Ibovespa volta a cair com agenda agitada nos EUA; Petrobras e Vale perdem força

No início da sessão, mercado registrava perdas amparado por notícias negativas da China e decisão do Fed, mas se recuperou após dado do PIB, mas queda do Pending Home Sales desanima

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SÃO PAULO – O Ibovespa bem que tentou passar por um movimento de recuperação mais forte na sessão desta quinta-feira após renovar o patamar mínimo de agosto, mas não teve forças para seguir em alta. Após abrir com leves perdas, intensificar as quedas, mas virar após os dados do PIB dos EUA e acelerar ainda mais os ganhos com a abertura dos mercados norte-americanos, o índice voltou a registrar perdas e, às 12h59 (horário de Brasília), tinha queda de 0,17%, a 47.475 pontos. 

Porém, por volta das 13h, o índice virou para baixa, tendo como principal vetor os dados do setor imobiliário norte-americano, com a divulgação do Pending Home Sales. O indicador de vendas de casas pendentes caiu em dezembro para o menor nível em dois anos, em 8,7% no mês passado, o que sinaliza que o setor ainda anda a passos lentos no país. 

Antes, o destaque ficou para o PIB (Produto Interno Bruto) preliminar dos EUA referente ao quarto trimestre, que teve alta de 3,2% na taxa anualizada. Robustos gastos das famílias e o aumento das exportações mantiveram a economia dos Estados Unidos em base sólida no quarto trimestre, mas a estagnação dos salários pode reduzir parte do ímpeto no início de 2014. Também foram divulgados no final da manhã os dados de auxílio desemprego, com o número de pedidos atingindo 348 mil, ante previsão de 330 mil pedidos, assim como os dados de inflação, com o índice de preços PCE subindo 0,7% e o núcleo avançando 1,1% no quarto trimestre. 

As ações de blue chips, como Petrobras (PETR3, R$ 13,78, +0,22%; PETR4, R$ 14,84, +0,27%) e Vale (VALE3, R$ 33,25, +0,45%;VALE5, R$ 30,17, +0,70%), que ganharam forças após os dados dos EUA, logo passaram para baixa ou reduziram os ganhos. Enquanto a primeira companhia tentava se recuperar após os seus papéis atingirem a cotação mínima desde 2008, a Vale virou para perdas; a empresa registrou fortes ganhos na véspera após ter uma operação de captação bem sucedida, mas dados ruins da China voltam a pesar sobre a mineradora.

Entre os maiores ganhos, destaque para a Gafisa (GFSA3, R$ 3,13, +1,62%), que na véspera registraram baixa de 6,95% em meio à percepção de que o Banco Central brasileiro deve aumentar a taxa de juros brasileira. Na véspera, Índia, Turquia e África do Sul elevarem suas taxas de juros – com destaque para a Turquia, que elevou seus juros de 7,75% para 12% ao ano. Esse cenário tem forte impacto nos papéis das imobiliárias, já que as instituições financeiras precisam repassar o aumento para o juros do mercado imobiliário. Com isso, o valor das prestações dos novos contratos aumenta, o que deve frear ainda mais o crescimento do setor. 

Vale ressaltar que o início da sessão foi de leves perdas, com o índice seguindo o movimento de queda após ter renovado o patamar mínimo na véspera. Além da decisão do Fomc (Federal Open Market Commitee) de reduzir em US$ 10 bilhões o programa de estímulos à economia, como esperado pelo mercado, o mercado seguia pressionado pelos indicadores chineses, que mostraram contração da atividade industrial. O índice de gerente de compras (PMI) do setor industrial caiu para 49,5, menor valor atingido em seis meses, e abaixo do esperado pelo mercado. 

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Ainda no noticiário econômico, o Brasil teve uma boa notícia em meio ao noticiário ultimamente bastante negativo. A taxa de desemprego em dezembro caiu para 4,3%, sendo a menor da série histórica divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística). Em novembro, a taxa havia sido de 4,6%. 

Temporada de balanços começa a se aquecer
O mercado brasileiro repercute ainda a temporada de balanços, que começou esta semana bastante agitada. Entre a noite da véspera e esta manhã, foram divulgados os balanços de três empresas que compõem o Ibovespa, dentre elas dois grandes bancos.

O Bradesco (BBDC4) anunciou que teve lucro líquido de R$ 3,079 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 6,4% sobre o mesmo período de 2012 e suas ações registram agora leve alta, de 0,66% para os ativos PN e de 0,39% para os ativos ordinários. Enquanto isso, o Santander (SANB11) vê seus papéis registrarem queda de cerca de 0,68%, após a companhia divulgar um lucro líquido consolidado de R$ 5,848 bilhões em 2013, alta de 6,5%. Já o lucro gerencial ficou quase estável no quarto trimestre na comparação com o terceiro trimestre, com alta de 0,2% e somando R$ 1,409 bilhão.

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Enquanto isso, a Fibria (FIBR3) volta a registrar fortes baixas e lidera as perdas do índice, com queda de 2,87%, a R$ 26,42. A companhia divulgou um prejuízo líquido de R$ 185 milhões no quarto trimestre na noite da última quarta-feira, pressionada pelo variação cambial e pelo aumento da despesas com imposto de renda pela adesão ao Refis. Um ano antes, a Fibria teve lucro de R$ 48 milhões. 


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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.