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SÃO PAULO – A retomada do crescimento econômico no Japão depende, em grande parte, da expansão do consumo, que responde por cerca de 55% do PIB (produto interno bruto) do país.
Nesse sentido, a divulgação, nesta terça-feira (30), por parte do gabinete de governo japonês de que os gastos médios das famílias japonesas caíram 2% em abril frente ao mesmo período do ano passado, não foi bem recebida.
Mas, para muitos analistas, como o economista chefe do Instituto de Pesquisa Daí Ichi Life, Naoki Iizuka, os dados referentes ao consumo são distorcidos porque a amostra de referência não é adequada, de forma que é preciso cautela ao analisá-los.
“A queda se deve ao fato que as estatísticas são fruto, sobretudo, da inclusão de pessoas com renda muito baixa, o que mascara a recuperação do consumo entre os trabalhadores assalariados do setor privado.”
Não assalariados: consumo em alta
Iizuka também chama a atenção para os dados referentes ao consumo das famílias de não assalariados. Contrariando a tendência geral de queda, o gasto destas famílias, que inclui uma grande parcela de aposentados, subiu pelo segundo mês consecutivo. Em abril, o consumo das famílias não assalariadas teria crescido, segundo o gabinete de governo, 1,6% na comparação com o mesmo período em 2005.
Outro dado importante: a parcela das famílias não assalariadas vem crescendo. Há cinco anos atrás elas respondiam por 40% das famílias, mas hoje já são 45%. Esse percentual deve aumentar ainda mais nos próximos anos, quando uma parcela grande dos baby-boomers deve se aposentar. Assim, para os economistas, o foco da análise de consumo deve ser esta parcela da população.
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Turismo e educação
Mas, quem são estas famílias? Boa parte das famílias não assalariadas é composta por pessoas idosas que já se aposentaram, sugerindo que o envelhecimento populacional pode não ser tão ruim como inicialmente previsto para a economia do país.
Várias companhias japonesas estariam adotando medidas de incentivo da aposentadoria de alguns de seus funcionários, de forma que muitos japoneses com 60-70 anos estariam saudáveis e com dinheiro no bolso para gastar. Educação e turismo seriam os setores da economia mais beneficiados pelo maior consumo desta parcela da população, segundo informou o Ministério das Comunicações do Japão.