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Ibovespa sobe puxado por disparada de 7% da Vale depois de resultado; Copom no radar

Indicação de fim do ciclo de juros traz otimismo ao mercado ao mesmo tempo em que gigantes superam expectativas nos seus balanços; bolsas europeias registram ganhos

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SÃO PAULO – O Ibovespa sobe pela terceira vez consecutiva nesta quinta-feira (30) após a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que eleveou a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual a 14,25%, indicando o fim do ciclo de alta dos juros no comunicado. Por aqui ainda traz otimismo a temporada de resultados, com gigantes como Ambev (ABEV3), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Vale (VALE5) superando expectativas dos analistas. Do lado internacional, as bolsas europeias têm alta diante de resultados corporativos e dados macroeconômicos positivos, como é o caso confiança na zona do euro e o desemprego na Alemanha. 

Às 10h38 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira subia 0,73%, a 50.612 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial sobe 0,75%, a R$ 3,3542 na venda, ao passo que o dólar futuro para agosto tem alta de 0,66%, a R$ 3,357. Já no mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 recua 37 pontos-base, a 13,50%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 cai 21 pontos-base, a 12,84%. Os juros sofrem uma reprecificação por conta da sinalização do Copom de que o ciclo de aumento da Selic deve ter acabado nesta última reunião. 

Nos Estados Unidos, os futuros dos índices Dow Jones e S&P 500 recuam após o Fomc (Federal Open Market Comittee) acenar para uma alta dos juros em setembro. Além disso, o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu 2,3%, abaixo da mediana das projeções de analistas, que era de expansão a 2,5%. 

O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego subiu 12 mil na semana encerrada em 25 de julho, para 267 mil, de acordo com Departamento do Trabalho dos EUA. Apesar do avanço, o resultado ficou abaixo da previsão dos analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que esperavam aumento a 270 mil.

Destaques de ações
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,68, +7,25%; VALE5, R$ 15,96, +5,63%) disparam 4% depois da companhia ter lucro de R$ 5,144 bilhões, superando em mais de 4 vezes a expectativa média de R$ 1,15 bilhão de 12 casas de análise compiladas pela Bloomberg e revertendo o prejuízo de R$ 9,538 bilhões do primeiro trimestre de 2015. Em dólares, o lucro líquido foi de US$ 1,675 bilhão entre abril e junho deste ano. 

A melhora de R$ 14,682 bilhões no lucro líquido deveu-se, principalmente, ao efeito não-caixa nos resultados financeiros de apreciação de 3% do real contra o dólar no segundo trimestre em comparação à depreciação de 21% do real contra o dólar no primeiro trimestre, informou a companhia. O lucro líquido básico totalizou R$ 2,993 bilhões no segundo trimestre, contra um prejuízo líquido básico de R$ 2,052 bilhões no primeiro trimestre.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 VALE3 VALE ON19,68+7,25
 CESP6 CESP PNB18,93+6,11
 BRAP4 BRADESPAR PN10,61+5,89
 VALE5 VALE PNA15,96+5,63
 HGTX3 CIA HERING ON12,10+3,95

 

 

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Assim como ela, a cervejaria Ambev (ABEV3, R$ 18,93, +0,96%) sobe depois de registrar um lucro líquido de R$ 2,83 bilhões no segundo trimestre, alta de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado, informou nesta quinta-feira. A média das expectativas dos analistas eram de uma alta de 17,17% no resultado líquido da empresa, atingindo R$ 2,545 bilhões. 

O resultado vem positivo mesmo com efeitos negativos como a desaceleração econômica no Brasil, que afeta o consumo em geral e o benchmark elevado do balanço do 2º tri de 2014, quando ocorreu a Copa do Mundo. O evento alavancou as vendas de cerveja no País. 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,94, +1,19%; PETR4, R$ 10,85, +1,21%) também sobem. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 EMBR3EMBRAER ON23,05-3,15
 CIEL3CIELO ON43,87-2,58
 QUAL3QUALICORP ON19,75-1,94
 KROT3KROTON ON9,57-1,14
 RUMO3RUMO LOG ON0,90-1,10


Do lado das quedas operam Bradesco (
BBDC3, R$ 27,38, -0,76%; BBDC4, R$ 27,54, -0,22%) e Cielo (CIEL3, R$ xx,xx, xx%). O segundo maior banco privado do país, informou  nesta quinta-feira (30) lucro líquido de R$ 4,473 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 18,4% frente a igual período do ano anterior. Já a operadora de cartões de crédito reportou seu balanço do segundo trimestre deste ano com números levemente abaixo do que se esperava. A companhia administradora de cartões fechou o período com lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 869,44 milhões, uma alta de 9% sobre o mesmo período de 2014, mas ficando abaixo dos R$ 893,00 milhões esperado pelo mercado. Porém, o resultado ajustado, incluindo os números da Cateno – joint-ventura com o Banco do Brasil – foi de R$ 936,9 milhões.

Cenário externo
O mercado europeu opera em alta, repercutindo a temporada de divulgação de balanços corporativos referentes ao segundo trimestre de 2015, mas com os investidores ainda concentrados na volatilidade na China, onde as preocupações sobre uma bolha no sistema financeiro cresceram nas últimas semanas. 

Entre os principais resultados apresentados no mercado europeu, ganham destaque os números do Deutsche Bank reportou rendimentos em linha com as expectativas dos analistas ouvidos pela imprensa internacional. Apesar disso, os papéis da companhia subiam 2,5% nesta sessão. Também merece atenção o balanço da Nokia, que apresentou crescimento de 51% em seu lucro na comparação anual, com o lucro operacional marcado alta de 11%. Já a Siemens apresentou balanço superior às projeções e também contribui para o dia de ganhos nas bolsas do continente.

Já na Ásia, a maioria dos índices acionários fechou em queda nesta quinta-feira, em meio à queda dos preços das commodities, mas as perspectivas de crescimento mais forte nos Estados Unidos nos próximos meses fizeram as bolsas da Austrália e do Japão contrariarem a tendência e encerrarem o pregão em alta. A temporada de resultados corporativos começa na semana que vem e a expectativa é que companhias divulguem números decepcionantes na esteira de indicadores econômicos fracos nos últimos meses, particularmente para o comércio.

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Na China, o Politburo, principal órgão de decisão do Partido Comunista, prometeu adotar medidas direcionadas de política para sustentar o crescimento econômico estável, disse a rádio estatal chinesa nesta quinta-feira.