Ibovespa volta a testar os 45.000 pontos e fecha em queda de 0,3%

Petrobras e Vale puxam perdas do índice em dia de fraca negociação por conta do feriado estadual na próxima terça-feira, que manterá a Bovespa fechada

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SÃO PAULO – Depois de uma manhã bastante intensa, o Ibovespa, que chegou a permanecer durante boa parte desta tarde no campo positivo, virou para o negativo nos minutos finais do pregão desta segunda-feira (8) e fechou em baixa de 0,30%, a 45.075 pontos. Essa é a sexta queda em sete pregões. O giro financeiro foi de R$ 4,252 bilhões, enfraquecido por conta do feriado paulista da Revolução Constitucionalista na próxima terça-feira, que manterá a Bovespa fechada. 

A véspera do feriado e a proximidade do importante suporte na zona entre 44.000 e 45.000 pontos colaboraram para que o benchmark brasileiro passasse por forte instabilidade nesta sessão, explicou ao Portal InfoMoney o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos. Na semana passada, o Ibovespa mostrou força compradora sempre que ameaçou romper para baixo a zona dos 45.000 pontos, sinalizando a solidez deste suporte. No entanto, a perda deste patamar pode abrir espaço para quedas ainda mais fortes para o benchmark brasileiro. O analista da Leme aponta os 40.000 pontos como próximo suporte.

Já o feriado estadual em São Paulo, que manterá a BM&FBovespa fechada nesta terça-feira, também funciona como combustível para a instabilidade no mercado brasileiro. “Como o mercado já vem muito instável, um dia sem pregão gera um desconforto nos investidores, que tendem a ajustar suas posições nesta tarde”, explica Brugger. A despeito do dia volátil na Bovespa, as bolsas norte-americanas fecharam em alta, enquanto na Europa os principais índices acionários subiram mais de 1%.

Nem mesmo percepção de que o mercado brasileiro já está bastante “descontado” conseguiu segurar a alta do índice em uma sessão mais curta, que marca o início do novo horário de negociações da Bovespa – em levantamento feito pela consultoria Economatica, quase metade das 65 empresas do Ibovespa estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial. O pregão regular, que até semana passada ocorria das 10h às 17h30, passará a acontecer das 10h às 17h. Já o “after market”, que contempla os negócios após o pregão regular, passará a ser das 17h30 às 18h, e não mais das 18h às 19h30.

Petrobras e Vale acentuam perdas nos minutos finais
Além disso, as ações consideradas pesos pesados da bolsa, Petrobras (PETR3, -0,95%, R$ 13,55; PETR4, -1,12%, R$ 14,98) e Vale (VALE3, -1,08%, R$ 28,89; VALE5, -1,40%, R$ 26,08), foram, em parte, responsáveis por essa guinada para baixo do mercado, depois que viraram para queda cerca de uma hora antes do fechamento do pregão. Juntos, os ativos dessas empresas representam aproximadamente 22% da carteira teórica do Ibovespa.

Nas mínimas do dia, os papéis dessas companhias voltaram a testar importantes suportes neste sessão, com os ordinários da Petrobras sendo negociados nos preços de 2005 e os preferenciais na cotação do fim de 2008. Já os ativos ONs e PNs da Vale encontram-se nos preços de 2008 e 2009, respectivamente. 

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MMX lidera perdas; Gol, os ganhos
Já entre as maiores quedas do índice apareceram as ações da MMX Mineração (MMXM3), que registraram perdas 4,38%, fechando cotadas a R$ 1,53, seguidas pelas da PDG Realty (PDGR3, -2,72%, R$ 1,79) e Braskem (BRKM5, -2,47%, R$ 15,81).

Vale mencionar que pela segunda vez em dois pregões os papéis da PDG bateram durante o intraday no importante suporte de R$ 1,76, deixado no final de 2008.

Na ponta oposta, figuraram os papéis da Gol (GOLL4), com ganhos de 5,21%, sendo cotados a R$ 6,46, após a empresa comunicar ao mercado que o Bank of America Merrill Lynch elevou sua participação para 5,49% em ações preferenciais da companhia. Na máxima do dia, as aões chegaram a subir 7,17%, negociadas a R$ 6,58.

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MMXM3 MMX MINER ON 1,53 -4,38 -65,62 18,70M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,79 -2,72 -45,92 43,43M
 BRKM5 BRASKEM PNA 15,81 -2,47 +23,52 19,94M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 14,76 -2,32 -10,28 61,82M
 KLBN4 KLABIN S/A PN 10,64 -2,30 -16,27 27,60M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOLL4 GOL PN N2 6,46 +5,21 -49,92 10,82M
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 6,35 +4,79 -62,19 8,10M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,52 +4,11 -55,56 15,71M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 8,45 +3,43 -50,29 8,54M
 CESP6 CESP PNB 18,73 +2,57 +1,99 12,44M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 26,08 -1,40 407,35M 671,85M 28.054 
 PETR4 PETROBRAS PN 14,98 -1,12 337,56M 609,78M 22.492 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 26,80 0,00 271,17M 423,59M 20.174 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 26,00 -0,50 262,87M 272,35M 21.645 
 AMBV4 AMBEV PN 82,17 +0,46 140,08M 156,56M 7.027 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Focus já trabalha com Selic a 8,5% ao ano
Por aqui, o Boletim Focus do Banco Central trouxe uma expectativa menor para a inflação em 2013, que caiu de 5,87% para 5,81% na passagem semanal, enquanto o crescimento previsto para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano foi de 2,40% para 2,34%.

Sobre a Selic, a mediana das projeções mostra que os economistas esperam uma elevação de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que acontecerá nesta quarta-feira.

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OCDE: desenvolvidos crescem, emergentes pisam no freio
O dia ainda contou com um indicador da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que indicou que as economias emergentes em geral apresentaram estabilização ou desaceleração na atividade. No caso do Brasil, o índice desacelerou para 99,1 em maio, ante 99,3 em abril. Enquanto a China perdeu mais velocidade com uma leitura de 99,5, ante 99,6, enquanto a leitura para a Rússia caiu para 98,9, ante 99,2.

Já dentre os desenvolvidos, o indicador volta a mostrar que estes países estão em continuada recuperação. O Japão, beneficiando-se de uma forte rodada de estímulo monetário, liderou entre os países desenvolvidos com uma leitura de 101,3, ante 101,1 em abril, Enquanto nos EUA a leitura ficou inalterada em maio em 101,0, o que segundo a OCDE sinaliza crescimento firme. A zona do euro, que há tempos luta para sair da crise de dívida, viu melhora com sua leitura subindo para 100,3 ante 100,1.

China e Europa: combustível para a volatilidade
Reforçando as más notícias dentre os emergentes, o governo chinês afirmou que não estenderá crédito aos setores que estão com excesso de capacidade, em mais uma sinalização de que a atividade econômica do país apresentará em 2013 níveis bem abaixo do que o mercado se acostumou a ver. A semana começou com quedas de mais de 1% para os principais índices acionários da Ásia, com destaque para o Shangai Composite, que caiu 2,45%.

Na Europa, os principais índices acionários tiveram altas de mais de 1%, refletindo os melhores sinais vindos do continente. Na Grécia, oficiais da comissão europeia disseram ter chego a um acordo com as autoridades gregas sobre as necessidades econômicas e financeiras do país para garantir que o plano de ajuda atinja os objetivos almejados. Já em Portugal, um acordo entre dois parceiros do partido de coligação e o primeiro-ministro foi anunciado com o intuito de remodelar o gabinete do governo, que na última semana viu dois ministros renunciarem.

As notícias ofuscaram as referências negativas da Alemanha, principal economia da Europa, que voltou a mostrar que tem enfrentado dificuldades. A produção industrial alemã recuou 1% em maio, queda mais acentuada desde outubro do ano passado, além de também ter vindo pior do que esperavam os analistas, que estimavam recuo de 0,5%. Já as exportações do país caíram em maio ao ritmo mais forte visto desde o fim de 2009. 

Alcoa: “pontapé” inicial nos resultados dos EUA
Hoje, após o fechamento do mercado dos EUA, a Alcoa divulgou seu resultado do segundo trimestre da Alcoa, dando o “pontapé não oficial” da temporada de balanços do país – diferente daqui, onde há um prazo para as empresas apresentarem seus números trimestrais, a divulgação de resultados corporativos nos EUA é quase que constante.

Excluindo itens não-recorrentes, a siderúrgica registrou ganhos de US$ 0,07 por ação, frente a US$ 0,06 esperados pelos analistas de mercado. Já a receita caiu para US$ 5,85 bilhões, frente a US$ 5,96 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.