Mercados

Ibovespa chega aos 108 mil pontos puxado por Petrobras e Vale após balanços, mas ameniza com Ambev; dólar cai

Em dia de agenda esvaziada, investidores monitoram noticiário corporativo e ida de Bolsonaro à China

Gráfico de cotações de ações (Crédito: Shutterstock)
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SÃO PAULO –  Em dia de agenda esvaziada, mas com os investidores já de olho nos eventos da próxima semana, o Ibovespa tem uma sessão de ganhos, enquanto o dólar tem nova baixa. Nesta sessão, os investidores repercutem principalmente a temporada de balanços, com destaque para blue chips como Petrobras, Vale e Ambev. As duas primeiras registram fortes ganhos, mas a ação da Ambev despenca.

A queda dos papéis da fabricante de cervejas havia limitado maiores ganhos do índice na abertura. Porém, logo na primeira hora do pregão, o Ibovespa passou a ganhar forças com bancos, além de uma alta mais expressiva dos papéis de Petrobras e Vale, fazendo com que o índice chegasse aos 108 mil pontos e renovasse máxima histórica intradiária. Assim, às 11h13 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,50%, a 107.516 pontos, enquanto o dólar comercial caía 0,78% no mesmo horário, a R$ 4,0117 na compra e 4,0135 na venda.

Já os juros futuros caem com os investidores já atentos à reunião do Copom na próxima quarta-feira (30).  O contrato de juros com vencimento em janeiro de 2021 tinha baixa de 5 pontos-base, a 4,43%, enquanto os de vencimento em janeiro de 2023 tinha queda de 6 pontos-base, a 5,43%.

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Os números da Petrobras (PETR3;PETR4) foram considerados positivos, guiando os ganhos de quase 4% dos ativos. “Em um trimestre em que preços de petróleo foram em média 9,5% menores em relação ao período anterior, a empresa demonstrou resiliência, com geração de caixa em patamares saudáveis e redução do endividamento”, aponta o analista Gabriel Fonseca, da XP Investimentos.

Por outro lado, os números da Ambev (ABEV3) decepcionaram o mercado, fazendo as ações caírem cerca de 7%, principalmente por conta da queda de 2,8% das vendas de cerveja no Brasil. Já os números da Vale (VALE3) foram considerados fortes, com destaque para a geração de caixa da companhia, levando a uma alta de cerca de 3% dos ativos.

Enquanto isso, o noticiário político também é movimentado, com destaque para a visita do presidente Jair Bolsonaro à China. A China afirmou que Bolsonaro e o primeiro-ministro chinês Xi Jinping tiveram uma reunião amistosa e que os dois lados veem um grande potencial nas relações comerciais e se expandirão em áreas como agricultura e indústria. O brasileiro ainda convidou os chineses a participar dos maciços leilões de campos de petróleo agendados para 6 de novembro.

Já a China apontou que está disposta a aumentar as importações de produtos agrícolas e industriais do Brasil para melhorar o comércio bilateral, segundo destacou o vice-premiê chinês, Hu Chunhua. A visão é de que o dinheiro estrangeiro potencialmente entrando no país para pagar pelos campos pode ajudar a valorizar a moeda após vários meses de perdas ligadas a perspectivas de baixas taxas de juros.

Balanços  também são destaque no exterior

No exterior, os resultados corporativos também movimentam os mercados, com destaque para Amazon e InBev, que decepcionaram. Além da cautela, por conta da safra de balanços, seguem as preocupações quanto ao Brexit. Segundo a CNBC, os lideres da União Europeia podem esperar até a semana que vem para tomar uma decisão sobre a extensão do Brexit, enquanto o premiê britânico Boris Johnson busca apoio para eleições gerais em 12 de dezembro.

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Atenção ainda para as definições políticas na América Latina. O jornal Folha de S.Paulo traz que o governo já avalia uma eventual saída do Brasil do Mercosul, que, segundo estudos preliminares da CNI, poderia gerar uma perda de 2,4 milhões de empregos e R$ 52 bilhões de massa salarial. Segundo a publicação, no centro do debate está a resistência argentina a uma política de limitação da Tarifa de Exportação Comum (TEC).

No entanto, uma eventual vitória da esquerda no domingo, com a chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner sendo eleita no país vizinho, gera um desalinhamento com o governo do presidente Jair Bolsonaro, que defendeu publicamente o atual presidente e vice-líder nas pesquisas, Maurício Macri.

Noticiário Corporativo

A temporada de resultados passou a ganhar força com a divulgação de resultados de blue chips. A Petrobras teve um lucro líquido de R$ 9,087 bilhões no terceiro trimestre de 2019 – uma alta de 36,8% ante o mesmo período do ano passado, quando teve lucro de R$ 6,644 bilhões. O resultado ficou acima da média das projeções compiladas pela Bloomberg, que apontava para lucro de R$ 8,410 bilhões. Sobre o segundo trimestre, houve uma queda de quase 52% no lucro, que foi de R$ 18,8 bilhões. Essa diferença se deu porque entre abril e junho houve um grande impacto da venda da TAG sobre os números da empresa.

Já a Vale encerrou o terceiro trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 6,461 bilhões. O valor é 15,2% maior do que o ganho de R$ 5,608 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Com o desempenho, a empresa também reverteu o prejuízo líquido de R$ 418 milhões obtido no segundo trimestre de 2019. Já o lucro operacional da mineradora bateu R$ 14,382 bilhões entre julho e setembro deste ano, contra R$ 12,962 bilhões registrados no mesmo período de 2018 e R$ 7,137 bilhões no segundo trimestre de 2019.

A Ambev divulgou lucro líquido ajustado de R$ 2,441 bilhões, cifra 15,8% inferior. No Brasil, o volume de vendas de cervejas recuou 2,8%, após ajuste de preços e um cenário competitivo potencializado por descontos realizados pela concorrência. Esses fatores ajudaram no tombo das ações da InBev na Europa.

Lojas Renner teve lucro de R$ 189,3 milhões – inferior às projeções. Já a Usiminas teve um prejuízo de R$ 139 milhões no mesmo período.

Além dos balanços, atenção para o banco mineiro BMG e a varejista de moda C&A, que precificaram suas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no piso da faixa indicativa dos coordenadores. A operação do BMG movimentou R$ 1,6 bilhão, sendo R$ 1,2 bilhão da oferta primária — recursos novos, cujo montante vai para o caixa da companhia — e R$ 400 milhões na oferta secundária. A faixa indicativa do IPO do BMG foi definida entre R$ 11,60 — valor da precificação — e R$ 13,40 por ação.

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Já o IPO da C&A saiu a R$ 16,50 por ação, também no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 20. As ações da varejista começam a ser negociadas na B3 no dia 28, com o código CEAB3. Tanto a tranche primária quanto a secundária movimentaram R$ 813,7 milhões cada, totalizando R$ 1,63 bilhão.

(Com Agência Estado, Agência Brasil, Agência Senado, Agência STF e Bloomberg)

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