Ibovespa tem 4ª queda seguida e fecha semana em baixa de 2,67%

Índice foi bastante pressionado pela forte volatilidade das ações da Petro e Vale; JBS e empresas de Eike lideraram as altas do índice, mas OGX foi a ação com pior desempenho semanal

Publicidade

*Atualizado às 18h (horário de Brasília)

SÃO PAULO – Intensificando as perdas na parte da tarde, o Ibovespa fechou a sessão no quarto pregão consecutivo de queda, pressionado pelas ações de siderúrgicas e imobiliárias, que mostram queda de mais de 5% nesta sexta-feira (15). O principal índice de ações da bolsa brasileira registrou baixa de 0,72%, a R$ 56.869 pontos. Na semana, o índice fechou em baixa de 2,67%. O giro financeiro da sessão foi de R$ 9,01 bilhões. 

Os ativos da Usiminas (USIM3, R$ 10,70, -6,88%; USIM5, R$ 10,14, -5,23%) fecharam em fortes perdas, assim como os papéis da CSN (CSNA3, R$ 9,78, -3,17%), da Gerdau (GGBR4, R$ 15,16, -1,56%) e Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 19,16, – 1,30%). O movimento negativo de todas elas se intensificou após as 14h (horário de Brasília). Juntas, elas respondem por cerca de 7% do índice. 

O índice também ficou bastante pressionado em meio à forte volatilidade das ações preferenciais de Petrobras (PETR4, -1,50%, R$ 19,38) e Vale (VALE5, -0,12%, R$ 33,59), que alternaram entre expressivos ganhos e perdas nesta sessão. As duas ações ficaram voláteis pela proximidade do vencimento de opções sobre ações, na segunda-feira. Vale ressaltar que as ações ON da petrolífera (PETR3) registraram ganhos de 2,12% na sessão. 

JBS lidera ganhos
As ações da JBS (JBSS3) lideraram os ganhos, fechando com alta de 4,49%, a R$ 7,21. O índice acompanhou a perda de forças da OGX Petróleo (OGXP3), que fechou com ganhos de 4,18%, atingindo os R$ 2,49 – depois de atingir os R$ 2,60 na máxima do intraday. O papel da LLX Logística (LLXL3) também registraram fortes ganhos após assinar contrato da área do canal TX2, no Superporto de Açu, para a finlandesa Wärtsilä por 30 anos, com alta de 2,98%.

Como maior baixa, destaque ainda para as ações da MRV Engenharia (MRVE3) Gafisa (GFSA3), com quedas respectivas de 8,07%, aos R$ 9,80, e 7,02%, R$ 3,71, após um início de temporada de resultados ruim para as construtoras. Outras imobiliárias presentes no índice também mostram forte queda.

Continua depois da publicidade

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRVE3 MRV ON 9,80 -8,07 -18,05 115,41M
 GFSA3 GAFISA ON 3,71 -7,02 -21,23 57,17M
 USIM3 USIMINAS ON 10,70 -6,88 -21,73 7,95M
 USIM5 USIMINAS PNA 10,14 -5,23 -20,78 132,03M
 BISA3 BROOKFIELD ON 2,75 -4,51 -19,59 23,87M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 7,21 +4,49 +20,17 41,38M
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 2,49 +4,18 -43,15 316,54M
 LLXL3 LLX LOG ON 2,42 +2,98 +0,83 13,82M
 BRKM5 BRASKEM PNA 14,44 +2,85 +12,81 30,17M
 MRFG3 MARFRIG ON 9,36 +2,63 +10,38 20,70M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

Continua depois da publicidade

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 33,59 -0,12 633,93M 28.431 
 PETR4 PETROBRAS PN 19,09 -1,50 633,46M 51.631 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 2,49 +4,18 316,54M 26.942 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EJ 35,58 +0,08 222,00M 25.343 
 BBDC4 BRADESCO PN 37,04 +0,68 207,43M 15.715 
 BRFS3 BRF FOODS ON 43,70 +1,04 181,91M 9.659 
 VALE3 VALE ON 34,73 -0,77 178,48M 13.820 
 AMBV4 AMBEV PN 84,91 -2,01 164,96M 7.461 
 BBAS3 BRASIL ON ED 26,35 -0,26 162,05M 15.691 
 PETR3 PETROBRAS ON 17,80 +2,12 148,87M 17.114 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Fitch diminui projeções para o Brasil
A agência de classificação de risco Fitch Ratings reduziu as perspectivas de crescimento econômico mundiais. Para o Brasil, a projeção passou de alta no PIB (Produto Interno Bruto) de 3,7% para 3% em 2013. 

Na agenda de indicadores, o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central e conhecido no mercado como a prévia do PIB (Produto Interno Bruto), mostrou forte alta de 1,29% na passagem de dezembro para janeiro, ainda que o número tenha sido impulsionado pela revisão dos números nos meses anteriores. Em relatório, o Bradesco diz que a expectativa era de uma alta de 1%.

Continua depois da publicidade

“O resultado reportado pelo Banco Central reforça a percepção de aceleração do crescimento no primeiro trimestre, o que está em linha com estímulos implementados nos últimos meses e a dissipação de fatores que prejudicaram o crescimento nos últimos trimestres”, escreve a equipe do Bradesco.

Nos EUA, a inflação medida pelo CPI (Consumer Price Index) avançou 0,7% em fevereiro, para sua máxima desde 2009 e ligeiramente acima das projeções, mas a atividade industrial na região de Nova York, medida pelo Empire Manufacturing, atingiu a marca de 9,2, bem acima dos 6,5 esperados pelo mercado, segundo compilação feita pela Briefing.com.

A produção industrial também reservou surpresas positivas aos investidores: a alta foi de 0,7%, contra expectativa de 0,4%, assim como a capacidade utilizada subiu para 79,6% e superou os 79,4% previstos. Já o Michigan Sentiment de março ficou em 71,8 pontos, contra 77,6 em fevereiro.

Continua depois da publicidade

A semana
A semana foi negativa para o índice, com o destaque ficando novamente para a OGX, que ajudou a pressionar o índice ao fechar em queda de 19,94% em meios aos dados decepcionantes de produção de petróleo no mês de fevereiro. Em meio ao cenário decepcionante, oito instituições cortaram as expectativas para a companhia dentre elas, grandes bancos internacionais, como Credit Suisse, Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan, entre outros. Entre as maiores altas, esteve a Suzano (SUZB5), cujas ações subiram 8,80% no mesmo período. 

No meio da semana, as ações da Vale chamaram a atenção do mercado, diante de perspectivas ruins na China e temores com relação ao novo código minerário. Vale lembrar ainda que, na sessão da última quarta-feira (13), um rumor de que o Brasil teria seu crédito rebaixado pela Standard & Poor’s afetou o mercado brasileiro, gerando forte volatilidade no índice. Entretanto, a S&P, assim como a Moody’s negou os rumores. 

Na agenda econômica brasileira, as atenções do mercado se voltaram para a Ata do Copom (Comitê de Política Monetária) ao expressar a cautela do Banco Central com a condução da política monetária e com a inflação, ao dizer que a alta nos preços pode não ser causada por um efeito temporário. O comitê também reiterou que irá acompanhar o cenário macroeconômico para decidir sobre os próximos passos da política monetária na próxima reunião.

Durante a semana, dados da China também foram divulgados, mostrando uma alta na inflação de fevereiro e uma desaceleração na produção industrial nos dois primeiros meses do ano. A decepção maior ficou por conta da produção industrial, que mostrou alta de 9,9% nos meses de janeiro e fevereiro, abaixo dos 10,6% previstos pelo consenso do mercado. No mesmo período as vendas no varejo cresceram 12,3%, também abaixo dos 15,0% esperados.

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.