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Ibovespa sobe, mas não convence e fica longe do desempenho das bolsas mundiais

Índice tem alta apesar das quedas de Vale e exportadoras; dólar recua depois de alívio nas negociações da Grécia

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve alta nesta segunda-feira (22), mas perdeu força em relação ao movimento da manhã. As altas de bancos ofuscaram as quedas de Vale e exportadoras. Lá fora, as bolsas internacionais tiveram forte alta depois do envio de proposta da Grécia para os seus credores. Destaque para o índice alemão DAX, que subiu 3,81%. Do lado doméstico, a queda da aprovação da presidente Dilma Rousseff (PT) para 10%, o menor nível de um presidente desde Collor antes do impeachment, gerou tensão política. 

O benchmark da Bolsa brasileira subiu 0,21%, a 53.863 pontos, com um volume financeiro negociado de R$ 4,966 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial fechou em queda de 0,66%, a R$ 3,0799 na compra e a R$ 3,0816 na venda. No mercado de juros futuros o DI para janeiro de 2017 recua 15 pontos-base, para 13,91%, enquanto o DI para janeiro de 2020 tem queda de 17 p.bs. a 12,75%. 

Com o movimento de hoje, o Ibovespa não conseguiu sair da tendência lateral dos últimos pregões. Andando de lado desde o final de maio. Segundo Angelo Larozi, analista da Walpires Corretora, apesar do otimismo com a Grécia, há uma perda do otimismo quando se olha para fatores internos como o cenário político tenso e a piora da economia. “Ainda temos na pauta a Operação Lava Jato, com grandes expectativas em torno da delação premiada do Marcelo Odebrecht”, afirma. Para ele, também impacta o mercado brasileiro os rumores de que o Ministério da Fazenda já se prepara para um possível rebaixamento no rating soberano do Brasil. 

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Teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,35% para uma de 1,45%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 8,97% este ano, ante 8,79% na semana anterior. As previsões da Selic também foram elevadas de 14% para 14,25% ao ano.

Ações em destaque
Do lado positivo, as ações da Marfrig (MRFG3, R$ 5,30, +9,73%) subiram forte nesta segunda depois de notícia de que a companhia venderá a sua subsidiária europeia, a Moy Park, para a JBS (JBSS3, R$ 16,65, +1,15%). O dinheiro da venda deve servir para reduzir o endividamento do frigorífico, que deve cair de 6,1 vezes no múltiplo dívida líquida dividida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 4,7 vezes. O valor da operação foi avaliado em US$ 1,5 bilhão. 

A Ambev (ABEV3, R$ 18,97, +0,37%) também ficou entre os destaques com notícia de que a companhia está em negociações para comprar a Colorado, microcervejaria de Riberão Preto fundada em 1995, segundo a coluna Radar, da Veja. Essa seria a segunda compra de produtora de cervejas artesanais que a maior cervejaria do mundo irá comprar no Brasil desde fevereiro, quando comprou a mineira Wälls. 

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 MRFG3 MARFRIG ON5,30+9,73-13,11
 CMIG4 CEMIG PN13,60+3,98+6,81
 KROT3 KROTON ON12,45+2,22-19,30
 NATU3 NATURA ON28,80+1,95-6,15
 BBAS3 BRASIL ON EJ23,56+1,90+4,66

Embora tenha sido veiculado hoje pela coluna radar, burburinhos sobre a compra da Colorado já vinham sendo aventados pelo mercado há alguns dias. O jornal A Cidade, de Riberão Preto, comunicou, em 12 de junho, que a cervejaria Colorado iria anunciar, em breve, a parceria. Para a coluna, Marcelo Carneiro, dona da empresa, não descartou a negociação, mas afirmou que está “namorando” com outros investidores, não só do ramo cervejeiro.

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,55, +0,28%PETR4, R$ 13,20, +0,23%) amenizaram ganhos da abertura e ficaram próximas à estabilidade. Após o “baque” com a Operação Lava Jato na última sexta-feira, que fez os papéis caírem 2%, a Petrobras foi animada hoje pela perspectiva da divulgação do plano de negócios ainda este mês. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a diretoria da Petrobras correu contra o tempo e conseguiu concluir o plano de negócios para o período de 2015 a 2019 para apresentá-lo na reunião do conselho de administração do dia 26. Aldemir Bendine, presidente da estatal, havia prometido a divulgação neste mês.

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Devolvendo o otimismo da manhã, os bancos tiveram valorização. O Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,49, +0,29%) teve leve alta, ao passo que o Bradesco (BBDC3, R$ 27,69, +1,43%BBDC4, R$ 28,50, +1,06%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,56, +1,90%) subiram. 

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 VALE3VALE ON19,69-3,10-7,15
 OIBR4OI PN6,29-2,93-26,95
 VALE5VALE PNA16,91-2,87-8,60
 SMLE3SMILES ON50,76-1,97+14,33
 FIBR3FIBRIA ON42,03-1,87+30,10

Quem puxou a parte negativa do Ibovespa foi a Vale (VALE3, R$ 19,69, -3,10%VALE5, R$ 16,91, -2,87%), que recuou depois de relatório do Goldman Sachs falando que o minério de ferro ruma de volta a preços abaixo de US$50 por tonelada conforme as produções da Austrália e Brasil aumentam e uma queda nos preços de aço prejudica os lucros das fábricas. A commodity negociada no porto de Qingdao, na China, caiu 2,18%, a US$ 60,02. 

Também do lado negativo ficaram principalmente os papéis de companhias de perfil exportador como Fibria (FIBR3, R$ 42,03, -1,87%) e Suzano (SUZB5, R$ 16,28, 0,00%). Com a receita em dólar, estas empresas sofrem com quedas na cotação da moeda norte-americana. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4ITAUUNIBANCO PN34,49+0,29394,82M
 BBDC4BRADESCO PN28,50+1,06262,99M
 PETR4PETROBRAS PN13,20+0,23257,25M
 VALE5VALE PNA16,91-2,87246,81M
 ABEV3AMBEV S/A ON18,97+0,37195,94M
 BRFS3BRF SA ON68,62+1,12183,72M
 BBSE3BBSEGURIDADE ON34,18+1,06168,28M
 BBAS3BRASIL ON EJ23,56+1,90154,78M
 PETR3PETROBRAS ON14,55+0,28134,35M
 ITSA4ITAUSA PN8,97+0,56129,75M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Cenário externo
Os esforços gregos para evitar o calote sobre a dívida do país durante o final de semana foram bem recebidos pelo mercado internacional nesta segunda com os principais índices acionários mundiais apresentando movimento de valorização. Menos na China, onde os mercados estavam fechados por conta de um feriado, depois de registrarem a maior queda semanal desde 2008 na semana passada.

Terminou nesta manhã a reunião do Eurogrupo, que não conseguiu chegar a um acordo com a Grécia e postergou a decisão para mais tarde esta semana. A proposta enviada pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, teve as medidas, mudanças sobre a incidência de tributos sobre alimentos e setor hoteleiro para aumentar as receitas fiscais, abolir aposentadorias antecipadas gerando uma economia de 200 milhões de euros e também reduzir as pensões complementares mais altas.

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Apesar da aparente euforia, muitos investidores ainda se mostravam cautelosos acerca das propostas do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que envolvem uma flexibilização na questão das aposentadorias. “Hoje supostamente será a última rodada de negociações, então pode haver uma possível surpresa na forma de um acordo com ambos lados vendo os sinais de alerta”, disse o estrategista-chefe de câmbio no Japão do Barclays, Shinichiro Kadota.

Na Europa, apesar de a percepção de um acordo entre Grécia e seus credores ser tida como bastante improvável, os principais benchmarks do continente operam em alta.