Durante entrevista

I’m back: “a vocês contribuintes, I’m sorry, eu não devo nada ao BNDES”, diz Eike

Em entrevista para o programa "Mariana Godoy Entrevista", o empresário falou sobre os projetos de volta e diz que não tem mais uma dívida de US$ 1 bilhão. "Se for comparar, ninguém no mundo teve uma ascensão de riqueza tão rápida, mais rápida em queda e também em zerar a dívida"

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SÃO PAULO – Em entrevista para o programa “Mariana Godoy Entrevista”, na noite desta sexta-feira (5) o ex-bilionário Eike Batista falou sobre os projetos de volta e diz que não tem mais uma dívida de US$ 1 bilhão. “Se for comparar, ninguém no mundo teve uma ascensão de riqueza tão rápida, mais rápida em queda e também em zerar a dívida. Isso é bem interessante”, afirmou o empresário. “Eike Batista zerou a dívida”, afirmou, referindo-se a ele em terceira pessoa e, ao dizer o quanto tem, disse: “o suficiente”.

O empresário ainda falou que não pretende sair do Brasil e, perguntado sobre se exerceria um cargo político, destacou: “Quem sabe. I don’t know”.

Eike Batista também afirmou que quitou suas dívidas com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nesta semana. “Eu estou aqui porque na segunda-feira eu paguei a última dívida que eu tinha com o BNDES”, disse o empresário.

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“Parem com isso, eu não devo nada ao BNDES. A vocês contribuintes, I’m sorry, eu não devo nada”, disse. 

O empresário também criticou o que chama de “imediatismo” no Brasil, destacou que, em caso de novos projetos, não pretende voltar à Bolsa e sim fazer aportes através de private equitys, mas não descartou totalmente a volta para a Bovespa. “Se for algo excepcional e insistirem muito, who knows”. Sem dar maiores detalhes, ele destacou que os próximos projetos podem ser no ramo de biotecnologia.

E reiterou: “I’m back”. Em março deste ano, Eike foi entrevistado pelo jornal Valor Econômico e disse que não guarda mágoa de ninguém, admitiu erros e afirmou que voltará e falou:  “I’ll be back” algumas vezes ao longo de cinco horas de conversa, referindo-se à frase mundialmente famosa associada a Arnold Schwarzenegger, em “O Exterminador do Futuro”.

Ao ser questionado sobre o que teria a dizer aos investidores, principalmente aos pequenos, que depositaram as suas economias nas ações do grupo EBX e perderam dinheiro, Eike respondeu: “apostamos em algo juntos, perdemos juntos. Mas o maior perdedor fui eu.” 

Eike afirmou ainda que não vendeu as ações e está na mesma posição de acionista. Ele foi perguntado ainda se sente-se como o capitão de um navio, que ficou lá enquanto a embarcação afundava. Ele respondeu: “Perfeito! Fiquei lá até o final, estou lá até hoje.”

O empresário diz que não ficou depressivo em meio à crise que abalou o seu império e que não decepcionou o seu pai, Eliezer Batista, que foi presidente da Vale. Em entrevista desta semana, o seu filho mais velho, Thor Batista, afirmou que o ano de 2013 foi o pior da sua vida e que teve que tomar remédios tarja-preta. Eike afirmou ainda que seu pai não deu nenhum “mapa da mina” sobre onde estariam as melhores regiões de mina e que chegou a ficar um bom tempo sem falar com ele. Eike contou que, quando desistiu da faculdade de engenharia, seu pai deu uma “bela pancada na mesa e disse: ‘vou te dar o diploma de idiota’. É difícil (ter situação privilegiada)”, afirmou.

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O empresário também afirmou que se sente injustiçado, citando obras como a da Usina de Pecém e outras, que estão operando. “Checa na ONS, se elas não existissem, seriam 3 mil mega-watts a menos”, destacou. “Para eliminar as dívidas, tudo foi para os credores”.

E ao ser perguntado sobre o que sobrou, ele disse: “pequenas participações e recursos para continuar”. Perguntado se ele se considera um “empresário do PT” por conta dos aportes do governo pelo BNDES ele disse que se considera um “empresário do Brasil” e citou projetos realizados em vários estadosque foram ou são governados por diferentes partidos, como Minas na época de Aécio Neves e Antonio Anastasia e o Ceará governado então pelo PSB.