Iminente alta da Selic pressiona captação de fundos de ações da AL

Segundo EPFR Global, fundos de renda fixa seguem atraindo novos investimentos e batendo recordes históricos de fluxo

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SÃO PAULO – Os fundos de renda fixa continuaram atraindo investimentos na semana terminada em 21 de abril. Segundo a EPFR Global, os fundos de bonds globais, que tiveram captação recorde em março, atingiram a marca inédita de US$ 2,64 bilhões de fluxo semanal. Os fundos de bonds de mercados emergentes, por sua vez, tiveram sua segunda melhor semana desde que são monitorados pela EPFR.

Já nos fundos de ações, os fluxos seguiram o ritmo da temporada de resultados, e perspectivas macroeconômicas da Europa e China.

Emergentes
A terceira semana de abril não foi fácil para os fundos de ações dos mercados emergentes, em meio às preocupações em torno das medidas chinesas para tentar conter uma bolha no mercado imobiliário, e os temores sobre a nova regulamentação financeira.

Ainda assim, esse grupo absorveu US$ 1,9 bilhão na semana, com os fundos chineses registrando captação recorde desde setembro de 2008, e os fundos asiáticos (exceto Japão) tendo sua melhor semana desde o terceiro trimestre do ano passado. “Um novo player no mercado também impulsionou o fluxo de investimentos para a China”, afirmou Ian Wilson, diretor da EPFR.

Os fundos de ações dos GEM (Global Emerging Markets) também conseguiram um resultado positivo, com a captação de US$ 5,8 bilhões estendendo o fluxo positivo para sete semanas. Já os fundos de ações russos marcaram sua décima semana consecutiva de entradas de capital líquidas.

Entretanto, os fundos latino-americanos seguem pressionados pelo cenário inflacionário brasileiro, e a iminente alta da Selic. Esse grupo registrou fluxo negativo de US$ 151 milhões, trazendo o acumulado anual para o campo negativo. A revisão das perspectivas para o País e o aperto monetário chinês puseram fim ao rali de nove semanas dos fundos de ações dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

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Fonte: EPFR Global

Mercados desenvolvidos
Apesar das notícias e indicadores divergentes, prevaleceram as referências da temporada de resultados nos fundos de mercados desenvolvidos – em especial nos EUA, onde os balanços corporativos sugerem uma recuperação da economia. Assim, os fundos de ações norte-americanos captaram US$ 2,19 bilhões na semana.

A recuperação da maior economia do mundo, por sua vez, traz boas perspectivas para o Japão, e trouxe fluxos de capital de US$ 196 milhões para os fundos de ações do país, a despeito da fraca demanda interna. Os fundos de ações globais também tiveram um bom desempenho, com captação líquida de US$ 504 milhões no período.

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Entretanto, o bom humor dos investidores não se estendeu ao continente europeu, onde os fundos de ações seguiram pressionados pela questão grega, e tiveram sua 11ª semana consecutiva de fluxo negativo.

Setoriais
“Os fundos de ações setoriais tiveram mais uma semana morna”, afirma a EPFR. Enquanto os fundos do setor financeiro foram pressionados pelas acusações de fraude ao Goldman Sachs, os fundos de petróleo e gás tiveram seu desempenho afetado pelas temperaturas mais amenas no hemisfério norte e pela paralisação do tráfego aéreo europeu.

Na ponta positiva, os fundos setoriais de commodities e imobiliários deram continuidade aos seus ralis. Enquanto a captação dos fundos de commodities no ano ultrapassou US$ 2 bilhões, os fundos do mercado imobiliário marcaram sua sétima semana de fluxo positivo nos últimos dois meses.

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Renda Fixa
Os fluxos de capital foram bastante positivos nos quatro grandes grupos de fundos de renda fixa acompanhados pela EPFR. Entre as principais referências analisadas estão o déficit fiscal grego e o aumento no número de países que iniciaram medidas de aperto fiscal e monetário, como o Brasil

Os fundos de bonds globais, por exemplo, já acumulam captação de mais de US$ 29 bilhões no ano. Na semana, os fundos de bonds emergentes absorveram US$ 1,28 bilhão – grande parte desse montante pelos fundos investindo em moeda local. Com esse resultado, o fluxo no ano já atinge US$ 11,6 bilhões, muito acima do recorde anual visto em 2005, de US$ 9,7 bilhões.