Resumo do mercado

Ibovespa sobe e dólar recua de olho em conversas entre China e EUA

Índice tem dia de recuperação seguindo alívio do mercado externo após forte queda na véspera com guerra comercial

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SÃO PAULO – O Ibovespa segue o dia de recuperação das bolsas americanas e registra alta nesta terça-feira (14), tentando se recuperar do forte tombo da véspera em meio à tensão sobre a guerra comercial entre China e EUA. Apesar da falta de um acordo, o presidente Donald Trump aliviou um pouco o clima ao afirmar que espera uma solução em três ou quatro semanas.

Às 10h40 (horário de Brasília), o principal índice da B3 registrava alta de 0,60%, aos 92.285 pontos, ao passo que o dólar comercial tinha leve alta de 0,10%, cotado a R$ 3,9832 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em junho recuava 0,37%, para R$ 3,989. Em Wall Street, os três índices têm ganhos de mais de 0,5%.

Ontem à noite, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) formalizou a proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos chineses importados pelo país que ainda não sofreram barreiras pelos americanos.

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O montante é de aproximadamente US$ 300 bilhões em produtos chineses que serão tarifados caso o USTR siga adiante com o procedimento. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não está preocupado com a recente retaliação da China, que decidiu impor tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos.

Ainda sobre a guerra comercial, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, afirmou que Washington ainda está em um processo de negociação comercial com Pequim e disse que a equipe americana está trabalhando para ver quando irá à China para dar prosseguimento às conversas entre os dois países.

Entre as commodities, destaque ainda para o petróleo, que sobe 1,5% com notícias de um ataque de drone em estações de bombeamento de petróleo na Arábia Saudita. O incidente é um “ato de terrorismo”, disse o ministro da Energia árabe, Khalid al-Falih, descrevendo os ataques em duas estações perto de Riyadh.

Destaques de ações
A Eletrobras apresentou um lucro líquido de R$ 1,347 bilhão no primeiro trimestre deste ano, cifra 178% superior a registrada no mesmo intervalo de 2018. O Ebitda registrou uma alta de 15%, para R$ 2,937 bilhões. A empresa informou que o impacto da provisão para o plano de demissão consensual somou R$ 170 milhões, enquanto provisões para outras contingências somaram R$ 293 milhões. A receita líquida cresceu 6%, para R$ 6,452 bilhões.

A JBS registrou um lucro líquido de R$ 1,092 bilhão no primeiro trimestre deste ano, alta de 115,7% na comparação anual. O Ebitda teve alta de 14,4% em um ano, para R$ 3,191 bilhões. A receita líquida da JBS entre janeiro e março somou R$ 44,37 bilhões, avanço de 11,5% na comparação anual, e queda de 6,2% na trimestral.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 ELET3 ELETROBRAS ON31,25+3,82+28,9711,48M
 ELET6 ELETROBRAS PNB33,15+3,14+17,6812,06M
 CSNA3 SID NACIONALON ED14,14+3,14+67,8225,58M
 JBSS3 JBS ON20,28+2,74+75,0025,32M
 CVCB3 CVC BRASIL ON50,46+1,94-17,488,00M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 HYPE3 HYPERA ON28,85-1,03-3,502,38M
 SMLS3 SMILES ON42,51-0,91+4,302,50M
 AZUL4 AZUL PN N236,29-0,85+0,8124,16M
 EGIE3 ENGIE BRASILON ED42,02-0,76+27,541,98M
 NATU3 NATURA ON51,55-0,67+15,195,31M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Ata do Copom
O Banco Central afirma que indicadores sugerem uma “probabilidade relevante” de que a economia brasileira tenha recuado no primeiro trimestre, segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça.

A autoridade monetária aponta que “o processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, mas o cenário básico contempla sua retomada adiante”.

A ata diz ainda que indicadores do primeiro trimestre induziram a “revisões substantivas” nas projeções para PIB de 2019 na pesquisa Focus e que “essas revisões refletem um primeiro trimestre aquém do esperado, com implicações para o ‘carregamento estatístico’, mas também embutem alguma redução do ritmo de crescimento previsto para os próximos trimestres”.

Neste cenário, o documento afirma que os membros do comitê debateram a conveniência de não mais repetir a mensagem sobre “conduzir a política monetária com cautela, serenidade e perseverança” em sua comunicação, “posto que se trata de questão principiológica que já deveria estar bem assimilada”.

Os membros do Copom, portanto, concordaram em excluir essa mensagem a partir da próxima reunião, “com o entendimento que isso não deveria ser interpretado como mudança de sua forma de condução da política monetária”.

Mesmo assim, o BC reiterou que “a melhor forma de manter a trajetória da inflação em direção às metas, diante de incertezas quanto aos cenários econômicos, é conduzir a política monetária com cautela, serenidade e perseverança”.

Noticiário Político

No noticiário político, o destaque a possibilidade de perda de validade da medida provisória que reestruturou a Esplanada dos Ministérios, que poderá ter um efeito maior do que o inicialmente previsto pelo Planalto.

Segundo o Estadão, a equipe jurídica da Casa Civil considera a possibilidade de o governo ter de voltar à configuração dos governos do PT e recriar até dez ministérios. No Congresso, porém, o entendimento que tem mais força é que o governo voltaria a ter a estrutura do final do governo Michel Temer, com 29 pastas.

A reforma administrativa precisa ser avaliada pelos plenários da Câmara e do Senado até o dia 3 de junho, sob o risco de a medida provisória perder os efeitos após essa data. A assessoria jurídica da Casa Civil considera pelo menos três cenários em caso de a MP caducar. Um deles seria voltar à estrutura do final do governo Temer. Isso porque a medida assinada por Bolsonaro revoga uma lei que reorganizou o governo do emedebista e foi sancionada em novembro de 2017.

Após quebrar o sigilo do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou que o senador tem direcionado seus esforços para tentar interromper investigações sobre movimentações financeiras atípicas em seu gabinete de deputado estadual no Rio e se recusa a prestar esclarecimentos aos procuradores embora já tenha sido convidado diversas vezes. A resposta do MP foi resposta a uma entrevista de Bolsonaro, em que afirma que “há grande intenção de alguns do Ministério Público de me sacanear, de mais uma vez colocar em evidências coisas que não fiz”.

Em acordo de colaboração premiada homologado pela Justiça Federal do Distrito Federal, um dos donos da Gol Linhas Aéreas, Henrique Constantino, afirmou ter ouvido pedido de propina de Michel Temer, então vice-presidente, e dos deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (MDB-RN). O pedido, segundo Constantino, feito em reunião em Brasília em junho de 2012, foi de R$ 10 milhões em troca da atuação do grupo para atender a interesses de companhias ligadas ao empresário em questões envolvendo a Caixa Econômica Federal.

Segundo um dos anexos da colaboração premiada de Constantino, a que o Estadão teve acesso, a negociação foi iniciada com o operador Lucio Funaro, ligado a Cunha e o MDB. Os pagamentos, afirma, foram efetuados, em parte, para a campanha de Gabriel Chalita, então integrante do MDB, à Prefeitura de São Paulo, e em outra parte para empresas indicadas por Funaro, como Viscaya e Dallas.

Noticiário Econômico

A Folha destaca que a equipe do econômica prepara um ajuste na projeção de crescimento do PIB deste ano, para algo entre 1,5% e 2% este ano. Junto com isso, o governo deverá propor um bloqueio adicional de R$ 10 bilhões na próxima revisão orçamentária. No início do mês, o governo havia bloqueado quase R$ 30 bilhões, reduzindo a previsão do PIB de 2,5% para 2,2%. Com a nova alteração do PIB, técnicos estimam que a arrecadação recuo entre R$ 7 bilhões e R$ 20 bilhões, sem receitas extraordinárias.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, vai levar ao presidente da China, Xi Jinping, na próxima semana, uma “mensagem política” do presidente Jair Bolsonaro. Segundo Mourão, o objetivo é reforçar “a parceria estratégica do Brasil e da China”. A viagem ocorrerá em meio à tensão gerada pela guerra comercial entre China e Estados Unidos.

Enquanto isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, debaterá o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020 nesta terça-feira, em audiência pública às 14 horas na Comissão Mista de Orçamento (CMO). Integrantes do colegiado devem questionar o ministro sobre o bloqueio de 30% nas verbas de custeio das universidades e institutos federais.

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