Iene renova mínimas em 40 anos: o que está acontecendo e o que esperar?

O enfraquecimento da divisa fez com que o Japão considerasse uma intervenção na moeda, em mais de US$ 74 bilhões

Notas de iene - 21/11/2022  (Reuters/Kim Kyung-Hoon)
Notas de iene - 21/11/2022 (Reuters/Kim Kyung-Hoon)

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Há algumas semanas, o iene ronda seu patamar mais baixo em 40 anos ante o dólar. A moeda japonesa, em comparação com o dólar, chegou a mínima no período nesta quarta-feira (1). Ainda assim, segue como a terceira moeda com melhor desempenho entre as economias do G10 nesta semana, segundo análise do Deutsche Bank, o que pode ser mérito de uma “ameaça de intervenção”.

O enfraquecimento da divisa fez com que o Japão considerasse uma intervenção na moeda, em mais de US$ 74 bilhões. Apesar de motivar um eventual movimento do governo há 6 semanas, o patamar de US$ 160 (contra o iene) não pareceu tão incomum, de acordo com o relatório do banco alemão divulgado neste dia 1º. Ainda assim, a última vez que o valor foi atingido foi em junho de 2024.

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“Havia poucos dos critérios tradicionalmente citados pelas autoridades japonesas — como movimentos rápidos, excesso de valorização em relação aos fundamentos econômicos ou grandes posições vendidas especulativas”, explicam os analistas do Deutsche.

Comparação do dólar contra o iene em mais de 5 anos (Reprodução/Google)

Somada a ausência de critérios mais objetivos e usualmente observados pelas autoridades japonesas, o Deustche cita que seu indicador de excesso de valorização baseado nesses fatores não estava elevado no fim de abril. Além disso, um modelo que considera juros, petróleo e ações também não apontava nenhuma anomalia significativa, segundo o banco.

“Isso nos levou à conclusão de que os formuladores de política econômica consideravam níveis acima de 160 simplesmente inaceitáveis”, afirmam os analistas.

Os fatores presentes nessa semana, aliando queda de 10% nos preços do petróleo, a elevação dos juros pelo Banco do Japão (BoJ) para o maior nível em 31 anos, porém com um tom mais brando (dovish), e um Federal Reserve mais duro (hawkish) marcaram o cenário. A partir desse contexto que a moeda japonesa encostou em seu pior patamar das últimas 40 décadas.

O que esperar?

Ainda assim, a manutenção da divisa como uma das melhores do G10 sustenta a ideia de que, se a possibilidade de intervenção segurou a moeda, uma atuação real poderia garantir o suporte ao iene no curto prazo.

“Por isso, o retorno do câmbio a esses patamares nos leva a acreditar que uma nova intervenção pode ocorrer em breve. É possível que as autoridades tenham preferido esperar o fim das reuniões do Fed e do BoJ antes de agir”, dizem os analistas.

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Caso estejam corretos, a perspectiva é subsidiada com recursos do Ministério das Finanças do Japão, que conta com mais de US$ 1 trilhão em reservas internacionais. Mesmo assim, as intervenções cambiais têm limitações e não trariam resultado para manutenção da moeda em patamar confortável, pelas expectativas das autoridades japonesas.

A análise do Deustche mostra que seria necessário um Banco do Japão mais agressivo na elevação de juros e/ou alguma ação para alterar os fluxos de capitais. No momento, não há sinais da segunda opção e há poucos indícios da primeira. “Como resultado, temos dificuldade em enxergar uma queda relevante do USD/JPY [dólar/iene] além daquela que uma eventual intervenção poderia proporcionar”, dizem.

Por fim, o banco sustenta que a estratégia de vender EUR/JPY (posição vendida no par euro/iene) segue como uma boa opção neste cenário. A comparação entre as moedas permaneceu estável no último mês.

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O que causou a estabilidade da relação cambial quando comparada à dinâmica entre dólar e iene teria sido o impulso de crescimento econômico — em parte impulsionado pela inteligência artificial, que é visto como positivo para a economia japonesa para o banco. Além disso, o potencial de reprecificação dos juros favorece o Japão.

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Camille Bocanegra
Mercados | Investimentos | Mundo

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.