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SÃO PAULO – Depois de chegar à sua 4ª semana seguida no azul, o Ibovespa operou com certa volatilidade nesta segunda-feira (14), conhecendo sua 3ª queda em 4 pregões ao fechar com perdas de 0,52%, a 51.596 pontos. A enxurrada de eventos que virão ao mercado nesta semana colaboraram para a sessão volátil no mercado, mas a queda das principais ações “pesos-pesados” do índice contribuíram para o dia do lado negativo. O giro financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,63 bilhões.
“Não houve nenhuma notícia nova. A bolsa tinha subido bem com aquela puxada da Petrobras (PETR3, R$ 15,36, -1,60%; PETR4, R$ 15,93, -1,61%), que agora deu uma corrigida”, observa o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller. Para ele, o agravamento do conflito russo em solo ucraniano pode trazer um efeito oposto ao visto nos últimos dias: ao contrário da entrada de maior fluxo estrangeiro no Brasil por conta da insegurança no par emergente, o aumento da possibilidade de um conflito pondo em xeque inclusive a distribuição de gás na Europa pode despertar temores do mercado. “O mercado pode estar pensando em coisa mais séria do que nas últimas semanas”, argumenta.
O índice chegou a subir 0,47% no intraday, mas não resistiu à pressão da própria Petrobras, bancos e imobiliárias, que ofuscaram os ganhos das siderúrgicas e da mineradora Vale (VALE3, R$ 32,89, -0,24%; VALE5, R$ 30,12, +0,87%). O movimento volátil, explica Müller, é reforçado pela proximidade do vencimento de opções sobre o índice e ações da bolsa, que ocorrem na próxima quarta-feira (16) e terça-feira (22) da semana que vem, respectivamente. Quando essas datas se aproximam, os investidores começam a especular com maior voracidade o noticiário a fim de zerar posições sem que seus esforços “virem pó”.
Além do radar agitado na bolsa, a semana também marca uma nova rodada de pesquisas eleitorais. No último final de semana, Vox Populi e Ibope registraram no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pesquisas eleitorais que devem ser divulgadas. O analista Carlos Müller acredita que ainda há espaço para novas especulações e eventuais altas na bolsa se a “Dilma cair ou, principalmente, a oposição subir”. Para ele, a possibilidade de rali existe, mas não com a mesma agressividade que a vista nas últimas semanas.
EUA em alta; dólar em queda
Mais uma vez, o desempenho do benchmark da Bovespa se descolou do movimento registrado nas bolsas internacionais. Nos Estados Unidos, o dia foi de recuperação após as perdas significativas vistas nos últimos pregões, impulsionadas pelos resultados corporativos – com destaque para o Citigroup, que surpreendeu. Os três principais índices acionários fecharam com ganhos entre 0,5% e 1%. Do lado macroeconômico local, as vendas do varejo subiram 1,1% em março, animando os investidores.
No sentido oposto de sua tendência natural em dias de queda do Ibovespa, o dólar caiu 0,3% ante o real, fechando cotado a R$ 2,2147 na venda. Normalmente, a moeda americana registra alta em dias de perdas na bolsa brasileira, uma vez que tais situações ocorre uma saída maior que entrada de investimentos – com mais da metade dos investidores da Bovespa formada por estrangeiros, é natural esperar que tal saída seja acompanhada por uma fuga de dólares do País.
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Destaques do pregão
O dia foi de recuperação para as ações de CSN (CSNA3, R$ 9,34, +1,97%) e Usiminas (USIM5, R$ 9,38, +0,86%), após as quedas com a decisão do cade de que a primeira terá que se desfazer de ações que possui da segunda. Do lado da siderúrgica mineira, também vale lembrar o relatório do Brasil Plural, que elevou recomendação sobre os papéis USIM5. Para os analistas Renato Antunes, Paulo Valaci e Milton Sullyvan, a reação dos investidores sobre a decisão do Cade na semana passada e um possível overhang dos papéis da siderúrgica pode estar exagerada.
As ações do setor elétrico voltam a subir nesta sessão e ocuparam as posições mais altas do Ibovespa, com a Copel (CPLE6, R$ 31,53, +2,60%) liderando os ganhos do setor. Mesmo com as especulações cada vez mais fortes de que teremos racionamento de energia no Brasil, as ações das companhias do setor estão acumulando ganhos desde o final de fevereiro, com algumas delas estando cotadas nos melhores patamares do ano. Analistas não enxergaram nenhuma novidade que justificasse a alta desta sessão, chamando atenção apenas para o fato de que a chuva no final de semana tenha elevado em quantidade mínima o nível do Sistema Cantareira, da Sabesp (SBSP3, R$ 20,16, +2,13%).
Na ponta negativa, as expectativas com uma nova elevação na Selic, pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para conter a elevação da inflação, voltaram a trazer problemas sobretudo para as ações do setor imobiliário. Nesta sessão, a maior queda do setor foi vista pela PDG Realty (PDGR3, R$ 1,44, -2,04%).
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Também contribuíram para o dia de perdas na bolsa as ações dos bancos, com Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,47, -1,51%), Bradesco (BBDC3, R$ 34,06, -0,99%; BBDC4, R$ 32,76, -1,24%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,89, -1,27%) apresentando quedas superiores a 1%.
As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| OIBR4 | OI PN | 2,85 | -5,32 | -20,61 | 59,35M |
| DASA3 | DASA ON | 14,31 | -4,60 | -1,72 | 2,98M |
| PRML3 | PRUMO ON | 1,17 | -3,31 | +8,33 | 6,20M |
| GFSA3 | GAFISA ON | 3,64 | -3,19 | +3,12 | 17,85M |
| TIMP3 | TIM PART S/A ON | 10,66 | -2,65 | -13,54 | 36,90M |
As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:
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| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| DTEX3 | DURATEX ON | 11,63 | +3,38 | -11,56 | 10,48M |
| CPLE6 | COPEL PNB | 31,53 | +2,60 | +3,28 | 14,48M |
| GOLL4 | GOL PN N2 | 12,42 | +2,48 | +18,51 | 10,47M |
| ELET3 | ELETROBRAS ON | 7,26 | +2,40 | +23,68 | 10,89M |
| AEDU3 | ANHANGUERA ON | 13,90 | +2,36 | -6,71 | 57,71M |
As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :
| Código | Ativo | Cot R$ | Var % | Vol1 | Vol 30d1 | Neg |
|---|---|---|---|---|---|---|
| PETR4 | PETROBRAS PN EJ | 15,93 | -1,61 | 427,54M | 627,81M | 46.591 |
| VALE5 | VALE PNA | 30,12 | +0,87 | 425,29M | 453,58M | 28.536 |
| ITUB4 | ITAUUNIBANCO PN | 34,89 | -1,27 | 233,27M | 388,22M | 20.100 |
| BBDC4 | BRADESCO PN | 32,76 | -1,24 | 184,68M | 322,14M | 17.977 |
| VALE3 | VALE ON | 32,89 | -0,24 | 135,85M | 171,08M | 15.012 |
| BBSE3 | BBSEGURIDADE ON | 25,96 | +1,01 | 121,94M | 174,63M | 15.159 |
| BRFS3 | BRF SA ON | 49,00 | +0,41 | 107,63M | 131,34M | 7.095 |
| ABEV3 | AMBEV S/A ON ED | 17,37 | -0,17 | 98,60M | 175,82M | 15.837 |
| BVMF3 | BMFBOVESPA ON | 11,40 | -0,52 | 96,64M | 142,92M | 20.237 |
| CSAN3 | COSAN ON | 38,05 | -1,17 | 93,50M | 48,95M | 7.854 |
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
Mais pessimismo no Focus
No noticiário econômico nacional, o grande destaque fica para o relatório Focus, que elevou a estimativa para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2014 para 6,47% ante 6,35%, enquanto para o próximo ano a projeção subiu para 6%, ante 5,84%. Com isso, a expectativa de inflação se aproximou do teto da meta de 2014, de 6,5%, o que afeta ações de imobiliárias e bancos nesta sessão, em meio às expectativas de maior alta da Selic para conter os preços.
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Contudo, no mesmo relatório, a expectativa para a taxa básica de juros foi mantida em 11,25% para o final de 2014 e de 12% para 2015. Enquanto isso, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014 aumentou para 1,65%, ante 1,63% da semana anterior enquanto para 2015, a expectativa também foi mantida em 2,00%.
Outros destaques
Na Europa, os investidores iniciam a semana de olho na crise envolvendo Ucrânia e Rússia. As tensões aumentaram quando separatistas pró Rússia assumiram o controle de uma cidade ucraniana. O governo da Ucrânia disse que planeja lançar uma “operação anti-terrorista”, se os separatistas não deixarem o controle da cidade. Os acontecimentos elevaram preocupações sobre uma possível “guerra do gás”, que pode interromper o fornecimento de energia no continente.
Investidores seguem atentos também aos comentários do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, de que o banco pode aliviar sua política monetária e iniciar uma compra de ativos se a inflação no continente continuar baixa. Porém, em meio aos fatores de pressão, as bolsas do continente tiveram alívio após os dados dos EUA e passaram a operar próximas à estabilidade.