Bolsa

Ibovespa tem maior alta do ano puxado por Perobras e Ambev; dólar fecha em alta

Mercado ganha forte volatilidade após comunicado moderado do Federal Reserve; Petrobras dispara 10%

SÃO PAULO – O Ibovespa chegou a bater sua máxima do dia nesta quarta-feira (27) após o Fomc (Federal Open Market Committee) sinalizar um aumento de juros mais gradual com um comunicado “dovish”. Apesar de amenizar o movimento na última hora de pregão, o índice conseguiu registrar a maior alta do ano, avançando 2,34% a 38.376 pontos. O benchmark não tinha uma alta tão expressiva desde de dezembro do ano passado, quando subiu 3,29% no dia 3. O volume financeiro ficou em R$ 6,230 bilhões.

Já o dólar comercial fechou em alta de 0,39% a R$ 4,0859 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro avançou 0,70% a R$ 4,086. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu 2 pontos-base a 14,69%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 teve alta de 4 pontos-base a 16,41%. 

Mais cedo, o Ibovespa já tinha forte alta com notícias de que a Rússia está negociando um acordo com a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para reduzir a produção do combustível. Lá fora, as bolsas dos Estados Unidos despencaram após o anúncio do Fed, operando neste momento em queda de 1%. 

Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, a virada do petróleo foi o que motivou toda a alta da Bolsa, que foi potencializada pelo fato das ações já terem caído muito. 

Fomc
O Federal Reserve deu sinais de que pode manter os juros inalterados por um tempo maior agora diante das dificuldades econômicas dos Estados Unidos. Na reunião encerrada nesta quarta-feira, a autoridade manteve as taxas inalteradas, após elevar os juros no fim do ano passado.

O comunicado do Fed afirma que “o crescimento econômico desacelerou” desde a sua última reunião em dezembro e que é pouco provável que a inflação suba rapidamente em direção a sua meta de 2%, indicando um tom mais “dovish”, que sugere que o banco não vai ser rápido para elevar os juros novamente.

O banco central também citou a turbulência do mercado de ações nos EUA e na China, dizendo que “está monitorando de perto os desenvolvimentos econômicos e financeiros globais”. No entanto, apesar de perspectivas de curto prazo mais moderadas, o Fed disse que espera que a economia continue a crescer “a um ritmo moderado”, ajudado por um fortalecimento do mercado de trabalho. A votação foi de 10 a 0 pela manutenção.

Conselhão
Entre as notícias do dia, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, deve anunciar R$ 50 bilhões de crédito amanhã na reunião do chamado “Conselhão”, encontro da presidente Dilma Rousseff com 90 personalidades entre empresários, artistas e líderes de movimentos sociais. O dinheiro viria do pagamento das pedaladas fiscais aos bancos públicos. O ministro ainda defenderá a reforma da Previdência, que hoje responde por mais de 40% do gasto primário, disse fonte à Bloomberg. 

Segundo o Estado de S. Paulo, Barbosa acredita que ainda há demanda por crédito, apesar dos economistas se mostrarem céticos quanto a isso. Já de acordo com o Valor Econômico, Dilma estuda condicionar esta concessão de crédito ao aumento do emprego. 

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Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,54, +9,73%; PETR4, R$ 4,57, +8,81%) fecharam em forte alta junto com os preços do petróleo
No radar da empresa, de acordo com a Folha de S. Paulo, os 60 mil participantes do principal fundo de pensão da Petrobras serão chamados a dar sua contribuição para cobrir um rombo que já dura três anos na Petros, fundação que administra a previdência privada da estatal. Segundo o jornal, a expectativa de conselheiros da Petros é de que o rombo anual chegue a quase R$ 20 bilhões.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 RUMO3 RUMO LOG ON1,67+11,33-73,249,36M
 CMIG4 CEMIG PN4,91+10,34-17,7723,74M
 PETR3 PETROBRAS ON6,54+9,73-23,69135,90M
 PETR4 PETROBRAS PN4,57+8,81-31,79349,48M
 CPLE6 COPEL PNB20,08+7,38-17,3719,94M

Da forma semelhante, os papéis da Vale (VALE3, R$ 9,41, +5,14%; VALE5, R$ 7,18, +5,28%) registraram fortes ganhos. O minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao subiu 3,29% a US$ 42,43 a tonelada, apesar das notícias de queda do lucro das empresas industriais na China.  

Mas quem sustentou a alta da Bolsa mesmo foram as ações de Ambev (ABEV3, R$ 17,82, +5,82%) e da Cielo (CIEL3, R$ 32,45, +2,20%), papéis considerados mais defensivos. Juntas, as duas ações respondem por 12,60% da participação da carteira teórica do Ibovespa.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 JBSS3 JBS ON8,41-14,71-31,90430,37M
 USIM5 USIMINAS PNA0,90-7,22-41,9413,27M
 MRFG3 MARFRIG ON5,60-2,10-11,8125,39M
 KROT3 KROTON ON7,85-1,88-17,6358,46M
 BBAS3 BRASIL ON12,70-1,47-13,84128,35M

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As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 ABEV3 AMBEV S/A ON17,82+5,82496,27M185,76M55.950 
 JBSS3 JBS ON8,41-14,71430,37M84,64M84.712 
 PETR4 PETROBRAS PN4,57+8,81349,48M314,06M37.102 
 BBDC4 BRADESCO PN17,37+1,22340,81M200,80M22.706 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN23,68+0,38322,88M328,05M29.418 
 VALE5 VALE PNA7,18+5,28288,23M188,89M37.407 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON21,06+0,29251,28M120,18M33.243 
 BRFS3 BRF SA ON46,54+2,02188,49M119,33M9.220 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON10,26+3,12172,15M103,85M30.343 
 ITSA4 ITAUSA PN6,51+0,15142,27M108,13M33.138 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Já entre as quedas ficou a Kroton (KROT3, R$ 7,85, -1,88%). Ontem, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou que serão oferecidos 250.279 contratos pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). A empresa líder em participação nos contratos dentre as companhias com ações listadas na Bovespa, Kroton, foi a que apresentou o maior tombo em termos de market share: de 17,9% no segundo semestre do ano passado para 12% nos primeiros seis meses deste ano. Em parte esse movimento é atribuído ao mais elevado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das regiões em que opera.