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Ibovespa “tenta” zerar, mas volta a cair com temor na China; dólar vai a R$ 3,24

Noticiário é bastante movimentado, e conta com forte baixa do minério e cenário ruim para a China, enquanto o dia é de maior ânimo na Grécia

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SÃO PAULO – Em véspera de feriado para a Bolsa brasileira, o noticiário é bastante movimentado com China e Grécia, enquanto as blue chips seguem em baixa. O Ibovespa, entre 10h40 e 10h45, o índice até tentou diminuir as baixas e ficar no zero, mas o noticiário bastante negativo para o mercado chinês azeda a bolsa brasileira, ofuscando o ânimo com a possibilidade de um acordo grego. Às 11h53 (horário de Brasília), o índice registrava baixa de 0,41%, a 52.130 pontos.  

A queda do preço do minério em 10% na China, atingindo o menor patamar desde 2009, e a forte baixa da bolsa de Xangai pesam no mercado brasileiro, apesar das medidas tomadas para conter a baixa das bolsas por lá. 

O mercado também fica de olho na Ata do Fed, a ser divulgada hoje às 15h. Porém, apesar do noticiário bem movimentado, o dia é de um “aparentemente” marasmo para a bolsa brasileira, que fechará amanhã por conta do feriado em São Paulo. Apenas duas ações registraram alta de superior a 2%, enquanto apenas três ações chegaram a cair mais de 3%.

Enquanto isso, o noticiário nacional segue bastante movimentado: uma notícia é a indicação de que o ciclo de alta de juros está perto do fim, conforme noticiado pelo jornal Valor Econômico, e que a próxima reunião do BC deve contar com uma alta de 0,25 ponto percentual, abaixo do 0,5 ponto percentual estimado pelo mercado. Divulgado hoje, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) amplia essa visão. 

As ações da Petrobras  (PETR3PETR4) têm uma dia volátil e, após chegarem a cair 2% e subir 1%, voltam a cair mais de 1%, enquanto a Vale (VALE3, R$ 17,39, -3,01%; VALE5, R$ 14,72, -2,84%) volta a cair mais forte. Bradespar (BRAP4), que possui participação na Vale, registra queda de 3%. O minério de ferro desabou 10% para US$ 44,59 a tonelada, segundo cotação do porto de Qingdao, na China. Esse é o menor patamar atingido pela commodity desde 2009. CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) também registram baixa.

Já a Petrobras segue a volatilidade do preço do brent, que registrava alta em meio ao adiamento do acordo nuclear com o Irã, mas voltou a cair com os estoques de petróleo acima do esperado nos EUA. 

 Além disso, o Valor informou que oito empresas foram convidadas para conhecer a Gaspetro, companhia que reúne os ativos de distribuição de gás da Petrobras, mas a disputa deve ficar mesmo entre a japonesa Mitsui e a chinesa Beijing Gas. Vale monitorar também a proposta de desobrigar a Petrobras de ser a operadora única e ter participação mínima de 30% dos consórcios de exploração no pré-sal. Na avaliação de parlamentares favoráveis à mudança, a estatal não tem mais condições de arcar com os bilionários investimentos na extração do óleo em águas profundas. 

Já em meio à alta do dólar, que sobe cerca de 1,7% e ultrapassa os R$ 3,24 em meio ao temor com a China, o grande destaque de alta fica para as ações de empresas cujas receitas estão atreladas à moeda americana, caso de Embraer (EMBR3) e Suzano (SUZB5, R$ 16,19, +0,31%) e Fibria (FIBR3, R$ 41,21, +0,27%).


As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, são:

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 Cód.AtivoCot R$% Dia
 VALE3 VALE ON17,40-2,96
 BRAP4 BRADESPAR PN9,71-2,90
 VALE5 VALE PNA14,77-2,51
 OIBR4 OI PN5,15-2,28
 USIM5 USIMINAS PNA4,08-2,16

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, são:

 Cód.AtivoCot R$% Dia
 GFSA3 GAFISA ON2,36+3,96
 ECOR3 ECORODOVIAS ON7,53+3,43
 EMBR3 EMBRAER ON24,12+3,03
 BRKM5 BRASKEM PNA13,13+2,26
 CPLE6 COPEL PNB34,87+1,51


Europa e Ásia

O Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês), o fundo de resgate da zona do euro, recebeu da Grécia um pedido para um novo programa de ajuda, informou hoje o porta-voz do ESM, que tem sede em Luxemburgo, o que animou os mercados por lá. 

Além disso, a China no radar em meio a forte queda da bolsa de Xangai, que tem levado o governo chinês a adotar uma série de medidas para evitar o aprofundamento das perdas, como redução dos juros, dos depósitos compulsórios e injeção de liquidez.

Ainda que os impactos sobre a atividade do movimento recente seja reduzido, em função do descolamento da bolsa dos fundamentos macroeconômicos (o PIB já está muito mais fraco que o sugerido pela bolsa), o seu prolongamento pressiona o governo a adotar mais medidas de estímulo diante da desaceleração da economia, destaca o banco Bradesco em relatório. 

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IPCA
No noticiário econômico nacional, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,79% em junho, frente à alta de 0,74% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (8). O resultado ficou abaixo do esperado pelo mercado. 

Com isso, no acumulado de 12 meses, o IPCA teve alta de 8,89%, bem acima do teto da meta do governo de 6,5%. O resultado do mês passado mostrou avanço de 8,47% em 12 meses, chegando ao mais elevado índice acumulado em 12 meses desde dezembro de 2003 (9,30%). Em junho de 2014 o IPCA havia registrado taxa de 0,40%. Desta forma, os juros futuros registram queda – também refletindo a expectativa de que o fim do ciclo de alta de juros.