Bolsa

Ibovespa sobe com alívio após fala de Trump sobre China e em meio a otimismo por recuperação global; dólar cai a R$ 5,17

Mercado tem dia de ganhos com um fator de risco a menos no noticiário internacional

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (23) após o presidente americano Donald Trump afirmar que “o acordo comercial com a China está totalmente intacto”. A declaração foi dada após os comentários de Peter Navarro, consultor comercial da Casa Branca, terem dado a entender o contrário, alimentando temores por parte dos investidores. Lá fora, o mercado também reflete sinais de recuperação da economia global.

No Brasil, a Polícia Federal faz operação para encontrar Márcia Oliveira de Aguiar, a esposa de Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Márcia é acusada de participar com Queiroz do esquema da “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela tem prisão decretada e está foragida.

Hoje também foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, o Banco Central reiterou que eventual ajuste futuro na Selic (a taxa básica de juros) será apenas “residual”. “Neste momento, o Comitê considera que a magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia da Covid-19.”

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Às 12h53 (horário de Brasília) o Ibovespa tinha alta de 1,45% a 96.682 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial cai 1,99% a R$ 5,1648 na compra e a R$ 5,1668 na venda. Já o dólar futuro para julho opera em queda de 1,6% a R$ 5,172.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai quatro pontos-base a 3,01%, o DI para janeiro de 2023 tem queda de quatro pontos-base a 4,13% e o DI para janeiro de 2025 recua oito pontos-base a 5,82%.

Apesar do bom humor entre os investidores nesta terça-feira, segue no radar o avanço dos casos da Covid-19 pelo mundo e os efeitos da pandemia na atividade econômica. Há o receio que uma segunda onda de contágio atrase a retomada do crescimento global. O coronavírus já infectou 9,2 milhões de pessoas no mundo e o número de mortes já chega a quase 475 mil.

Ata do Copom

Em relatório, a equipe de análise do Bradesco destaca que a ata foi compatível com a visão de que é necessária cautela para os próximos passos da política monetária.

“O BC reconhece que, depois de a atividade econômica ter atingido o seu menor patamar em abril, a recuperação em maio e junho tem sido “apenas parcial”, com “queda forte” do PIB na primeira metade do ano e recuperação gradual a partir do terceiro trimestre”, escrevem os analistas.

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Dentro deste cenário, os programas governamentais de expansão do crédito e recomposição de renda devem mitigar os impactos da crise na demanda agregada e gerar efeitos inflacionários leves.

Um ponto importante é que não há um limite para o quanto pode cair a Selic, mas o “espaço remanescente” é incerto e “deve ser pequeno”, pois as taxas já estão em patamares muito baixos.

“Com essa ata, a porta para um corte adicional de juros segue aberta, mas nossa avaliação, por ora, é que o cenário base até o próximo Copom – que prevê alguma aceleração da atividade e da inflação – devem fazer com que ele mantenha a Selic em 2,25%”, concluem os analistas do Bradesco.

Efeito da pandemia no PIB

A agência de classificação de risco Moody’s reduziu as perspectivas econômicas para o Brasil em 2020, alertando que a recuperação do Brasil pode ser afetada pelas incertezas em torno da capacidade do país em controlar a pandemia.

A Moody’s espera que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma retração de 6,2% neste ano, ante avaliação anterior de uma queda de 5,2%.

Para 2021, a projeção foi revisada de um crescimento de 3,3% para expansão de 3,6%, mas mais em função do nível de recuo que o Brasil deve sofrer neste ano.

A nota do risco de crédito soberano do Brasil na Moody’s é de “Ba2”, abaixo do nível de grau de investimento. A perspectiva para a nota está “estável”.

O Brasil conta com 1,1 milhão de infectados por coronavírus e 51.271 mortes confirmadas pela doença, segundo dados do Ministério da Saúde.

Eleições

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, propôs que a campanha para as eleições municipais deste ano seja mais longa, com segundo turno realizado em dezembro.

Nesta terça-feira, os senadores devem votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do adiamento das eleições municipais por causa da pandemia do novo coronavírus.

O calendário oficial estabelece o primeiro e o segundo turnos, respectivamente, nos dias 4 e 25 de outubro. Há um acordo para o primeiro turno ocorrer mais tarde, em 15 de novembro. A dúvida seria o segundo: em 29 de novembro ou 6 de dezembro, segundo o jornal “Folha de S. Paulo“.

Panorama corporativo

Aproveitando o apetite de mercado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quer voltar a vender a fatia que possui em algumas empresas, como a Suzano, segundo reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo).

O movimento ocorre no momento em que o banco de fomento precisa se preparar para socorrer as áreas, o que poderá ser feito por meio de participações no capital dessas empresas, que tentam sobreviver em meio à crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

Ainda sobre oferta de ações, o Grupo Kallas quer retomar o seu processo de abertura do capital (IPO, na sigla em inglês) e levantar R$ 2 bilhões, segundo o Estadão.

E a empresa de entretenimento Time for Fun (T4F) anunciou que irá propor a redução do número de cadeiras na próxima reunião do Conselho de Administração, que ocorre em 22 de julho.

A medida está dentro do conjunto das ações tomadas para a redução de custos e ocorre na esteira do pedido de renúncia dos conselheiros Luciano Nogueira Neto, Maurizio de Franciscis e Guilherme Affonso Ferreira.

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