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SÃO PAULO – O Ibovespa zerou as perdas da manhã desta sexta-feira (14) com a virada das ações da Vale e depois que os papéis da Petrobras passaram a cair menos. O cenário, no entanto, continua inspirando cautela nos negócios, já que existe desconfiança com o governo atual por conta das indefinições sobre quem será o novo ministro da Fazenda e da demora para aprovar a nova Lei de Diretrizes Orçamentárias. Às 16h28, o índice caía 0,06%, a 51.813 pontos, depois de ficar abaixo dos 51 mil pontos pela manhã, batendo 50.885 pontos na mínima.
Enquanto isso, o dólar amenizava sua alta depois de chegar a ficar cotado a R$ 2,6274 na máxima. A moeda norte-americana sobe 0,17%, ficando cotado a R$ 2,5992. O câmbio repercute notícia de que o Banco Central ofertará até 14 mil contratos de swap cambial na próxima segunda-feira (17). Os vencimentos da operação serão nos dias 3 de novembro de 2015 e 4 de janeiro de 2016 para fazer a rolagem de papéis que vencem em 1 de dezembro deste ano, segundo informações da Agência Estado.
Contudo, a grande notícia desta manhã foi mesmo o adiamento do call de abertura das ações da Petrobras pela BM&F Bovespa após a divulgação de um fato relevante pela estatal. Em vez de abrirem às 10h, os papéis só começaram a ser negociados às 11h36. Segundo o presidente da Bolsa, Edemir Pinto, o atraso foi feito para que o investidor pudesse assimilar melhor as últimas notícias que afetam a empresa.
No momento em que abriram as ações da estatal, o Ibovespa chegou a mergulhar 270 pontos.
Ontem, a Bolsa foi novamente afetada por rumores a respeito do próximo ministro da Fazenda. Matéria do Valor entrevistou um dirigente do PT que disse ser Nelson Barbosa o nome favorito do partido, o que seria um banho de água fria nos investidores que esperam ainda a indicação de Henrique Meirelles, considerado por muitos a ponte que falta entre o mercado e o governo. Mais tarde, o próprio Barbosa negou que tenha sido convidado a ocupar o Ministério.
Além disso, vale destacar a demora na aprovação da nova LDO, que deve excluir a meta de superávit primário de 1,9% do PIB, considerada por muitos impraticável, das diretrizes da política fiscal. A lei precisa ser aprovada para que a União possa realizar seus gastos durante o ano.
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Um pouco de alento no cenário macroeconômico vem da elevação da avaliação financeira do Brasil pelo Morgan Stanley, de underweight (desempenho abaixo da média do mercado) para equal-weight (desempenho dentro da média do mercado). De acordo com relatório da instituição financeira assinado por Yang Bai e Jonathan Garner, os principais drivers que determinaram o upgrade da avaliação do Brasil foram os indicadores técnicos de sobrevenda, múltiplos mais baixos após sell-off e a melhora nas estimativas de resultados.
Além disso, o IBGE divulgou vendas do varejo, que tiveram uma alta de 0,4% em setembro na comparação com o mês anterior. O crescimento, no entanto, ficou abaixo dos 1,2% registrados em agosto.
Destaques
Pesa forte no pregão desta sexta o adiamento da divulgação do resultado da Petrobras. Hoje seria o prazo máximo por lei para que a petroleira divulgasse o seu balanço trimestral, mas a estatal, mesmo assim, acabou postergando a divulgação. A empresa deve ser punida por isso, o que se soma aos inúmeros problemas que ela vem sofrendo como a defasagem nos preços dos combustíveis e as denúncias de corrupção na companhia. O ex-diretor de Serviços da companhia foi preso na manhã desta sexta-feira, durante a Operação Lava Jato. As ações ON e PN da Petrobras (PETR3; R$ 12,80, -2,51%; PETR4; R$ 13,23, -2,72%) caíram forte na abertura, mas já amenizam.
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Segundo o analista da Guide Investimentos, Luís Gustavo Pereira, as notícias da Petrobras são parte de um problema já precificado, então o movimento da tarde seria uma correção a uma queda exagerada durante a manhã. “O mercado continua na expectativa do balanço”, disse, explicando que o que deve realmente bater nas ações da empresa são os resultados da própria companhia.
Já a Vale (VALE3; R$ 23,02, +2,49%; VALE5; R$ 19,78, +2,12%) teve uma virada para alta e ajudou o Ibovespa a amenizar as perdas puxadas pela estatal petroleira. A mineradora tem um dia de correção depois de repetidas quedas por conta da baixa do preço do minério, que, de acordo com precisões do Citi, deve chegar a US$ 65 por tonelada.
A CSN (CSNA3, R$ 7,01, -3,97%) cai mais de 3% na abertura da Bolsa desta sexta-feira, após a companhia divulgar resultados do terceiro trimestre. A companhia divulgou seu resultado na manhã desta sexta-feira, revertendo lucro de R$ 499,7 milhões em prejuízo consolidado de R$ 250 milhões, de acordo com a empresa, “basicamente pelo menor resultado operacional no trimestre”. Já a receita líquida atingiu R$ 3,9 milhões, uma redução de 17% em relação aos R$ 4,7 milhões registrados em igual período do ano passado. O Ebitda ajustado da companhia ficou em R$ 977 milhões, uma queda de 41% na comparação com igual período do ano passado, quando ficou em R$ 1,65 bilhão.
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A Kroton (KROT3; R$ 17,08, +0,65%), ação com melhor desempenho do Ibovespa no ano divulgou resultado. Segundo a XP Investimentos foram “números absolutos fortes, mas uma piora no operacional e margens, dado o menor patamar de rentabilidade e crescimento que a Anhanguera se encontra. Considerando a competência do management já comprovada, vemos bastante espaço para captação de sinergia com a fusão e melhora operacional no curto/médio prazo”.
A BM&F Bovespa (BVMF3; R$ 9,91, +0,51%), subiam apesar do resultado da empresa divulgado ontem depois do pregão. O lucro líquido foi de R$ 238,4 milhões, ante R$ 233 milhões no terceiro trimestre de 2013. A empresa teve receita total de R$ 594,7 milhões no terceiro trimestre de 2014, estável em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo com o “rali eleitoral”, a empresa “não conseguiu entregar uma evolução significativa em termos de seus resultados operacionais”, segundo a XP Investimentos.
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Cenário externo
Nos EUA, as bolsas abriram estáveis repercutindo com cautela uma série de indicadores macroeconômicos que foram divulgados desde as 11h30. As vendas do varejo na maior economia do mundo aumentaram 0,5% em outubro, superando expectativas de que o crescimento seria de 0,4%.
Enquanto isso, economia chinesa perdeu ainda mais força em outubro, com a indústria desacelerando e o crescimento dos investimentos batendo o menor nível em quase 13 anos. “Conforme a política monetária do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) muda para a direção do aperto monetário, o tipo de aversão a risco com origem em mercados emergentes que vimos no começo do ano pode acontecer de novo”, disse o analista de mercado da IG Securities, em Tóquio, Junichi Ishikawa.
O índice Nikkei de Tóquio, que tem tido desempenho melhor que outras bolsas asiáticas nesta semana por expectativas de que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, convocará uma eleição em dezembro e possivelmente adiará o aumento do imposto sobre vendas, fechou em alta de 0,56%, após tocar na nova máxima de sete anos.
Já o crescimento econômico da zona do euro foi mais forte que o esperado no terceiro trimestre deste ano. Segundo a agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, o PIB dos 18 países que compartilham o euro cresceu 0,2% na comparação trimestral no período de julho a setembro, após expansão de 0,1% nos três meses anteriores. Na comparação anual, a zona do euro cresceu 0,8% no terceiro trimestre, o mesmo ritmo visto no segundo trimestre, ante expectativas de mercado de expansão de 0,7%.