Ibovespa volta a ficar indefinido com quedas de Petrobras e Ambev; dólar sobe

Mercado passa a ter ganhos depois de enfrentar mais um dia indefinido em meio a frustração de expectativas de estímulo no Japão e notícias de que o nosso déficit primário pode chegar a 2,05% do PIB

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SÃO PAULO – O Ibovespa volta a operar estável depois da abertura das bolsas norte-americanas, que trouxe uma pressão vendedora dos investidores estrangeiros nesta sexta-feira (30). Com isso, o índice continua sofrendo para conseguir subir pela primeira vez após a sequência de 5 quedas. Lá fora, os índices Dow Jones e S&P 500 operam entre perdas e ganhos, assim como ocorreu com as bolsas asiáticas e europeias, que ficaram estáveis após o Bank of Japan decidir não ampliar o seu programa de estímulos. Por aqui, o nosso Banco Central anunciou ontem que iniciará rolagem de swaps de dezembro após o feriado desta segunda (2). Além disso, a meta fiscal e os resultados corporativos ficam no radar.

Às 12h07 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha leve queda de 0,09%, a 45.586 pontos. Já o dólar comercial subia 0,41% a R$ 3,8698 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro tinha alta de 0,34% a R$ 3,865. Com relação ao câmbio, a oferta do BC será de 12.120 contratos em leilão no dia 3 de novembro. O total de contratos com vencimento em 1º de dezembro é de US$ 10,9 bilhões. Normalmente, o início da rolagem é anunciado após fechamento do último dia útil do mês, mas o BC antecipou o dado, assim como fez com o resultado primário ontem, diante do ponto facultativo do servidor público nesta sexta.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 5 pontos-base a 15,44%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 caía 7 pontos-base a 15,91%.

No noticiário político, segundo a Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidirá sobre os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff em novembro. Cunha, contudo, tem que se preocupar com a própria possível saída. A renúncia do presidente da Câmara é defendida por 45% dos deputados, de acordo com Datafolha realizado com congressistas. Segundo o jornal, 35% disseram que votariam pela cassação do deputado, 52% não se posicionaram e 13% votariam contra. Já sobre o pedido de impeachment de Dilma, 39% disseram que votariam a favor, 32% contra e 29% não se posicionaram.

No âmbito fiscal, o relator do projeto que altera a meta fiscal, deputado Hugo Leal (Pros), propõe que o Congresso autorize déficit primário de até R$ 117,9 bilhões em 2015, o equivalente a 2,05% do PIB (Produto Interno Bruto). O número inclui R$ 55 bilhões das pedaladas e R$ 11 bilhões da frustração com leilões de hidrelétricas. Ontem, secretário do Tesouro, Marcelo Saintive, disse que o governo já pagou um terço das pedaladas e que faltam R$ 50 bilhões.

Destaques da Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,27, -0,32%; PETR4, R$ 7,60, -0,13%) sobem em meio a notícias de que a estatal prevê que a promissora área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, deverá atingir produção de 1 milhão de barris/dia de petróleo na próxima década, segundo informações apresentadas pelo coordenador de projetos da empresa, Bruno Moczydlower, durante palestra em um evento no Rio de Janeiro.

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Esse volume de produção diária esperado na fase 1 (2021/2030) para a reserva, considerada a maior já descoberta no Brasil, representa cerca de metade do que a Petrobras produz atualmente no país. O início da produção em Libra está marcado para 2020, segundo o atual Plano de Negócios e Gestão da Petrobras 2015-2019.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRFS3 BRF SA ON 59,44 -10,55
 CYRE3 CYRELA REALT ON 8,97 -3,03
 FIBR3 FIBRIA ON 52,84 -1,42
 LAME4 LOJAS AMERIC PN 16,66 -1,19
 CIEL3 CIELO ON 36,87 -1,15

Assim como ela, os papéis da Vale (VALE3, R$ 16,50, +2,23%; VALE5, R$ 13,54, +1,58%) sobem depois de cair forte nos últimos dias por conta do recuo do minério de ferro, que ficou abaixo dos US$ 50 pela primeira vez desde 9 de julho. 

A ação da Ambev (ABEV3, R$ 19,07, +0,37%), vira para alta depois de abrir em queda. No radar, a companhia anunciou aumento de 6,3% no lucro líquido ajustado do terceiro trimestre, para R$ 3,086 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado.

A receita líquida da companhia cresceu 24,6%, para R$ 10,74 bilhões, impulsionada por iniciativas de gestão da receita, um benefício de “mix premium” em todas as operações e pelo maior peso da distribuição direta no Brasil. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado fechou o terceiro trimestre em R$ 4,99 bilhões, alta de 21,9%. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,00 +2,56
 VALE3 VALE ON 16,53 +2,42
 BRKM5 BRASKEM PNA 21,69 +2,36
 SBSP3 SABESP ON 16,82 +2,25
 MRVE3 MRV ON 7,43 +2,20

Entre as quedas, a BRF (BRFS3, R$ 59,39, -10,62%) informou lucro líquido de R$ 877 milhões no terceiro trimestre, alta de 53,3% frente ao mesmo período de 2014. O Ebitda foi de R$ 1,52 bilhão, crescimento de 34,8% ano contra ano. Para o Bradesco BBI, o resultado foi fraco, com as vendas domésticas desapontando. O volume doméstico subiu 3% na comparação anual, mas caiu 9% quando comparado ao segundo trimestre. Nesta manhã, o Bank of America Merrill Lynch rebaixou a recomendação das ações da companhia de compra para underperform (desempenho abaixo da média).

Cenário externo
A Europa tem um dia misto, com os investidores digerindo a temporada de resultados. Entre os dados econômicos, a economia espanhola cresceu 0,8% no terceiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Na comparação anual, o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 3,4% no terceiro trimestre, mantendo um ritmo forte de expansão e dando mais um passo para registrar seu melhor ano desde 2007, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Já os índices acionários chineses fecharam a sexta praticamente estáveis, com as ações de alimentos e bebidas subindo com as reformas anunciadas para a política de filho único do país, mas com os papéis de manufatura recuando. Xangai teve leve queda de 0,13% e a Hang Seng terá queda de 0,79%, enquanto o japonês Nikkei teve alta de 0,78%.

Destaque para a decisão de política monetária do BC do Japão, que decidiu não ampliar nesta sexta-feira seu maciço programa de estímulos, preferindo preservar suas opções diante de esperanças de que a economia consiga superar os ventos contrários vindos da desaceleração da China sem apoio monetário adicional.

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