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O Ibovespa fechou com forte queda nesta sexta-feira, após um pregão permeado de questões geopolíticas, com investidores avaliando os potenciais efeitos da operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Agentes financeiros também acompanharam informações de que o presidente norte-americano, Donald Trump, estaria pressionando por tarifas de 15% a 20% sobre a União Europeia.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com declínio de 1,61%, a 133.381,58 pontos, rompendo o suporte dos 135 mil pontos.
Na mínima do pregão, chegou a 133.295,46 pontos, menor patamar intradiário desde 7 de maio, e, na máxima, atingiu 135.562,46 pontos. Na semana, a perda acumulada foi de 2,06%.
O volume financeiro somou R$26,3 bilhões, em sessão ainda marcada pelo vencimento de opções sobre ações.
O mercado reagiu aos desdobramentos mais recentes envolvendo o embate diplomático entre Brasil e EUA.
Bolsonaro foi alvo nesta manhã de uma operação da Polícia Federal determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e terá de usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas restritivas, conforme decisão da corte, em uma escalada dos problemas enfrentados por Bolsonaro com a Justiça.
O ocorrido levou analistas a especular sobre qual seria a resposta de Trump — e se haverá uma — ao mais recente capítulo na ação envolvendo Bolsonaro, já que o ex-presidente é citado entre os motivos para a tarifa de 50% dos EUA sobre exportações brasileiras, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
Na véspera, Trump voltou a vincular a adoção de tarifa comercial sobre produtos do Brasil ao julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
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Em entrevista à Reuters, Bolsonaro disse não ter dúvidas sobre sua condenação no STF e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca o confronto com os EUA — um dia após Lula declarar em pronunciamento à nação que as tarifas de Trump são uma “chantagem inaceitável”.
“O cenário político tenso tende a limitar o apetite ao risco, mesmo com uma agenda econômica doméstica esvaziada”, disse o analista-chefe da Terra Investimentos, Régis Chinchila.
Chinchila também destacou que o Citi retirou sua posição “overweight” em títulos brasileiros, citando valuations ajustados após a forte valorização recente, o que contribui para um viés mais defensivo.
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Na visão do economista Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital, o movimento de queda do Ibovespa teve o tom de percepção de risco principalmente político e geopolítico.
“Acredito que o que assusta o mercado não é só o barulho doméstico, mas o risco do presidente americano reagir. Há um temor real de que Trump use a situação para justificar uma escalada tarifária contra o Brasil”, afirmou.
A cautela em torno das ameaças tarifárias do republicano também ressoou no mercado externo, com os índices S&P 500 .SPX e Nasdaq .IXIC caindo na esteira de reportagem do Financial Times sobre Trump estar pressionando por uma tarifa mínima de 15% a 20% em qualquer acordo com a UE, embora tenham encerrado o pregão praticamente estáveis.
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Wall Street ainda selou uma semana recheada de dados econômicos mistos e resultados corporativos nos EUA.

