Bolsa

Ibovespa zera ganhos com queda da Petrobras após virada do petróleo; dólar cai 1%

Pedido de processo de impeachment pode ser deflagrado na semana que vem, ata do Fomc e petróleo impulsionam as bolsas mundiais e "rali sem fim" continua firme e forte

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SÃO PAULO – O Ibovespa zera ganhos nesta sexta-feira (9), após uma sequência de 8 pregões consecutivos no azul, perfazendo uma valorização de mais de 11%. No radar, os preços do barril do petróleo Brent viraram para queda de 0,7% após começar o dia em alta na esteira de relatório do fundo Pimco prevendo fim da queda das commodities. No cenário político, a oposição não esperará que o Congresso vote as contas de Dilma rejeitadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e tentará deflagrar o processo de impeachment já na terça voltando do feriado.

Às 11h50 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha leve baixa de 0,05%, a 49.080 pontos. Lá fora, as bolsas mundiais reduzem ganhos depois de subir forte em meio às expectativas de que o Federal Reserve não aumente os juros nos Estados Unidos em 2015, reforçadas pela ata do Fomc (Federal Open Market Committee) divulgada ontem. A alta do petróleo também ajuda os índices globais. 

Já o dólar comercial cai 1,46% a R$ 3,7376 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro cai 1,40% a R$ 3,760. Com isso, o câmbio volta ao nível pré-rebaixamento de rating do Brasil pela Standard & Poor’s. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 10 pontos-base, a 15,34%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 10 pontos-base, a 15,43%. 

Segundo a Folha de S. Paulo, a oposição vai deflagrar o processo pelo afastamento de Dilma já na volta do feriado. De acordo com o jornal, a oposição se apressa por achar que após novembro dificilmente o impeachment vai adiante. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o julgamento das contas do governo só deverá ser concluído pelo Congresso no próximo ano.

Ao mesmo tempo em que esta articulação pelo impedimento ocorre, sai notícia do Valor Econômico de que Dilma editou seis decretos autorizando créditos suplementares ao Orçamento da União, mesmo antes de o Congresso Nacional ter aprovado a redução da meta de superávit primário para 2015, definida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Com os decretos, Dilma ampliou os gastos federais em R$ 2,5 bilhões. Esta edição de decretos é a mesma que fez com que as contas de Dilma fossem rejeitadas no TCU e incorre nas chamadas “pedaladas fiscais”. 

Tombini e Levy
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, discursam em evento do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial em Lima, no Peru. Ontem, Levy e Tombini asseguraram a investidores que o Brasil vai superar a crise política que ameaça a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo. Em um comentário surpreendentemente franco, Levy reconheceu para uma plateia de investidores que não sabia se a presidente enfrentaria um processo impeachment. 

Já Tombini afirmou que o Banco Central irá intervir no câmbio para conter excesso de volatilidade, assinalando que qualquer ação tomada será independente, buscando dar funcionalidade ao mercado. Ele também disse que as expectativas de inflação no Brasil a longo prazo foram reancoradas e que há consenso de que o ajuste fiscal no país deve ser mais rápido. O presidente do BC disse ainda que é preciso uma estrutura de política macroeconômica forte para lidar com a nova realidade, e que o Brasil é relativamente flexível. 

Indicadores
Conhecido por ser o índice de inflação que corrige os aluguéis de imóveis, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou alta de 1,64% na primeira prévia de outubro, depois de subir 0,56% no mesmo período de apuração do mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira. A expectativa mediana dos economistas segundo a pesquisa Bloomberg era de que o índice tivesse um avanço de 1%. 

Destaques de ações
A Vale (VALE3, R$ 20,32, +1,30%; VALE5, R$ 16,11, +1,07%) e siderúrgicas voltam a disparar com o “boom” dos preços das commodities lá fora puxando também os ativos dessas empresas no mercado internacional. 

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As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,67, -0,65%; PETR4, R$ 8,67, -1,03%) viraram para queda depois de abrir o pregão em forte alta. No radar da companhia, o barril do petróleo Brent virou para o negativo. 

 Exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 51,16, -2,07%) e Suzano (SUZB5, R$ 17,15, -2,28%) recuam em meio à queda do dólar. As duas empresas possuem suas receitas denominadas na moeda dos Estados Unidos e saem rejudicadas quando ha uma queda na cotação da divisa. 

Cenário externo
As bolsas asiáticas e europeias subiram nesta sexta, impulsionadas pelo salto nos preços do petróleo e pelos ganhos de Wall Street após a ata da última reunião do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, ter sufocado ainda mais as expectativas de uma elevação iminente da taxa de juros.

A ata do Fed revelou a extensão das preocupações das autoridades do banco central de que uma desaceleração econômica global pode ameaçar a perspectiva econômica dos EUA. Embora elas tenham dito que as turbulências internacionais não “alteraram de forma material” as perspectivas econômicas, eles optaram por manter a taxa de juros no mês passado.

No entanto, a alta na taxa de juros dos Estados Unidos ainda pode acontecer em outubro ou dezembro, segundo o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart. Lockhart, um centrista bastante respeitado e votante no comitê de política econômica do Fed neste ano, disse que a desaceleração internacional e o relatório fraco de emprego nos EUA do mês passado mostram que há “um pouco mais de risco” para a economia norte-americana. Além dele, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, discursará às 14h30. 

Já os preços do petróleo ampliavam os ganhos após o grupo de energia PIRA, entidade que faz prognósticos observados atentamente, prever que os preços do petróleo vão subir para US$ 70 o barril até o final de 2016.

No noticiário corporativo europeu, destaque para a alta de 11% dos papéis da Glencore, após o anúncio de que a companhia vai reduzir sua produção de zinco em 500 mil toneladas por ano, correspondendo a aproximadamente um terço do total, a fim de preservar o valor das reservas da companhia em um período de preços baixos. As bolsas europeias registram ganhos entre 0,8% e 1,5% nesta sessão.

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