Imobiliárias devolvem parte das perdas acumuladas e avançam forte neste pregão

Desaceleração da inflação trouxe alívio para o setor; Cyrela e MRV lideraram os ganhos do Ibovespa com altas de mais de 4%

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SÃO PAULO – Após passarem os dois últimos pregões no extremo ponta vendedora do Ibovespa, as ações das imobiliárias devolveram parte das perdas acumuladas e registram expressiva alta no pregão desta sexta-feira (20). O índice paulista também respirou mais aliviado, apresentando valorização de 0,7% nesta sessão, após ter chegado a recuar 0,45% durante a manhã.

As ações da Cyrela (CYRE3) apresentaram a maior alta do índice (+4,44%), cotadas a R$ 15,51, tendo alcançado R$ 15,69 na sua máxima do dia. Logo atrás veio a MRV Engenharia (MRVE3), que subiu 4,18%, terminando cotada a R$ 14,03, após terem chegado à máxima de R$ 14,15 no intraday. Vale mencionar que esses ativos chegaram a indicar queda de 0,67% e 2,24%, respectivamente, no começo do pregão.

Inflação em baixa
Essa recuperação é sustentada pela desaceleração do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), coletado entre os dias 15 de cada mês. Em maio, a taxa foi de 0,70%, 0,07 ponto percentual menor que a registrada no mês anterior. Com a inflação mostrando recuo, o clima acerca da pressão sobre a alta dos preços e a necessidade de um ciclo muito extenso de elevação dos juros ganha contornos menos pessimistas. O mercado já trabalha com a hipótese de que a autoridade monetária não irá extender por muito tempo a alta da Selic.

Isso, de certa forma, favorece o desempenho das ações de imobiliárias, já que elas têm uma relação inversamente proporcional ao movimento das taxas de juros – se a Selic cai ou sinaliza que irá cair, elas sobem, e vice-versa -, embora essa relação não seja de fato tão verdadeira, conforme explicam os analistas, visto que o financiamento imobiliário é lastreado na TR (Taxa Referencial, utilizada para remunerar a poupança).

Além disso, a própria inflação per se  já é uma grande preocupação, visto que em um ambiente de descontrole inflacionário, as projeções de margens das construtoras ficam mais difíceis de serem calculadas, aumentando os níveis de incerteza em relação aos seus resultados e, consequentemente, ao desempenho das ações. Sendo assim, a percepção de que a inflação começa a entrar em um ritmo de queda traz ventos mais favoráveis para esse setor.

Outros destaques
Os papéis da Rossi (RSID3), que chegaram a cair 2,64% durante a manhã, terminaram a sessão com alta de 2,64% – 5ª maior do Ibovespa -, ficando cotados a R$ 13,24. Todavia ações da construtora não conseguiram deixar o posto de pior performance do índice paulista no acumulado da semana, tendo recuado 9,32% entre os dias 16 e 20 de maio.

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As outras imobiliárias que fazem parte da composição da carteira teórica do índice paulista também registraram ganhos no último dia da semana, como a Gafisa (GFSA3, +0,36%) e PDG (PDGR3, +1,01%). A Brookfield (BISA3, -0,51%) foi a exceção, mesmo tendo registrado variação positiva máxima de 2,55% durante o pregão.