Comentário diário

Ibovespa sobe com disparada da Petrobras e apostas de manutenção dos juros nos EUA

Dados abaixo do esperado nos EUA e falas de Temer também ficam no radar na Bovespa

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (20), em parte seguindo o desempenho das bolsas internacionais no primeiro dia da tão esperada reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que decidirá amanhã a taxa de juros dos Estados Unidos. Por aqui, fica no radar a divulgação do plano estratégico da Petrobras (PETR3; PETR4) para o período de 2017 a 2021, que mostrou redução de 25% nos investimentos. No noticiário político, o presidente Michel Temer falou sobre o impeachment em discurso na ONU (Organização das Nações Unidas). Por fim, a sessão da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2017 foi adiada novamente hoje. 

Às 14h40 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 0,61%, a 57.699 pontos. Já o dólar comercial recua 0,59% a R$ 3,2590 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro apresenta baixa de 0,47% a R$ 3,270. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 opera em queda de 6 pontos-base a 12,48%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra perdas de 2 pontos-base a 12,04%. 

Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, os dados mais baixos dos EUA divulgados hoje não vão exercer influência sobre a decisão do Fed amanhã. “Provavelmente deve ter manutenção de juros nos EUA. Vamos ter mais 2 reuniões até o fim do ano”, afirma. Para ele, o comunicado, até pelos números mais fracos dos últimos dias, deve pedir cautela. Além disso, ele credita ao plano de negócios da Petrobras uma parte da animação neste pregão, mas ressalva que a empresa não disse nada muito novo. 

Entre as commodities, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) vira para alta de 0,39% a US$ 43,47 o barril, enquanto o barril do Brent mostra perdas de 0,22% a US$ 46,32. Já o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 0,16% a US$ 55,77 a tonelada seca.

LDO
Por falta de quórum, a sessão conjunta do Congresso Nacional (Câmara e Senado) desta terça foi encerrada sem a conclusão da votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 (PLN 2/16). A LDO seria votada logo após a liberação da pauta do Congresso, trancada por sete vetos presidenciais. O texto principal da LDO foi aprovado no dia 24 de agosto, mas deputados e senadores ainda precisam analisar três destaques.

A falta de quórum foi motivada pela realização de uma sessão do Senado no mesmo horário (11h) e pelo fato de alguns deputados deixarem de marcar presença em protesto contra a inclusão ontem, na pauta da terceira sessão extraordinária da Câmara, do Projeto de Lei (PL) 1210/07.

Ações em destaque
A Petrobras (PETR3, R$ 15,16, +1,81%; PETR4, R$ 13,46, +3,14%) sobe após divulgar o seu plano estratégico 2017-2021 em comunicado ao mercado nesta terça, afirmando que a carteira de investimentos do Plano prioriza projetos de exploração e produção de petróleo no Brasil, com ênfase em águas profundas.

Nas demais áreas de negócios, os investimentos destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e à projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás natural. Os investimentos totais foram reduzidos em 25% quando comparados à última revisão do Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, divulgada em janeiro de 2016, passando de US$ 98 bilhões para US$ 74 bilhões.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 PETR4 PETROBRAS PN13,46+3,14+100,90526,97M
 SMLE3 SMILES ON52,66+2,83+62,4015,16M
 CSAN3 COSAN ON36,61+2,64+52,8141,63M
 CPLE6 COPEL PNB34,12+2,52+46,609,91M
 QUAL3 QUALICORP ON20,37+2,46+52,3017,17M

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Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes sobem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,27, +0,11%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,87, +0,65%; BBDC4, R$ 28,42, +0,64%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,41, +1,82%) recuam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 RUMO3RUMO LOG ON6,30-4,26+0,96102,30M
 SUZB5SUZANO PAPELPNA9,97-2,73-45,5033,96M
 FIBR3FIBRIA ON22,87-2,68-55,15113,44M
 GOAU4GERDAU MET PN3,62-2,43+118,0752,09M
 MRFG3MARFRIG ON5,16-1,90-18,748,51M

 

Entre as quedas estavam as exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 22,87, -2,68%) e Suzano (SUZB5, R$ 9,97, -2,73%) operam em fortes quedas por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

Fomc
As apostas de aumento de juros já nesta reunião do Fomc são extremamente baixas, de modo que o mercado em geral espera manutenção das taxas na banda entre 0,25% e 0,5%. A expectativa é de que a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, sinalize um aumento de juros em dezembro. Uma mensagem mais “dovish” (moderada, no sentido de cortar juros), fará os investidores moverem as suas apostas para 2017.  

Dados dos EUA
No primeiro dia de reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que fará amanhã o anúncio de taxa de juros, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou que o número de novas casas construídas no país foi de 1,142 milhão em agosto, abaixo da expectativa mediana dos economistas, que era de construção de 1,186 milhão. O número de de autorizações para a construção de imóveis nos EUA, também decepcionou, ficando em 1,139 milhão, contra 1,160 milhão esperados. 

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Agenda de Temer
O presidente Michel Temer proferiu, na manhã desta terça, o discurso de abertura da 71ª Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Nela o peemedebista fez referência ao impeachment de Dilma Rousseff — que culminou em sua efetivação na Presidência da República — como um “longo processo” que “transcorreu dentro do mais absoluto respeito constitucional”. Ele defendeu que o momento é de virar a página e que o Brasil já começa a recuperar a confiança dos mais diversos atores econômicos globais. O presidente destacou que a meta é a busca de responsabilidade fiscal e social.

“O Brasil traz às Nações Unidas sua vocação de abertura ao mundo. Somos um país que se constrói pela força da diversidade. Acreditamos no poder do diálogo. Defendemos com afinco os princípios que regem esta Organização. Princípios que são, hoje, mais necessários do que nunca”, iniciou Michel Temer. Ao longo do discurso que durou 20 minutos, o peemedebista criticou protecionismos econômicos e o isolacionismo frente à globalização. Ultranacionalismo, crises políticas e a dificuldade de o sistema internacional aos novos tempos também estiveram presentes na fala do presidente. “O mundo apresenta marcas de incerteza e instabilidade. O sistema internacional experimenta um déficit de ordem. A realidade andou mais depressa que nossa capacidade coletiva de lidar com ela”, afirmou.