Bolsa

Ibovespa tem alta de 0,6% puxado por melhora de bancos; dólar e DI sobem

Índice vira para alta depois de cair 0,6% com realização no mercado internacional coincidindo com discurso de membro do Fed de que não há motivo para que alta dos juros não ocorra este ano

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SÃO PAULO – O Ibovespa tem leve alta nesta quinta-feira (1), mesmo com a virada dos mercados internacionais provocada pelo mergulho das cotações do petróleo, que puxaram para baixo as ações da Petrobras (PETR3; PETR4). Bancos passaram a subir mais forte e ajudaram o índice a ter um desempenho melhor.  

Às 15h01 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha alta de 0,66%, a 45.358 pontos. Já o dólar comercial opera em alta de 1,12% a R$ 4,0099 na venda depois de abrir em queda, ao passo que o dólar futuro para novembro avança 0,79% a R$ 4,025. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 13 pontos-base, a 15,71%, enquanto o DI para janeiro de 2021 tem alta de 9 pontos-base, a 15,66%. 

Lá fora, as bolsas mundiais passaram a recuar por conta também de entrevista do presidente do Federal Reserve de Richmond, Jeffrey Lacker. Por aqui, as notícias continuam preocupantes, com nova derrota do ajuste fiscal no Congresso e adiamento da votação de vetos mesmo depois da presidente Dilma Rousseff sinalizar uma reforma ministerial com amplas concessões ao PMDB. Investigações de que houve dinheiro do “petrolão” na campanha de Dilma também geram instabilidade.

O mergulho do petróleo foi de 4% da máxima para a mínima, de modo que o barril do Brent para dezembro já opera em leve alta de 0,14% a US$ 49,12, depois de disparar pela manhã impulsionado pela estabilização dos dados macroeconômicos chineses revelados pelos PMIs (Índices Gerentes de Compras). 

Ações em destaque
As ações da Vale (VALE3, R$ 17,41, +5,01%; VALE5, R$ 13,96, +4,80%), seguindo a Ásia, operam em alta. Tendo a China como seu principal mercado consumidor, a estabilização dos dados econômicos por lá é quase sempre motivo para otimismo com as ações da Vale aqui. Acompanham a alta, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 8,49, +3,54%), holding que detém participação na mineradora. 

Ainda do lado das altas, o setor financeiro sobe com Itau (ITUB4, R$ 26,85, +1,34%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,12, +2,12%; BBDC4, R$ 21,72, +1,40%), Santander (SANB11, R$ 12,82, +1,67%) e Itaúsa (ITSA4, R$ 7,24, +1,40%). É importante lembrar que o setor é responsável por mais de 20% da carteira teórica que é o Ibovespa.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 VALE3 VALE ON17,44+5,19-17,7654,76M
 VALE5 VALE PNA14,01+5,18-24,28239,57M
 MRVE3 MRV ON6,35+4,27-11,1611,31M
 BRAP4 BRADESPAR PN8,50+3,66-37,4711,22M
 FIBR3 FIBRIA ON55,53+3,22+71,8978,15M

 

Entre as quedas, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,47, -0,82%; PETR4, R$ 7,08, -2,21%) viraram para o vermelho depois das fortes altas ontem impulsionadas pelo reajuste de 6% nos preços da gasolina e de 4% nos do diesel. O mergulho das cotações do petróleo lá fora impactaram os papéis da companhia petrolífera. 

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Ainda no radar da empresa, a Petrobras firmou nota de crédito à exportação com o Banco do Brasil no valor de R$ 4,075 bilhões, com lastro em letras de crédito do agronegócio (LCA). Segundo o Credit Suisse, ainda não está claro se seria um empréstimo novo ou uma rolagem, embora a notícia de O Estado de S. Paulo informe que não seria um empréstimo novo. Caso seja confirmado um novo empréstimo, o banco acredita que a notícia pode ser interpretada como marginalmente positiva, já que aliviaria um pouco a preocupação do mercado em relação à capacidade da empresa em conseguir levantar dívidas, mesmo em um cenário onde a empresa perdeu o investment grade, sofre forte pressão de fluxo de caixa para 2016 e com o dólar em um patamar desfavorável para a empresa.

Os papéis da Marfrig (MRFG3, R$ 6,55, -8,65%) desabam hoje em meio às notícias sobre a Operação Acrônimo, da Polícia Federal, que deflagou nova fase hoje. A operação investiga irregularidades na campanha e suposto recebimento de propina pelo governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT. Entre os alvos desta nova fase estão a Marfrig, Cemig (CMIG4, R$ 6,95, -0,57%) e Odebrecht.

Ainda nas quedas, o setor siderúrgico segue caindo com Usiminas (USIM5, R$ 3,20, -4,48%), Gerdau (GOAU4, R$ 2,84, -2,74%), Gerdau Metalúrgica (GGBR4, R$ 5,37, -1,83%) e CSN (CSNA3, R$ 3,86, -1,53%).

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 MRFG3MARFRIG ON6,51-9,21+6,7244,28M
 CESP6CESP PNB14,58-4,14-31,8643,53M
 CCRO3CCR SA ON11,68-4,03-23,9547,17M
 USIM5USIMINAS PNA3,22-3,88-35,8827,83M
 CPFE3CPFL ENERGIA ON14,31-3,77-20,1311,41M
* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Ambiente político piora
No cenário político, o governo sofre hoje com novas derrotas no Congresso, devido ao adiamento da análise dos vetos e emendas que desfiguram ainda mais a proposta original de mudança na Previdência. Houve a inclusão de duas emendas ao texto base da MP que estabeleceu a norma 85/95 para aposentadorias: uma autoriza a reaposentadoria e outra disciplina o seguro-desemprego rural. A reaposentadoria, que permite recálculo com aumento do valor para quem se aposentou antes e continuou trabalhando, pode gerar custo extra de R$ 70 bilhões em 20 anos, segundo a Folha de S. Paulo.

Também fica no radar a espera pela reforma ministerial. O anúncio das mudanças ainda não tem data e hora marcados, mas vários movimentos já foram antecipados, como a troca de Aloizio Mercadante por Jaques Wagner na Casa Civil e a demissão de Arthur Chioro na Saúde. Apesar de toda a expectativa de que as mudanças sejam divulgadas hoje, o vice-presidente, Michel Temer, admitiu que o anúncio pode acabar sendo adiado para sexta.

Por fim, a Operação Lava Jato ganhou mais dramaticidade com duas notícias exclusivas do Estado de S. Paulo. A primeira diz que a Polícia Federal suspeita (e investiga), com base em mensagens trocadas em julho de 2014 nos celulares entre o dono da UTC e delator premiado, Ricardo Pessoa, e um executivo do grupo, que as doações da empreiteira para a campanha de Dilma estavam relacionadas ao recebimento de valores de contratos da Petrobras.

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A segunda reportagem, segundo indicações de documentos obtidos pelo próprio “Estadão”, diz que medida provisória editada por Lula em 2009 teria sido “comprada” por meio de esquema de lobby e corrupção para favorecer as montadoras. Teriam sido negociados pagamentos de até R$ 36 milhões para garantir a prorrogação de incentivos fiscais de até R$ 1,3 bilhão por ano ao setor.

Já o julgamento no TSE de supostas irregularidades na campanha da presidente Dilma em 2014 foi novamente adiado. A nova data para decisão da ação contra a chapa Dilma-Temer será o dia 6 de outubro. Se o TSE confirmar o indicado pela maioria dos votos até agora, poderão ser realizadas diligências de investigação para apurar suposto uso da estrutura pública pela campanha do PT na disputa eleitoral, com abuso de poder econômico. Já existem em tramitação na Corte três ações com objeto semelhante que podem gerar a cassação do mandato da presidente e do vice-presidente, Michel Temer.

Cenário externo
Os índices Dow Jones e S&P 500 viram para queda depois de abrir em alta antes de fala do Fed que vem na véspera do tão aguardado relatório de emprego dos EUA. O presidente do Fed de São Francisco, John Williams, irá discursar às 15h30. Na segunda-feira (28), Williams disse que o Fed deve iniciar a elevação de juros em outubro ou dezembro. “Dado o progresso que fizemos e continuamos a fazer nos nossos objetivos, eu vejo o próximo passo como gradualmente aumentar as taxas de juros, de preferência começando em algum momento mais tarde este ano”, disse Williams. 

O dia foi de virada para queda no fim do pregão para as bolsas europeias, que sofreram com a queda do petróleo. Entre os dados econômicos, o PMI Markit de manufatura da zona do euro ficou em 52 em setembro, de 52,3 em agosto e atingiu o menor nível em cinco meses. Este resultado veio em linha com as expectativas dos analistas.

Já as bolsas asiáticas subiram nesta quinta-feira, extraindo força dos ganhos em mercados acionários globais após o trimestre mais fraco em quatro anos, embora pesquisas tenham destacado a persistente fraqueza do setor industrial da China.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit sobre o setor industrial da China em setembro ficou ligeiramente acima da preliminar. Já o PMI oficial da China, divulgado separadamente, avançou para 49,8 em setembro ante a leitura de agosto de 49,7, apesar de esses números ainda mostrarem contração para o setor pelo segundo mês consecutivo.

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