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Ibovespa tem forte volatilidade em meio à notícia sobre remédio para combater coronavírus; dólar vai a R$ 5,46

Índice brasileiro tem dia volátil e, após chegar a subir mais de 1% na abertura, virou para queda durante a tarde

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SÃO PAULO – As bolsas passaram a ficar voláteis na tarde desta quinta-feira (23) após notícias envolvendo o remédio Remdesivir, da Gilead Sciences. Em um primeiro momento, o Ibovespa virou para queda de 1% e os índices dos Estados Unidos zeraram ganhos de 1,5%.

Em um primeiro momento, pesou no mercado a notícia do Financial Times, citando documentos publicados acidentalmente pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que o Remdesivir não melhorou a condição dos pacientes nem reduziu o patógeno do coronavírus na corrente sanguínea.

Na semana passada, informações de que a empresa estaria registrando bons resultados em seus testes de tratamento fizeram as ações da Gilead dispararem mais de 15%, puxando também as bolsas.

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Os índices, porém, passaram a se recuperar conforme a empresa passou a explicar a informação. No exterior, as bolsas dos EUA voltaram a subir cerca de 1%, enquanto por aqui a Bolsa se manteve perto da estabilidade, com leves perdas.

Em resposta, a Gilead afirmou ao jornal que o documento vazado tinha “caracterizações inadequadas do estudo”. “Os resultados do estudo são inconclusivos, embora as tendências nos dados sugiram um potencial benefício do Remdesivir, principalmente entre pacientes tratados no início da doença”, informou a empresa ao jornal.

Às 14h17 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira registrava queda de 0,21%, aos 80.549 pontos, enquanto o dólar comercial avança 1,10%, cotado a R$ 5,4678 na compra e R$ 5,4688 na venda. Já o dólar futuro para maio sobe 0,04%, a R$ 5,466.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe 7 pontos-base, a 3,32%, enquanto o DI para janeiro de 2023 tem alta de 7 pontos, para 4,36%. O contrato para janeiro de 2025 avança 8 pontos-base a 6,04%.

Entre as commodities, o petróleo volta a subir forte, com o WTI chegando a saltar 30% com a tensão entre EUA-Irã e com sinais de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) poderão aprofundar o corte na sua produção.

Segundo os analistas do Bradesco BBI, a declaração na véspera do presidente Donaldo Trump, autorizando que a Marinha americana abata navios iranianos, deve “fornecer suporte para os preços do petróleo no curto prazo, já que os mercados esperam alguma potencial escalada de conflitos”.

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Também havia otimismo no mercado com a avaliação de que, com os preços do petróleo nas mínimas históricas, os produtores continuarão diminuindo a produção e fechando os poços nos EUA. Os reguladores do estado de Oklahoma disseram que ajudariam os produtores a fechar os poços sem tirar os arrendamentos, o que deu um alívio para eles já que muitos querem diminuir a produção mas correm riscos regulatórios no país caso façam isso.

Enquanto isso, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos na semana passada foi de 4,427 milhões, levemente abaixo da expectativa mediana dos economistas do mercado financeiro compilada no consenso Bloomberg, que apontava para 4,5 milhões de pedidos. Na semana anterior o resultado tinha sido de 5,245 milhões de pedidos.

Na Europa, embora alguns resultados corporativos do primeiro trimestre tenham vindo acima das expectativas, como o do banco Credit Suisse, a Markit publicou que o Índice dos Gestores de Compras (PMI, na sigla em inglês) da Zona do Euro despencou para 13.5 pontos em abril, informa a CNBC. O PMI da Zona do Euro já havia sido bastante negativo em março, quando foi de 29.7 pontos. Qualquer resultado abaixo dos 50 pontos indica retração econômica.

Na França, o PMI Composto tombou para 11.2 pontos em abril, de 28.9 pontos em março – pior resultado desde que a Markit começou a fazer a sondagem, em 1998.

O Credit Suisse obteve um lucro líquido de 1,31 bilhão de francos suíços no primeiro trimestre de 2020, uma expansão de 75% sobre igual período do ano passado. A montadora francesa Renault reportou uma queda de 19,2% nas vendas do primeiro trimestre, mas alertou que é cedo para avaliar os impactos que a epidemia do coronavírus poderá ter no lucro.

Fitch no Brasil e mercado de olho no BC

Nesta quinta, ocorre a abertura da Missão de Avaliação Soberana da Fitch Ratings acontece em reunião entre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Shelly Shetty, chefe da Área de Soberanos para América Latina da Fitch, Todd Martinez, diretor na Área de Soberanos da Fitch; Paulo Moreira Marques e André Duarte Veras, representantes da Secretaria do Tesouro Nacional. A reunião acontece por videoconferência fechada à imprensa às 15h. O Banco Central faz leilões de rolagem de swap cambial a partir das 11h30.

O Banco Central também segue no radar após a elevação das apostas em corte da Selic por conta da mudança no discurso do presidente do BC para um tom mais dovish, o que levou o dólar a R$ 5,41. em meio ao carry trade ainda mais reduzido (veja mais clicando aqui). Além do evento com a Fitch, Campos Neto participa de eventos hoje com o BIS e o Morgan Stanley.

Programa Pró-Brasil

O programa Pró-Brasil de reocupação econômica pós-covid-19, lançado na última quarta-feira terá sua implantação começando em larga escala a partir de outubro. O cronograma de elaboração do programa foi apresentado pelo ministro da Casa Civil, general Braga Neto, apesar das divergências da equipe econômica.

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O ministro disse que o plano tem apoio do ministro Paulo Guedes. Contudo, o Plano pós-crise expõe diferenças entre Economia e Casa Civil. Segundo o Valor Econômico, Guedes demarcou,em reunião com seus colegas de Esplanada, os limites para o plano de investimento em infraestrutura para promover a recuperação da economia: manutenção e respeito ao teto de gastos e incentivo ao investimento com recursos privados.

Enquanto isso, o governo estuda ampliar garantias para estimular empréstimo a empresa com faturamento de até R$ 300 milhões, segundo o jornal O Globo. A proposta para incentivar auxílio a capital de giro e folha de pagamento é reformular fundo do BNDES.

Já o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Salim Mattar, anunciou na quarta-feira o abandono da meta de privatizações e desinvestimentos em 2020 com a mudança de cenário econômico trazida pela pandemia do coronavírus.

Noticiário corporativo

No radar corporativo, a BR Malls retomou a operação de dois dos seus shoppings. A Unidas informou que o seu Conselho aprovou a recompra de até 20,3 milhões em ações. A Totvs aprovou a emissão de R$ 200 milhões em debêntures. CSN, Gerdau, Usiminas têm perspectiva alterada a negativa por S&P.

A Telebras anunciou na noite de ontem que aumentou o seu capital social de R$ 1,54 bilhão para R$ 3,1 bilhões. Segundo a estatal de telecomunicações, foram emitidas 18,1 milhões de novas ações ordinárias e preferenciais. Segundo a empresa, as ações poderão ser comercializadas na B3 a partir de 30 de abril.

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