, os condomínios paulistanos têm investido em uma arma contra a insegurança: a blindagem arquitetônica. Muito mais do que a proteção contra tiros em áreas transparentes, como o vidro e as guaritas dos prédios, ela garante que nenhum projétil ultrapasse as paredes das construções.
De acordo com o presidente da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), Christian Conde, não é possível mensurar o crescimento deste mercado, já que a associação criou, há pouco menos de um ano, uma câmara para regularizar o setor. Por outro lado, verifica-se uma maior adesão dos brasileiros. “Com a insegurança e os arquitetos fazendo projetos com a blindagem, ela passou a ser usada em construções”, afirmou Conde.
Em um primeiro momento, a blindagem acontecia em caixas e guaritas. Por causa das balas perdidas, começou a fazer parte das fachadas dos prédios. “Em São Paulo, é mais reduzido, mas, no Rio de Janeiro, é possível identificar fachadas inteiras com blindagem”.
Preços
Ainda segundo o presidente da Abrablin, o valor de uma blindagem arquitetônica varia de acordo com o tipo de construção, o material utilizado e qual proteção se pretende obter. Para se ter uma idéia, Conde disse que, para fazer a transparência blindada, aquela que é usada em guaritas, você pode ter um preço médio de R$ 1.300, o metro quadrado, considerando o nível 3A de proteção, que engloba todas as armas de mão.
Como a blindagem arquitetônica é feita em imóveis, ela não precisa de espessura e peso diferenciado e, então, é mais barata do que a do automóvel. Dados da própria associação mostram que o brasileiro paga algo entre R$ 40 mil a R$ 60 mil para a blindagem automotiva. Tomando como base uma guarita de 20 metros quadrados, na blindagem de imóveis o valor seria de R$ 26 mil.
Ainda segundo Conde, a blindagem arquitetônica não é tão recente quanto a automotiva, que vem crescendo há dez anos. “A arquitetônica existe há 20 anos, mas, somente nos últimos dois ou três, é que está bem mais reconhecida”.
Continua depois da publicidade
Vantagens
Pelo fato de os condomínios estarem mais expostos à circulação de pessoas é que Conde disse ser maior a adesão à blindagem. “Em residências, usa-se mais um quarto do pânico ou um sistema de segurança”. A blindagem pode ser instalada em qualquer lugar, não só em vidros, mas também em espaços opacos, como portas, e nas junções.
Para instalá-la, não é preciso destruir paredes. Basta colocar um sobreposto ao que já existe. Quando é feito no projeto, é muito mais simples. “Ela protege contra os disparos, mas melhora a temperatura e a acústica do local”.
Câmara
A Abrablin criou uma câmara específica para agregar e regularizar empresas que realizam serviços na área de blindagem arquitetônica no país. “O boom da blindagem imobiliária fez crescer também o número de empresas atuantes nesse setor. Sentimos a necessidade de organizá-las para que o serviço seja feito da melhor forma e com garantia de segurança ao consumidor”, explicou Conde.
Continua depois da publicidade
Em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Exército Brasileiro, a Abrablin criará uma regulamentação que atenda a todas as especificações da blindagem arquitetônica. “Ainda não existe uma norma específica. As empresas que realizam esse tipo de serviço utilizam o regulamento de vidros balísticos e o de automóveis. É preciso desenvolver regras, processos e técnicas específicas”, afirma o presidente da Abrablin.