Imobiliárias estendem perdas; novidade pressiona Hypermarcas; Petrobras avança

Entre os destaques, BM&FBovespa recua em meio a acusações de envolvimento em esquemas de favorecimento do ISS; HRT sobe 6% depois de indicação de conselheiros

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SÃO PAULO – Em sessão de forte volatilidade, o Ibovespa é pressionado nesta sexta-feira (17) pelo desempenho das imobiliárias. Às 14h54 (horário de Brasília), o índice recuava 0,64%, a 49.443 pontos. Com esse desempenho, apenas 18 das 72 ações da carteira teórica do benchmark apresentavam alta, sendo que apenas 4 dessas superam alta de 1%. 

Notícias recentes trouxeram preocupações aos investidores, com destaque para o cancelamento de cinco projetos remanescentes iniciado há um ano pela PDG Realty (PDGR3) e as prévias operacionais do quarto trimestre da Tecnisa (TCSA3) e Rodobens (RDNI3), que não agradaram os analistas, com ênfase negativa para a velocidade de vendas, que ficou abaixo da casa de 20% – patamar que vem sendo reportado por outras companhias do setor.

Às 13h23 (horário de Brasília), as ações da PDG figurava entre as maiores perdas do Ibovespa, com desvalorização de 3,21%, sendo cotadas a R$ 1,81. O desempenho segue a queda da véspera, de 1,58%, a R$ 1,85. Na esteira, apareciam Brookfield (BISA3, -1,89%, R$ 1,04), Gafisa (GFSA3, -2,54%, R$ 3,46), Rossi (RSID3, -1,04%, R$ 1,90) e Even (EVEN3, -1,42%, R$ 7,63), ambas com queda superior a 1% nesta sessão. Fora do principal índice de ações da bolsa, o destaque ficava com os papéis da Tecnisa e Rodobens, que caíam 1,55% e 2,27%, respectivamente, sendo cotados a R$ 8,26 e R$ 12,46.

Outros destaques: 

Petrobras
Do lado positivo, o destaque fica com as ações “pesos-pesados” da Petrobras (PETR3, +0,27%, R$ 14,75; PETR4, +0,64%, R$ 15,69), que possuem cerca de 12% da carteira teórica do Ibovespa. Segundo apurou a Folha de S. Paulo, a política de recomposição de preços da Petrobras acertada no fim do ano prevê, como referência, uma banda para o reajuste da gasolina e do diesel. Esse intervalo leva em consideração um piso de 4% e um teto de 8%. A política fechada na mais recente reunião do conselho de administração da Petrobras, na mesma ocasião, não obriga a estatal a aplicar esses percentuais, mas eles funcionam como parâmetro. De acordo com a publicação, não por acaso, o reajuste mais recente, concedido no fim de novembro, foi de 4% para gasolina e de 8% para o diesel.

Hypermarcas
Por outro lado, as ações da Hypermarcas (HYPE3) caem 2,73% nesta sessão, sendo cotadas a R$ 16,05 – bem próximas a mínima do dia, a R$ 16,01, queda de 2,97%. O papel reflete a notícia de que o governo vai colocar nesta semana em consulta pública uma resolução que concede aos medicamentos similares o mesmo status de genéricos. A mudança vai permitir que o farmacêutico possa indicar o produto como substituto ao remédio de marca para o consumidor. Atualmente, essa possibilidade, chamada intercambialidade, é permitida apenas para os genéricos. Com a medida, a ideia é ampliar a concorrência e, em consequência, reduzir o preço dos produtos.

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A Hypermarcas tem 20% de share nesse mercado e similares representam cerca de 11% do total das vendas, com margens de 55-65%, contra 45-55% dos genéricos simples. Porém, importante mencionar que o governo quer impor um desconto de pelo menos 35% para os produtos referenciados, e as discussões com a Hypermarcas apontam para descontos médios maiores do que esses. Ou seja, o impacto pode nao ser tão relevante, mesmo assim a empresa terá que renegociar, apontam os analistas do Credit Suisse. A consulta pública começa hoje e tem 30 dias de discussões. Os analistas alertam que pode haver volatilidade nos papéis da empresa nesses dias. 

BM&FBovespa
Em meio às acusações na prefeitura de São Paulo com relação à máfia do ISS, agora foi a vez da BM&FBovespa (BVMF3) ser acusada de envolvimento nos esquemas de favorecimento. Segundo a “testemunha Gama” afirmou ao Ministério Público Estadual os integrantes da máfia teria trocado favores com a bolsa de valores de São Paulo. 

 De acordo com informações obtidas pelo Estado de S. Paulo, a testemunha afirmou que, em 2011, o então secretário municipal de Finanças Mauro Ricardo pediu a Ronilson Bezerra Rodrigues, subsecretário da Receita na época e apontado como líder da máfia, que reduzisse a alíquota de ISS cobrada aos serviços prestados pela Bolsa, que passaria de 5% para 2%. Com a redução da alíquota, a bolsa então se comprometeu a fazer uma doação de um sistema de informática para a Secretaria de Finanças, não sabendo se a doação acabou ocorrendo. Procurada, a BM&FBovespa disse que iria emitir em breve um parecer sobre o assunto. Neste pregão, as ações caem 0,49%, a R$ 10,13.

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Transmissão Paulista
As ações da Transmissão Paulista (TRPL4) caem 0,94%, a R$ 26,35, nesta sessão, após chuvas derrubarem suas linhas de transmissão em São Paulo. Segundo a XP Investimentos, a notícia é negativa. “Ainda que a companhia não leve multas da Aneel, provavelmente deverá perder receita no primeiro trimestre com a menor disponibilidade de suas linhas no período”, comentaram os analistas. A corretora recomenda não exposição ao papel, que segue performando mal desde os problemas que a empresa apresentou no terceiro trimestre, quando seus números foram amplamente afetados por provisões para perdas sobre a realização de créditos da SEFAZ-SP, no montante de R$ 516,3 milhões, valor que representa cerca de 9% do valor de mercado da empresa.

Estácio
Os papéis da Estácio operam em queda de 0,71%, a R$ 19,58. A empresa negou na véspera estar em qualquer tipo de negociação com a Laureate. A especulação se refere a possíveis negociações que estariam acontecendo desde dezembro de 2013. Na semana passada, rumores apontavam também para uma possível fusão da Laureate com a Abril Educação (ABRE11). 

Gerdau
As ações da Gerdau (GGBR4) voltam a ser penalizadas na bolsa. Os papéis recuam nesta sexta-feira 0,86%, a R$ 17,29, mas desde 20 de dezembro de 2013 acumulam perdas de quase 10%. A empresa reflete duas notícias, uma boa e outra ruim. A Carf (Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) deverá julgar em sua primeira sessão no ano, marcada para a última semana deste mês, o primeiro caso de uso de ágio interno gerado entre empresas de um mesmo grupo econômico. A Gerdau tem algo em torno de R$ 2,8 bilhões sendo discutido com o governo a respeito de amortização de ágio – valor que representa 10% do seu valor de mercado e poderia afetar em 15% a 20% o lucro líquido final da companhia. 

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Por outro lado, a siderúrgica vê uma redução no consumo total de energia usada para produção de aço no Brasil este ano, o que representaria uma economia de cerca de R$ 40 milhões para a companhia. 

HRT
Fora do índice, as ações da HRT (HRTP3) registram alta de 9,43%, a R$ 1,16.
A petroleira aprovou na véspera, por unanimidade, os seguintes nomes para o conselho de administração: Helio Costa (presidente), Vinicius Carrasco (vice-presidente), Haroldo Lima, Pedro Grossi, Ronaldo Carvalho, William Connell Steers e Elias Ndevanjema Shikongo. Para o conselho fiscal, foram aprovados os nomes de Elias de Matos Brito, Roberto Portella e Gilberto Braga como membros efetivos; e Luiz Otávio Nunes West, João Manoel Mello e Luiz Alberto Pereira de Matos como seus respectivos suplentes. Além disso, o conselho de administração decidiu manter a suspensão de todos os pagamentos de qualquer tipo de remuneração aos membros do conselho de administração até a eleição, que ocorrerá em AGE (Assembleia Geral Extraordinária) marcada para março.