Bovespa

Ibovespa sobe mais de 1% pelo 2º dia, embalado pela alta de 8% da Vale, Grécia e China

Reunião de mais de 17 horas culminou na permanência da Grécia na zona do euro, enquanto queda das importações na China foi menor do que o esperado; semana reserva visita da Moody's ao Brasil e PIB chinês

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SÃO PAULO – Estendendo os ganhos de 1,56% da última sessão, o Ibovespa fechou esta segunda-feira (13) com alta de 1,01%, a 53.119 pontos, embalado principalmente pela disparada de até 8% da Vale (VALE3VALE5) e de outras empresas produtoras de commodities metálicas. O otimismo também foi visto nos mercados internacionais, com os investidores digerindo o acordo para manutenção da Grécia na zona do euro e os dados melhores que o esperado da balança comercial chinesa. O volume negociado na Bovespa foi de R$ 5,418 bilhões.

dólar comercial fechou em queda de 1,85%, a R$ 3,1308 na venda, revertendo a forte alta vista durante a manhã, quando chegaram a bater R$ 3,20. O dólar tende a ser o principal alvo dos investidores com a notícia do acordo grego, já que isso aumenta as chances de uma elevação de juros nos Estados Unidos ainda este ano. Contudo, a moeda virou para o negativo sobretudo após o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, dizer que manteve a meta de superávit primário em 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto). 

No cenário externo, o destaque vai para a Grécia que, após mais de 17 horas de reunião, garantiu a reestruturação da dívida e financiamento de médio prazo dentro de um pacote de crescimento avaliado em 35 bilhões de euros em um acordo com seus credores que permitirá ao país permanecer na zona do euro, afirmou nesta segunda-feira o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, em Bruxelas. Apesar da reação positiva dos mercados, é importante ter em mente que a proposta ainda precisa passar por votação dos parlamentos tanto da Grécia quanto da Alemanha.

Para a semana, além da expectativa acerca da aprovação do acordo da Grécia, a agenda doméstica reserva a visita da agência de classificação de risco Moody’s ao Brasil, prevista para quarta-feira (15). No front externo, sairá amanhã às 23h (horário de Brasília) o PIB chinês referente ao 2º trimestre do ano – a expectativa dos analistas é de um crescimento de 6,8%.

Ações em destaque
As ações da Vale (VALE3, R$ 18,50, +8,12%; VALE5, R$ 15,36, +6,59%) fecharam em alta depois do diretor da companhia para ferrosos e estratégia, Peter Poppinga, falar durante evento em São Paulo. Ele disse que a Vale está cortando oferta de minério de baixa qualidade e produção de outras empresas. Poppinga citou ainda uma “provável” sobreoferta de minério em 2016 e que vê crise de abastecimento no mercado de minério coincidindo com a demanda mais fraca. Para o diretor, os custos para China do minério devem cair para US$ 40 a tonelada até o final deste ano e para menos de US$ 35 a tonelada até 2018. A velocidade de depreciação do minério é assustadora, disse. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 10,23, +5,36%), holding que detém participação na Vale. 

Dentre as blue chips fecharam em alta as ações de bancos, que repercutiram a melhora no cenário macroeconômico com o acordo na Grécia. Tiveram alta Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,00, +0,92%) e Bradesco (BBDC3, R$ 27,97 +1,12%; BBDC4, R$ 29,98, +1,83%). 

O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,90, +0,59%) também fechou em alta. A dívida pendurada pelo Tesouro Nacional no BB cresceu 1.692% em dez anos, em termos nominais, destaca relatório da XP Investimentos. Entre o fim de 2005 e o 1T15, o total devido pelo Tesouro ao BB saiu de R$ 919,6 milhões para os atuais R$ 16,4 bilhões. Apenas no governo Dilma, que começou em janeiro de 2011, o avanço desse passivo foi de 182%. Essa forma de “pedalada fiscal” já foi condenada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que, em julgamento realizado em abril, decidiu que o governo federal deveria acertar todos os seus passivos com bancos públicos. Além do BB, o Tesouro também mantém dívidas com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Vale lembrar que as três instituições financeiras possuem quase 23% da carteira teórica Ibovespa.


As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 GOLL4 GOL PN N26,98+15,37-54,0230,31M
 VALE3 VALE ON18,50+8,12-12,76199,44M
 CSNA3 SID NACIONAL ON4,86+7,05-5,9635,06M
 VALE5 VALE PNA15,36+6,59-16,98558,67M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN74,05+6,58-24,22152,75M

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As ações da Gol (GOLL4, R$ 6,98, +15,37%) fecharam em alta e apareceram como a maior alta do Ibovespa, após anunciar na sexta-feira que receberá até US$ 146 milhões vindo do seu controlador, o fundo FIP Volluto e da parceira norte-americana Delta Air Lines. O fundo aplicará até US$ 90 milhões na empresa e a Delta os US$ 56 milhões restantes em um aumento de capital a ser realizado com emissão de novas ações preferenciais da Gol. Os termos do aumento de capital serão divulgados em 14 de julho, afirmou a companhia aérea.

Segundo a Elite Corretora, a notícia é positiva pois libera quase R$ 1,5 bilhão de caixa para a Gol em um momento mais complicado e reforça a aliança com uma empresa importante do setor. 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,27, 0,00%; PETR4, R$ 11,82, +0,25%) chegaram a cair, mas fecharam em alta. Segundo a companhia, a produção de petróleo e gás natural, no Brasil e no exterior, em junho de 2015, foi de 2,746 milhões de barris de óleo equivalente por dia, 0,7% abaixo do volume produzido em maio e 4,3% superior à produção de junho de 2014. Demonstrando a dificuldade da companhia em apresentar crescimento da produção.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 BRKM5BRASKEM PNA12,90-3,01-22,3814,14M
 CIEL3CIELO ON43,44-1,79+26,51241,06M
 HYPE3HYPERMARCAS ON20,79-1,70+24,8653,69M
 LAME4LOJAS AMERIC PN17,87-1,54+4,1038,60M
 CCRO3CCR SA ON15,30-1,48-0,3740,43M

Baixas do dia
A Braskem (BRKM5, R$ 12,90, -3,01%) fechou em queda com a pior perfomance do índice neste pregão, depois de subir 7% na semana passada. Vale lembrar que a empresa está envolvida no escândalo da Operação Lava Jato e já teve queda de 22,38% no acumulado deste ano. Acompanham as quedas, a Cielo (CIEL3, R$ 43,474, -1,79) e a Hypermarcas (HYPE3, R$ 20,79, -1,70%), empresas com características defensivas e que têm acumulado acima dos 24% no ano. 

Dólar

Após um início de pregão volátil, mesmo com a notícia positiva do acordo grego, o dólar comercial perdeu forças e passou a operar com perdas na tarde desta segunda-feira (13). As falas do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, ajudam a amparar a queda da moeda, que fechou com perdas de 0,96%, cotada a R$ 3,1303 na compra e R$ 3,1308 na venda, na mínima do dia.

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No cenário doméstico, Barbosa trouxe otimismo para os investidores após manter a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública deste ano, equivalente a 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) e afirmar que é uma “hipótese factível”. Ele acrescentou, no entanto, que o governo tem avaliado o cenário fiscal e, ao ser questionado se está sendo considerada uma banda para a meta de superávit primário, ele apenas respondeu que o governo vai se pronunciar sobre assuntos fiscais na próxima semana, com a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas.

Moody’s e Focus no radar
Sobre a Moody’s, a maioria dos especialistas avalia que a nota do País será rebaixada, mas continuará com o “selo” de grau de investimento. Conhecida pelo comportamento mais errático do que o das concorrentes Fitch e Standard & Poor’s, a Moody’s deve reduzir a nota do Brasil de “baa2” para “baa3”, nível mais baixo do grau de investimento. A S&P fez o mesmo movimento no ano passado.

Além disso, teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 se manteve em uma retração de 1,5%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,12% este ano.

China: dados melhores que o esperado
A bolsa de Xangai teve sua terceira alta seguida e fechou com alta de 2,41%, também seguindo as notícias do acordo grego. O Nikkei também teve alta, de 1,57%, enquanto o Hang Seng subiu 1,30%.

Os dados da balança comercial da China mostraram que as exportações cresceram 2,8% em junho, enquanto as importações caíram 6,1%. Ambos os dados foram melhores que as expectativas em muito em um sinal de que a demanda global pode estar se recuperando.

Hoje, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang afirmou a especialistas em economia e executivos empresariais em reunião que o país fará ajustes direcionados às suas políticas econômicas de uma maneira mais eficaz e precisa. Li disse também que a China perseguirá uma política fiscal ativa e uma política monetária prudente para apoiar sua economia, a qual ele afirmou estar confiante de que pode sustentar ritmo razoável de crescimento. As declarações foram publicadas no site do governo.

Já no último domingo, o regulador do setor financeiro da China ordenou que corretoras revisem seus negócios e reforcem o cumprimento da regra de que apenas nomes reais com número nacional de identificação sejam usados, no mais recente movimento do governo em busca de uma estabilização dos preços de ações, após uma devastadora queda nas cotações no mês passado.