Ibovespa tem queda e volta a patamar de 2 de fevereiro; dólar sobe 1,13%

Índice deixou para trás otimismo da abertura apesar da China indicar que conterá as desvalorizações do yuan

Publicidade

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (13), novamente pressionado pelos bancos, que caíram forte desde o parecer da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que pretende aumentar a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 15% para 23% para instituições financeiras. Depois de cair mais de 1%, o índice amenizou perdas e acabou caindo 0,78%, a 48.009 pontos, muito por conta da fala do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que disse que projetos que aumentem impostos devem enfrentar muita resistência na Câmara. Apesar disso, com a terceira queda consecutiva, o índice fechou no menor patamar desde 2 de fevereiro, quando encerrou o pregão em 47.650 pontos.

Para o analista da Walpires Corretora, Angelo Larozi, “essa notícia com certeza ajudou bastante, porque o mercado ficou bastante apreensivo com a possibilidade de aumento da CSLL e do fim do JCP (Juros sobre Capital Próprio) passarem. Então se existe uma possibilidade do projeto não passar é um fôlego que o mercado ganha”. 

O cenário político tem afetado muito o mercado e nos últimos quatro dias essa preocupação está tão evidente, que houve ‘fuga do capital estrangeiro’ e o saldo ficou negativo no mês de julho, segundo ele. No atual cenário político, o analista afirma que é preciso ficar alerta, pois “tudo é possível”.

Lá fora, apesar da China ter trazido alívio depois do Banco do Povo indicar que irá conter a volatilidade do yuan, os índices dos Estados Unidos caíram. Pela manhã foram divulgados os números de vendas do varejo nos EUA, que subiram 0,4% em julho, em linha com o consenso de mercado. As vendas no varejo sem automóveis, materiais de construção e gasolina subiram 0,3% em julho. Também saíram os dados de pedidos de auxílio-desemprego semanais, mostrando que 274 mil pessoas pediram pelo benefício na semana passada, contra expectativas de 270 mil pedidos.

O dólar comercial teve alta de 1,13% a R$ 3,5137 na venda, enquanto o dólar futuro para setembro registrou ganhos de 1,08% a R$ 3,541. O câmbio refletiu a notícia de que o Banco Central não adotará medidas extremas como venda de reservas, mesmo em caso de alta mais forte do dólar. 

Por aqui, fica no radar a participação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em evento em São Paulo. Levy teve reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) na qual foi discutida uma “agenda anticrise” para impedir que o Brasil perca o grau de investimento. E do lado macro, o Santander escreveu em relatório que prevê déficit primário das contas públicas em 2015 equivalente a 0,8% do PIB. A meta oficial do governo é fazer um superávit de 0,15% do PIB. 

Continua depois da publicidade

Destaques de ações
Puxaram a queda do Ibovespa as ações de bancos, com destaque para Banco do Brasil (BBAS3, R$ 19,45, -4,38%) e Santander (SANB11, R$ 14,80, -2,63%). No radar das financeiras ficou o parecer da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sobre a elevação da CSLL. Recuaram também Bradesco (BBDC3, R$ 25,59, -1,39%; BBDC4, R$ 24,38, -1,49%) e Itaú (ITUB4, R$ 26,70, -2,50%). Vale lembrar que o setor de bancos é responsável por mais de 22% do índice.

Além da provável mudança na tributação, o Banco do Brasil também caiu por conta do seu resultado. O BB anunciou nesta quinta-feira que teve lucro líquido de R$ 3,008 bilhões no segundo trimestre, alta de 6,3% ante igual período de 2014. Em bases recorrentes, o lucro do maior banco do país em ativos somou R$ 3,04 bilhões, alta de 1,3% sobre um ano antes. No fim de junho, a carteira de crédito ampliada do BB somava R$ 776,799 bilhões, avanço de 8% sobre um ano antes, mas estável sobre março. Os destaques de alta foram o financiamento imobiliário e ao governo, enquanto as linhas de cheque especial e para compra de veículos encolheram ano a ano. 

O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o trimestre a 2,04%, pouco acima do 1,99% de igual etapa de 2014. A despesa com provisão para perdas com calotes foi de R$ 5,53 bilhões de abril a junho, avanço de 21% no comparativo anual, mas recuo de 7,8%  na sequencial.

Continua depois da publicidade

Quem também recuou por conta do balanço foi a CSN (CSNA3, R$ 3,60, -9,55%), que renovou hoje sua mínima histórica na Bolsa. A siderúrgica reportou prejuízo atribuído a sócios controladores de R$ 614,3 milhões no segundo trimestre, contra lucro líquido de R$ 19 milhões no mesmo período de 2014. A receita líquida ficou em R$ 3,69 bilhões no período, menor 9% do que o registrado um ano antes, de R$ 4,05 bilhões. A média das estimativas compiladas pela Bloomberg apontava receita de R$ 3,98 bilhões. 

Segundo a XP Investimentos, o resultado veio abaixo do esperado, com fraco desempenho na parte de siderurgia e queda de margem. O endividamento segue em níveis extremamente altos e aumentando trimestre a trimestre, comentaram os analistas, que ainda ressaltaram que a empresa tem pela frente um cenário macroeconômico extremamente desafiador.  

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Continua depois da publicidade

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONAL ON 3,60 -9,55 -30,34 56,63M
 BBAS3 BRASIL ON 19,45 -4,38 -13,60 195,45M
 PETR3 PETROBRAS ON 10,58 -4,08 +10,32 100,88M
 GOAU4 GERDAU MET PN 3,41 -3,94 -69,57 14,45M
 PETR4 PETROBRAS PN 9,51 -3,74 -5,09 292,44M

As ações da Vale (VALE3, R$ 18,48, -2,33%; VALE5, R$ 14,62, -1,88%) fecharam em queda. O minério de ferro spot no porto de Qingdao subiu 1,26% a US$ 57,02 a tonelada. Junto com ela, os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 10,58, -4,08%; PETR4, R$ 9,51, -3,74%), tiveram baixa. Mesmo movimento do petróleo, com o barril do Brent caindo 1,16% a US$ 49,60, depois de subir no pré-market. 

Duas grandes explosões no porto chinês de Tianjin, que destruíram partes do terminal, atingiram as operações de importação de minério de ferro e atrapalharam a chegada e partida de navios petroleiros na porta de entrada para o nordeste da China. As explosões mataram pelo menos 44 pessoas e feriram mais de 500, de acordo com informações de autoridades e a mídia estatal nesta quinta-feira. Autoridades da indústria disseram que as instalações de petróleo e gás não foram afetadas, mas a Administração de Segurança Marítima de Tianjin informou que chegadas e partidas de navios de produtos químicos e petróleo foram interrompidas. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Continua depois da publicidade

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON ED 9,90 +8,80 -35,83 225,65M
 QUAL3 QUALICORP ON 20,00 +6,61 -26,80 30,51M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 13,22 +5,59 -43,51 35,15M
 RUMO3 RUMO LOG ON 8,81 +3,65 -49,54 16,00M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 17,00 +3,41 +52,42 105,42M

Do lado das altas, subiu forte a Kroton (KROT3, R$ 9,90, +8,80%), que está em alta desde a divulgação do seu balanço ontem. A companhia registrou crescimento de 94,7% na receita líquida no segundo trimestre, para R$ 1,4 bilhão, enquanto o lucro líquido ajustado avançou 79,6%, para R$ 513,7 milhões. Segundo a companhia, o crescimento da receita deve-se à incorporação dos números da Anhanguera, como também ao crescimento orgânico de alunos no ensino superior. Segundo a Citi Corretora, o resultado em um primeiro momento parece positivo, com receita, Ebitda e lucro acima do esperado.

Quem também subiu foi a Qualicorp (QUAL3, R$ 20,00, +6,61%). O Credit Suisse elevou a recomendação do papel para outperform (desempenho acima da média), com preço-alvo tendo sido mantido em R$ 27,00. O banco estava com único neutro (desde os R$ 30,00), mas no atual múltiplo a percepção dos analistas passa a ser bem mais construtiva com o case. Com isso, a cautela com o impacto macroeconômico mais fraco na indústria de saúde foi ofuscada por uma percepção de que a companhia está bem posicionada dentro da cadeia e que pode se beneficiar depois de uma queda acentuada, com o papel negociando agora a um múltiplo de 12 vezes, contra 18 vezes há uns meses. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EDJ 26,70 -2,50 724,61M 414,02M 60.416 
 PETR4 PETROBRAS PN 9,51 -3,74 292,44M 466,55M 40.414 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 24,38 -1,50 266,92M 233,45M 30.532 
 CIEL3 CIELO ON 41,33 -0,19 239,25M 197,08M 17.669 
 VALE5 VALE PNA 14,62 -1,88 236,90M 339,98M 30.720 
 ITSA4 ITAUSA PN EJ 7,58 -0,87 236,85M 187,57M 51.762 
 KROT3 KROTON ON ED 9,90 +8,80 225,65M 138,03M 33.621 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,75 -0,48 206,76M 213,38M 24.730 
 BBAS3 BRASIL ON 19,45 -4,38 195,45M 118,47M 23.365 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,70 +2,29 193,39M 110,90M 25.823 

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

China traz alívio a mercados
Os índices acionários asiáticos fecharam em alta nesta quinta-feira, encorajados pela recuperação em Wall Street e após o banco central da China tranquilizar os mercados ao assegurar que não há base para mais depreciação do yuan após desvalorizar a moeda no começo desta semana. Com isso, Xangai fechou em alta de 1,76%, enquanto Nikkei subiu 0,99% e Hang Seng teve alta de 0,43%.

O Banco do Povo da China fixou o ponto médio do yuan a 6,4010 por dólar antes da abertura do mercado, mais fraca que a taxa anterior, 6,3306 por dólar. A diferença entre o ponto médio e a taxa negociada no mercado à vista diminuiu fortemente enquanto o banco central tenta conter a queda do yuan. Ainda assim, operadores continuaram demonstrando cautela, incertos sobre até onde o yuan pode cair. Fontes disseram à Reuters que algumas vozes poderosas no governo estão defendendo uma desvalorização ainda maior para ajudar os exportadores chineses, que atravessam dificuldades.

Na Europa, o dia foi de fortes ganhos em meio ao cenário chinês, com destaque para o alemão DAX e o francês CAC 40, que têm ganhos de 0,82% e 1,25%, respectivamente. No noticiário do continente europeu, destaque ainda para os progressos que estão sendo feitos para o terceiro programa de resgate. Em destaque, o Produto Interno Bruto (PIB) preliminar da Grécia cresceu 0,8% no segundo trimestre, na comparação com o trimestre anterior e após ajustes sazonais, informou a Autoridade Helênica de Estatística. No trimestre anterior, o crescimento econômico foi revisado para zero, segundo o órgão. Na comparação anual, o PIB grego avançou 1,4% no segundo trimestre.