Ibovespa sobe e renova máxima do ano com Petrobras, bancos e discurso de Levy

Índice fecha no positivo impulsionado por ganhos de Petrobras, com notícia sobre baixa contábil, e recuperação dos bancos; dólar perde força no fim e fica praticamente estável

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SÃO PAULO – O Ibovespa acelerou os ganhos perto do fim do pregão se beneficiando da força de Petrobras e de bancos. Além disso, as falas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em Goiânia, ajudaram a animar o mercado. Levy destacou a importância das medidas fiscais, dizendo que elas tiveram impacto sobre a avaliação das agências de “rating”. Lá fora, injeção de liquidez na Europa continuava a trazer pressão compradora aos índices internacionais. 

O benchmark da Bolsa brasileira encerrou o dia com alta de 0,76%, a 54.214 pontos – fechando a semana com ganhos de 2,05% -, enquanto o dólar comercial teve leve valorização de 0,02%, a R$ 3,0711 na venda, perdendo força no fim do pregão. Com a alta de hoje, o Ibovespa chega a segunda semana seguida de alta e renova seu maior patamar desde 28 de novembro de 2014, quando fechou a 54.724 pontos. 

Para Elad Revi, analista da Spinelli, o Ibovespa hoje anda descolado do bom humor nos mercados acionários mundiais porque há muitas questões pontuais, especialmente nas blue chips, que acabam afetando a Bolsa como um todo devido aos pesos destas ações. “Passados esses fatores pontuais, pode ter um certo ajuste [para cima]. A nossa Bolsa está atrativa e tem muito dinheiro lá fora”, explica Revi.

Ações em destaque
O principal destaque de ações foi novamente a Petrobras (PETR3; PETR4), que tiveram mais um pregão de alta. De acordo com a Folha de S. Paulo, a petroleira estima que o cálculo de perdas com o esquema de corrupção na estatal ficará entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. A conta atinge todos os contratos e aditivos firmados com empresas citadas na Lava Jato. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Petrobras vai separar, no balanço dos terceiro e quarto trimestres do ano passado, as perdas decorrentes do processo de imparidade (reavaliação de seus ativos) e o que está sendo chamado na petroleira de “custo da corrupção”. Na imparidade, o valor inflado dos projetos considerado foi constatado principalmente na área de refino.

Segundo o analista Flávio Conde, o mercado deve aceitar perdas ao redor de R$ 20 bilhões, mas reagiria mal a algo em torno de “apenas” R$ 4-6 bilhões. Em compensação, perdas gigantescas do tipo R$ 88 bilhões também seriam mal recebidas porque fariam “estourar” as métricas de endividamento, provavelmente forçando a uma mega capitalização de curto prazo.

As ações dos bancos Itaú (ITUB4), Itaúsa (ITSA4), Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) sofriam desvalorização no início do pregão, mas viraram para alta. Isso apesar de notícia de possível aumento de imposto de 15% para 17% sobre o lucro, além de corte da recomendação de “outperform” (performance acima da média do mercado) para “market perform” (neutra) pelo Credit Suisse. Para Elad Revi, da Spinelli, hoje os bancos esperavam que a notícia do imposto seja negada ou confirmada. 

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As ações do setor educacional tiveram quedas após relatório. A Kroton (KROT3) teve a sua recomendação elevada de manutenção para compra pelo Santander. A companhia teve o preço-alvo cortado de R$ 15,50 para R$ 14. Estácio (ESTC3) têm recomendação de manutenção com seu preço-alvo elevado de R$ 22,50 para R$ 23,50. Contudo, as ações da Estácio têm uma das maiores baixas do índice, de 1,30%, cotadas a R$ 20,43. 

“Nossa visão sobre o setor de ensino superior tornou-se mais positiva após certa calmaria na atividade regulatória, resultados preliminares relativamente positivos para novas matrículas no 1S15 e a definição de expectativas em níveis mais razoáveis”, segundo relatório de analistas do Santander.

Mundo tem dia de alta
Nos EUA, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operam com alta. O presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, disse que os motivos para o Federal Reserve elevar a taxa de juros dos Estados Unidos em junho continuam “fortes”. Lacker, que há tempos tem pedido um aperto imediato da política monetária, repetiu sua opinião de que os gastos dos consumidores, o mercado de trabalho e outras condições econômicas melhoraram de forma significativa ao longo do último ano.

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De acordo com relatório elaborado pela equipe de análise da XP Investimentos, investidores aguardam o discurso do presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, que pode dar novos sinais sobre o momento do início da normalização da política monetária dos EUA. Alguns investidores acreditam que os dados fracos de payroll divulgados na semana passada foram pontuais, devido ao inverno mais rigoroso e greve em portos.

O principal índice de ações europeias fechou em alta nesta sexta-feira, refletindo nova queda do euro, o que é visto como um suporte à recuperação econômica e aos lucros corporativos da zona do euro. O índice FTSEurofirst 300 das principais ações europeias fechou com alta de 0,94 por cento, aos 1.645 pontos, acumulando 20 por cento de ganho no ano, segundo dados preliminares.

Já na Ásia, índices avançaram, marcando ganhos robustos na semana. O índice Hang Seng de Hong Kong fechou com alta de 1,2 por cento após saltar para máximas de sete anos na sessão anterior por entrada de recursos de investidores da China continental que estão buscando ações mais baratas. A bolsa de Xangai subiu 1,95 por cento.

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O mercado em Tóquio, porém, encerrou com baixa de 0,15 por cento por realização de lucros após ter superado o nível de 20 mil pontos pela primeira vez desde abril de 2000 durante a sessão. O índice acumulou alta de 2,4 por cento na semana.

Os mercados tiveram pouca reação à inflação anual ao consumidor na China, que ficou estável em 1,4 por cento em março enquanto os preços ao produtor caíram ligeiramente menos do que o esperado. Isso manterá pressão sobre as margens de lucro em companhias chinesas conforme Pequim enfrenta dificuldades para estimular o crescimento.

(Com Reuters)

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.