Ignorando Selic, Ibovespa cede ao cenário externo e fecha em queda de 0,62%

Apesar da sinalização do Copom de que haverá um novo corte na taxa de juro, indicadores dos EUA derrubaram as bolsas no mundo

SÃO PAULO – Após alternar entre perdas e ganhos nos primeiros 90 minutos de pregão, o Ibovespa deu início a uma trajetória negativa no final da manhã, sobretudo após a divulgação de indicadores econômicos nos Estados Unidos, e terminou esta quinta-feira (19) pós-reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) com queda de 0,62%, aos 62.618 pontos. O benchmark da bolsa brasileira interrompeu uma sequência de duas altas, registrando giro financeiro foi de R$ 5,621 bilhões nesta sessão.

Embora o corte em 75 pontos-base na taxa básica de juro brasileira, que passa a ser agora de 9% ao ano, já fosse esperado por boa parte dos investidores – o que justifica um impacto menos significativo no mercado nesta sessão -, o comitê abriu espaço para a possibilidade de uma nova redução na Selic na próxima reunião. Segundo analistas, a estimativa é de que um corte em 50 pontos-base na próxima reunião em maio, o que colocaria a Selic na mínima histórica de 8,50% ao ano, embora essa opinião não seja unânime entre eles.

Na Europa, a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, disse que as autoridades espanholas estão trabalhando para resolver as dificuldades do setor bancário do país e que a Zona do Euro dispõe de recursos para ajuda, se necessária. No entanto, o clima negativo também prevaleceu por lá, com o rendimento dos títulos espanhóis de dez anos terem avançado no mercado secundário e a confiança do consumidor da Zona do Euro ter recuado em abril após três meses de ganhos.

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OGX pressiona Ibovespa
Colaborando para o fechamento negativo do Ibovespa, as ações da OGX Petróleo (OGXP3) registraram desvalorização de 3,57% – a maior do benchmark -, fechando a R$ 12,96. Os papéis da petrolífera de Eike Batista atualmente possuem a terceira maior participação na composição da carteira teórica do Ibovespa, respondendo por 4,6% do índice. As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 OGXP3 OGX PETROLEO ON12,96-3,57-4,85317,51M
 MRVE3 MRV ON12,55-3,09+17,2961,93M
 BRKM5 BRASKEM PNA14,70-2,65+14,8414,18M
 DTEX3 DURATEX ON11,45-2,64+28,4714,42M
 GFSA3 GAFISA ON4,00-2,20-2,9128,39M

Por outro lado, os papéis preferenciais da Oi (OIBR4) registraram a maior alta do Ibovespa – valorização de 3,02% -, cotados a R$ 9,55. As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 OIBR4 OI PN9,55+3,02+10,4682,47M
 EMBR3 EMBRAER ON16,53+1,97+40,5627,01M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON29,00+1,93+28,7944,10M
 OIBR3 OI ON11,15+1,92-4,6217,56M
 ELPL4 ELETROPAULO PN ED N229,11+1,75-11,0572,07M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 VALE5VALE PNA EJ42,10-0,33404,48M686,65M21.979 
 OGXP3OGX PETROLEO ON13,01-3,20280,94M317,20M28.501 
 ITUB4ITAUUNIBANCO PN31,58+0,86223,94M289,64M12.614 
 PETR4PETROBRAS PN21,51-1,15213,10M447,76M21.592 
 VALE3VALE ON EJ43,29-0,48174,30M178,41M10.258 

* – Lote de mil ações 

1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda norte-americana decepciona
Em dia escasso de indicadores econômicos no front doméstico, os investidores avaliaram os números da economia norte-americana. Por lá, o mercado de trabalho decepcionou com o Initial Claims, ao apontar 386 mil novos pedidos auxílio-desemprego no país na semana anterior, contra expectativa de 375 mil solicitações. 

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No mercado imobiliário, o Existing Home Sales mostrou que as vendas anualizadas registradas em março atingiram 4,48 milhões de casas, levemente abaixo do consenso das projeções do mercado, de 4,62 milhões. Outro índice que veio abaixo das projeções foi o da atividade industrial da Filadélfia veio abaixo das projeções de mercado e terminou em 8,5 pontos positivos em abril.

Contrapondo-se às referências negativas, o compilado dos mais importantes índices econômicos dos Estados Unidos, o Leading Indicators, apresentou uma alta de 0,3% em março, levemente acima dos 0,2% esperados.

Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou  em baixa de 0,79% e atingiu 3.008 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 0,59% a 1.377 pontos. Da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 0,53% a 12.964 pontos.

Na Europa, o índice CAC 40  da bolsa de Paris  registrou baixa de 2,05% e atingiu 3.174 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt  desvalorizou-se 0,90% a 6.671 pontos. Já o FTSE 100, da bolsa de Londres, fechou em leve baixa de 0,01%, atingindo 5.745 pontos.

Dólar renova máxima do ano
O dólar comercial manteve-se no campo positivo durante todo intraday desta quinta-feira, fechando com modesta valorização de 0,10% e cotado a R$ 1,8815 na venda. Desta forma, a divisa norte-americana chegou a sua quinta alta consecutiva e renovou seu maior patamar desde 25 de novembro do ano passado, quando fechou cotada a R$ 1,8864. 

Renda Fixa
As taxas dos principais contratos de juros futuros fecharam em queda nesta sessão. O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 8,40%, 0,26 ponto percentual abaixo do fechamento de quarta-feira. 

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou com alta de 0,04%, a 132,34% do valor de face. Já o indicador de risco-País terminou com queda de 3 pontos-base nesta sessão, fechando aos 181 pontos.

Agenda para próxima sessão
A agenda econômica para esta sexta-feira (20) não terá indicadores relevantes no Brasil e nos Estados Unidos. Com isso, os investidores acompanham dados da Zona do Euro. 

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Na Alemanha serão divulgados os preços ao produtor, relativos ao mês de março, e a agência Ifo revela o clima de negócios referente ao mês de abril No Reino Unido, serão publicadas as informações referentes às vendas do varejo no mês de março.

Nos Estados Unidos, na temporada de divulgação de resultados, os investidores acompanham os resultados operacionais da General Eletric e do McDonald’s.