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Ibovespa tem leve alta de 0,08% com ímpeto do PIB brasileiro, mas commodities limitam ganhos; dólar cai 0,45%

Companhias ligadas ao mercado interno tentaram puxar índice para cima, mas viram exportadoras de commodities limitarem a alta

Vitor Azevedo

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O Ibovespa fechou em leve alta de 0,08% nesta terça-feira (5), aos 126.903 pontos, em um dia marcado pela falta de grandes amplitudes – com o produto interno bruto (PIB) brasileiro surpreendendo positivamente mas o temor de uma economia mundial mais fraca derrubando empresas exportadoras de commodities.

“O dia foi marcado pela oscilação discreta das ações brasileiras, sem direção muito clara. O Ibovespa iniciou o dia com a notícia de que o PIB brasileiro teve alta de 0,1%, acima do consenso de mercado, que esperava queda de 0,2%. Esse dado impulsionou as ações brasileiras pela manhã”, avalia Pedro Neves Ribeiro, analista da Aware Investments.

“No entanto, o número não foi suficiente para sustentar o ímpeto, devido a fraqueza da bolsa americana e das ações de commodities”, completa.

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Ações de companhias mais ligadas ao mercado interno, por conta do PIB, foram destaques do Ibovespa. Os papéis ordinários do GPA (PCAR3), da CVC (CVCB3) e do Magazine Luiza (MGLU3) subiram, respectivamente, 12,32%, 7,81% e 7%. O consumo das famílias foi um dos destaques positivos no terceiro trimestre, o que leva a crença de que essas empresas podem se beneficiar em seus resultados.

“O Ibovespa fechou o pregão de hoje em alta limitada, sustentada pelo desempenho das ações dos setores financeiro e de consumo após o resultado acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre”, expõem Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.

Do outro lado, no entanto, ficaram os papéis de empresas ligadas a commodities. As ações ordinárias da Vale (VALE3) caíram 0,92% e as ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4), 0,74% e 0,46%.

“O fraco desempenho das commodities e das bolsas americanas pesam sobre o índice brasileiro, mesmo após dados que mostraram criação de emprego menor que a esperada em outubro – o que reforça a tese de corte nas taxas de juros americanas”, fala Nishimura.  “Ainda com inseguranças quanto ao desempenho da economia global e a demanda por matérias-primas, o minério de ferro fechou em queda na China e o petróleo alternou sinais ao longo do dia”.

Hoje, nos EUA, a oferta de empregos JOLTs trouxe a criação de 8,7 milhões de vagas em outubro – número consideravelmente menor do que as 9,3 milhões projetadas pelo consenso, indicando uma economia mais lenta.

Apesar dos juros nos Estados Unidos continuarem em tendência de queda, com os treasuries yields para dez anos perdendo hoje 10,6 pontos-base, a 4,18%, o dia para os índices de lá foi de queda. Dow Jones e S&P 500, com maiores exposições à economia “real”, caíram, respectivamente, 0,22% e 0,06%. Apesar do recuo dos juros, há a expectativa que a desaceleração da economia seja sentida nos balanços das empresas. O Nasdaq, com maior participação das chamadas empresas de crescimento, no entanto, subiu 0,31%.

“O arrefecimento no mercado de trabalho pode conduzir a uma desaceleração na economia dos Estados Unidos, potencialmente levando o Fed a reduzir as taxas de juros em breve. Nos próximos dias, o Departamento do Trabalho divulgará mais dois relatórios, o ADP e o Payroll. O Payroll é particularmente aguardado, pois pode confirmar ou contradizer a perspectiva de uma postura mais dovish do Fed em 2024″, fala Diego Costa, head de câmbio para Norte e Nordeste da B&T Câmbio.

A curva de juros brasileira fechou mista, ficando entre o desempenho dos treasuries e a economia mais aquecida no Brasil. Os DIs para 2024 perderam 2,2 pontos-base, a 11,84%, enquanto as taxas dos para 2025 ganharam 5,5 pontos-base, a 10,38%, e os dos para 2027, dois pontos-base, a 10,16%. Os rendimentos dos DIs para 2029 subiram dois pontos, a 10,60% e os dos para 2031 ficaram estáveis a 10,84%.

O dólar, por fim, perdeu 0,45% frente ao real, a R$ 4,925 na compra e a R$ 4,926 na venda. Frente a outras moedas, no entanto, a tendência foi de alta, com o DXY, que mede a força da divisa norte-americana frente outras de países desenvolvidos, subindo 0,26%, aos 103,98 pontos.

“Na abertura desta terça-feira, o dólar atingiu a marca de R$ 4,9668, à medida que os investidores reagiam ao rebaixamento da nota de crédito da China pela agência de classificação de risco Moody’s. Notícias desfavoráveis na China têm o potencial de impactar negativamente o Brasil, uma vez que podem resultar em uma desaceleração do comércio entre os dois países”, fala Costa.

“Entretanto, em uma semana repleta de eventos, o fluxo de capital pode se alterar rapidamente com a divulgação de novos indicadores. Nesta terça, tivemos dados do PIB no Brasil, que superaram as expectativas, e do PMI nos Estados Unidos, que permaneceu estável”.