Bolsa

Ibovespa sobe mais de 2% com Vale e siderúrgicas; DIs caem após fala do BC

Dados positivos de crédito na China se somam a surpresa nas vendas do varejo por aqui e expectativa de corte na Selic

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta puxado principalmente por Vale e siderúrgicas nesta terça-feira (16). A alta do minério de ferro para seu maior valor desde novembro impulsiona as ações destas empresas. Entre os fatores positivos, as ações chinesas subiram após dados mostrarem uma expansão de crédito maior do que o previsto no país. No cenário doméstico, o mercado fica de olho nas discussões do Congresso em meio a novas notícias sobre CPMF. 

O benchmark da Bolsa brasileira registrou alta de 2,13%, encerrando aos 40.947 pontos, com um volume financeiro de R$ 5,244 bilhões. O dólar comercial fechou o dia com forte alta de 1,86% a R$ 4,0705 na venda e o dólar futuro para março apresentou ganhos de 1,56% a R$ 4,076. 

As bolsas europeias, apesar das boas indicações da China, fecharam em leves quedas. Pressionando o mercado europeu esteve o índice de expectativa da Alemanha, que passou de 10,2 pontos para 1 ponto em fevereiro, o menor nível desde outubro de 2014. O número, contudo, foi acima das expectativas dos economistas, que esperavam uma queda para 0. Segundo analistas da região, a queda na expectativa reflete a piora na perspectiva econômica global. 

Já os índices Dow Jones e S&P 500 registraram ganhos de mais de 1% refletindo o otimismo de ontem, já que as bolsas norte-americanas estavam fechadas no último pregão por conta do feriado de Dia do Presidente. 

A alta da Bolsa, apesar de ser parcialmente explicada pelos dados chineses, parece não ter tanto fundamento quando analisamos o cenário doméstico. Continuamos sofrendo em meio a um processso de impeachment e as notícias falam sobre possibilidade de flexibilização da meta fiscal. Mesmo a possibilidade de um acordo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) parece ter perdido um pouco do apelo inicial, de modo que o petróleo virou para queda em pouco tempo. 

Por isso, para Daniel Ximenes Almeida, trader da Daycoval Investimentos, o movimento hoje se baseia na entrada de fluxo de capital estrangeiro. “Quando o estrangeiro entra ele não olha muito o fundamento aqui. Tem tanta liquidez lá fora que o que estiver barato historicamente ele compra”, diz o trader. A liquidez a que ele se refere é proveniente das políticas monetárias frouxas e dos estímulos em algumas das maiores economias da União Europeia e também no Japão. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu 9 pontos-base a 14,32%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recuou 2 pontos-base a 16,00%. Para analistas, o movimento de forte queda pode encontrar raízes nos dados de vendas do varejo aqui no Brasil, que foram melhores que o esperado, e na fala do diretor do Banco Central, Altamir Lopes, de que o desemprego deve reduzir as taxas de inflação. 

Segundo Cassiano Leme, gestor da Constância Asset, o BC vem dando indicações crescentes de que não tem tanto apetite para um cilo de aperto maior do que o terminou nos atuais 14,25% da Selic. “Acredita-se que a própria queda da atividade econômica tire força da inflação. A leitura que temos é de que aumentou a probabilidade de um ciclo menos intenso”, disse o gestor.

Petróleo
Ao mesmo tempo, quem esperava por um acordo de corte da produção do petróleo se decepcionou: Arábia Saudita, Qatar, Rússia e Venezuela concordaram em congelar suas produções, mas condicionaram o congelamento a que outros países como o Irã também participem dele – o que os persas não querem fazer de jeito nenhum. 
Com a notícia, o barril do WTI (West Texas Intermediate) registrou baixa de 1,22%, a US$ 29,08, enquanto o barril do Brent teve queda de 2,59% a US$ 33,13. 

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Ações em destaque
As ações de siderúrgicas responderam pelas maiores altas nesta terça. Subiram CSN (CSNA3, R$ 4,43, +8,05%), Gerdau (GGBR4, R$ 4,10, +8,18%) e Usiminas (USIM5, R$ 0,94, +4,44%). Apesar da alta hoje, as principais notícias sobre Usiminas são negativas. A companhia precisa de R$ 900 milhões para sobreviver em 2016 e a questão será discutida amanhã, junto com o balanço de 2015, em reunião de acionistas controladores e do conselho de administração, diz Valor Econômico. A companhia renegocia R$ 4,3 bi em dívidas que vencem até 2018.

A Ternium disse que antes de se discutir aumento de capital é necessário um choque de gestão na Usiminas, disse o jornal, citando nota do grupo italiano.

Assim como elas, subiram também os papéis da Vale (VALE3, R$ 11,29, +7,42%; VALE5, R$ 8,26, +6,03%). No radar da companhia, o minério de ferro spot com entrega no porto de Tianjin subiu 1,1% para US$ 46,10. É o maior valor da commodity desde novembro do ano passado. 

Entre os principais destaques do dia também estão as ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,29, -2,18%; PETR4, R$ 4,44, -1,77%) que viram para queda em meio a um relatório nada animador do BTG Pactual desta terça-feira. Para o banco, o valor da ação da estatal vale “zero”, dado o cenário atual de preço do petróleo e apesar do quase monopólio do negócio de refino no Brasil. 

Além disso, no radar da companhia, o Palácio do Planalto deve se manter longe da discussão do projeto apresentado pelo senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobras de ser a operadora única e ter participação mínima de 30 por cento na exploração de todas as áreas do pré-sal, mas admite que pode haver áreas onde a estatal não participe, desde que não haja mudanças no regime de partilha dos royalties, informaram à Reuters duas fontes próximas ao Planalto.

Encontro de Altamir Lopes com economistas
O diretor de política econômica do Banco Central, Altamir Lopes, teria dito a economistas no Rio de Janeiro, segundo o Valor Econômico, que o desemprego está ajudando a conter a inflação de serviços. Hoje, Lopes participa de reunião trimestral com economistas em São Paulo. De acordo com o Globo, a equipe econômica do governo estuda mudar regras para operações compromissadas no BC. 

Vendas no varejo
Na agenda nacional de indicadores saíram as vendas no varejo de dezembro. O dado divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), teve uma queda de 2,7%, ante expectativas de um recuo de 3% de acordo com a mediana das expectativas dos analistas. Isso após um avanço de 1,50% em novembro.

PTB tenta salvar Cunha
O PTB retirou do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que vinha votando contra Cunha. A troca ganha importância quando lembramos que Cunha vinha sendo derrotado no Conselho pela margem de apenas um voto. Hoje, o Conselho de Ética da Câmara se reúne para retomar as discussões em torno do parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) à representação contra o parlamentar. O parecer, que propõe a continuidade das investigações contra Cunha, chegou a ser aprovado no final do ano passado por 11 votos a 9. No entanto, o vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), anulou a votação ao aceitar recurso do deputado Carlos Marun (PMDB-MS). Por fim, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu ontem retirar o sigilo da denúncia na qual o presidente da Câmara dos Deputados é acusado de corrupção na Operação Lava Jato.

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Janot pede arquivamento de ação contra Dilma-Temer
O procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, enviou parecer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo arquivamento de uma das ações em que o PSDB pede a cassação dos mandatos da presidente Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer. Para o procurador, as alegações do partido não demonstram gravidade capaz de autorizar a inelegibilidade de Dilma e Temer. A ação do partido foi protocolada no TSE em outubro de 2014, antes da diplomação da presidente para exercer seu segundo mandato. O PSDB alegou que os mandatos devem ser cassados por supostas irregularidades na campanha eleitoral, como o envio de 4,8 milhões de panfletos pelos Correios sem carimbos de franqueamento, utilização de propaganda em outdoor com projeção de imagens de órgãos públicos, utilização de entrevista de ministros na campanha eleitoral, uso das instalações de uma unidade de saúde em São Paulo em um vídeo da propaganda eleitoral e suposto uso do pronunciamento de Dilma no Dia do Trabalho, em 2014, para fins eleitorais.

CPMF
Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a presidente Dilma Rousseff decidiu acatar o pedido de governadores e prefeitos para repartir os recursos oriundos da CPMF com Estados e municípios. Em reunião com a base aliada do Senado, ela informou que o governo poderá apresentar emenda ao projeto de recriação do tributo elevando a alíquota de 0,20% para 0,38%. A ideia é de que a diferença de 0,18% seja repartida meio a meio a Estados e municípios.

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