Resumo do mercado

Ibovespa tem leve alta com saída de Bolsonaro de hospital ações de bancos pressionam

Bolsonaro recebeu alta médica e deixou o Hospital Albert Einstein, na capital paulista, às 12h20 de hoje

SÃO PAULO – O Ibovespa amenizou seus ganhos diante da queda nos papéis de bancos, como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), mas se mantém em patamar positivo após a alta médica de Jair Bolsonaro, que estava internado no Hospital Albert Einstein desde 27 de janeiro.

Às 13h28 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,15%, a 96.316 pontos, após ter atingido a máxima de 96.803 pontos. O contrato de dólar futuro com vencimento em março de 2019 tinha alta de 0,59%, cotado a R$ 3,727, e o dólar comercial avançava 0,57%, para R$ 3,734. 

Bolsonaro recebeu alta médica e deixou o hospital às 12h20. Cerca de dez carros, acompanhados de batedores da Polícia do Exército e carros da Rota fizeram a segurança do presidente. Um helicóptero da Polícia Militar também auxiliou na segurança. O presidente foi para o Aeroporto de Congonhas de onde segue para Brasília.

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Os investidores se animam com seu retorno ao trabalho porque membros da equipe econômica aguardam seu aval para fechar o projeto da reforma da Previdência. Enquanto isso, a equipe de Paulo Guedes se esforça para encontrar uma forma de tornar efetiva a mudança na idade mínima da aposentadoria na proposta e ao mesmo tempo acomodar a posição contrária de Bolsonaro sobre igualar esse patamar para homens e mulheres.

“O gatilho para mais altas (ou novas quedas) será o texto da reforma da previdência, previsto para sair sexta (mas até lá, novos ‘vazamentos’ podem ocorrer). Somado a isso, teremos vencimento de opções sobre ações na segunda, evento que por si só traz uma volatilidade extra aos ativos brasileiros. Ou seja: esperamos forte volatilidade nos próximos dias”, avaliam os analistas da Rico Investimentos em relatório enviado a clientes. 

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No mercado de juros, os contratos futuros com vencimento em janeiro de 2021 caíam de 7,18% para 7,05% e os contratos para janeiro de 2023 recuavam de 8,26% para 8,16%. O alívio no exterior e a possibilidade de que o texto da reforma da Previdência ganhe velocidade no cronograma colaboram para a queda das taxas de juros futuros.

Destaques da bolsa

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 UGPA3 ULTRAPAR ON55,29+2,98+3,9334,23M
 VALE3 VALE ON45,57+2,87-10,65881,26M
 SUZB3 SUZANO PAPELON46,49+2,51+22,09108,03M
 BRAP4 BRADESPAR PN28,04+2,04-9,6898,25M
 CIEL3 CIELO ON11,27+1,81+26,7749,92M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 CCRO3 CCR SA ON13,85-2,40+23,6648,82M
 BRFS3 BRF SA ON22,76-2,32+3,78169,08M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON10,87-1,90+15,886,77M
 BBAS3 BRASIL ON52,45-1,58+12,82230,79M
 LREN3 LOJAS RENNERON43,96-1,57+3,6833,56M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Bolsas mundiais

Os índices futuros dos Estados Unidos operam em alta seguindo ainda a esteira de otimismo iniciada ontem com a sinalização de Donald Trump de que pretende apoiar o acordo fechado entre parlamentares democratas e republicanos – e que precisa do seu aval – sobre o orçamento dos EUA.

A medida evita, por enquanto, uma nova paralisação do governo que poderia acontecer no fim desta semana. O acordo provisório inclui R$ 1,375 bilhão para a construção de barreiras verticais de aço e não um muro sólido – defendido por Trump.

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Permanece ainda a expectativa otimista sobre uma resolução para a guerra tarifária entre China e EUA, com Trump afirmando que considera adiar o prazo de 1º de março para fechar um acordo comercial com o país. O presidente norte-americano disse que a China “quer muito fazer um acordo” e que ele tem “uma grande equipe” no país tentando chegar a uma resolução.

As bolsas europeias também operam em alta seguindo o otimismo gerado pelas notícias relacionadas ao governo norte-americano. Os mesmos fatores levaram as bolsas asiáticas a encerrar com valorização.

No mercado de commodities, os preços do petróleo sobem pelo segundo dia com a promessa da Arábia Saudita de ampliar os cortes em sua produção e as tensões com possíveis sanções dos Estados Unidos à Venezuela. Do outro lado, a Agência Internacional de Energia disse que o mercado pode se ajustar a essas sanções e não passar por um rali de alta.

Reforma da Previdência

O texto-base da proposta de reforma da Previdência Social já está nas mãos do ministro da Economia, Paulo Guedes, e poderá ser entregue para avaliação do presidente Jair Bolsonaro ainda nesta semana, segundo o jornal Valor Econômico. “Duas ou três versões” como já dito por Guedes, devem ser apresentadas para que Bolsonaro decida sobre pontos cruciais do texto como a idade mínima e se haverá diferenciação entre homens e mulheres.

O documento será entregue a Bolsonaro quando ele sair do hospital. O médico cirurgião Antônio Luiz Macedo disse que a equipe médica ainda não tomou a decisão de quando será a alta do presidente em razão dos medicamentos e exames que estão sendo realizados. No entanto, ele disse que o presidente está muito bem de saúde e que a previsão é que Bolsonaro saia do hospital ainda esta semana.

Enquanto isso, o governo articula o apoio à reforma e discute com parlamentares a possibilidade de nomear mais de mil cargos de segundo escalão nos estados como forma de ajudar o Executivo a garantir votos para aprovar o texto, conforme afirmou o secretário Especial para a Câmara dos Deputados, Carlos Manato, à Reuters.

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Além disso, o deputado federal Eduardo Cury (PSDB) foi sondado por representantes do governo para ser o relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara que deve discutir o projeto, informa o jornal Valor Econômico. Ainda não há definição, mas a decisão deve ser tomada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), em conjunto com o governo. Maia é amigo do secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho (PSDB), do qual Cury é próximo.

Noticiário político 

O clima de tensão paira nos bastidores do PSL diante de denúncias. Reportagem da Folha de S. Paulo informa que o coordenador de campanha de Jair Bolsonaro e hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada —sem maquinário para impressões em massa.

Na época, Bebianno era o presidente nacional do PSL, responsável formal por autorizar repasses dos fundos partidário e eleitoral a candidatos da legenda.

Antes disso, o Bolsonaro já havia responsabilizado Bebianno pela escalada da crise no governo com a revelação de candidaturas laranjas bancadas pelo partido. Com a nova denúncia, a temperatura deve subir no governo. 

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), trabalham para que o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) seja líder do governo Casa – algo que, segundo diversas fontes ouvidas pelo Valor Econômico, está muito próximo de acontecer.

Segundo o jornal, MDB também será contemplado com a presidência das comissões de Constituição e Justiça, Mista de Orçamento e de Educação. A formalização do comando das comissões temáticas do Senado deve acontecer hoje e Alcolumbre trabalha para atenuar o clima de tensão causado por sua turbulenta eleição.