Ibovespa sobe 7,4% em janeiro e encerra sequência de dois meses de queda; dólar cai 3%

Presidente do BC sinaliza que autoridade monetária pode fazer pausa em rolagem de swap e faz dólar subir, enquanto Ibovespa teve recuperação após despencar na segunda-feira

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SÃO PAULO – Após registrar seu pior pregão no ano, o Ibovespa voltou a subir nesta terça-feira (31), se descolando do cenário visto nos índices dos principais mercados mundiais, que recuaram de olho nas medidas tomadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Com isso, o Ibovespa fechou com ganhos de 0,57%, aos 64.669 pontos, encerrando janeiro com alta de 7,38%, após dois meses seguidos de perdas. O volume financeiro nesta terça ficou em R$ 6,422 bilhões.

Janeiro começou com bastante otimismo no mercado brasileiro, que avançou forte logo nos primeiros dias do ano puxado por uma grande expectativa de fluxo de capital no país, aliado com o ambiente tranquilo na política doméstica e ainda sem sinais mais fortes do que Donald Trump iria fazer ao assumir a presidência. Na última sexta-feira, o Ibovespa completou cinco semanas seguidas de valorização.

Trump acabou sendo o principal evento do mês, com destaque para sua primeira coletiva de imprensa e a posse oficial. Porém, em ambos os casos, o republicano manteve um tom mais calmo em relação ao que usava em sua campanha. No caso do Brasil, as notícias de novas captações por empresas trouxeram ainda mais ânimo, ajudando não só a Bolsa a subir, como levou o dólar para níveis próximos de R$ 3,10. A mudança ocorreu nos últimos dias, com as primeiras medidas mais fortes de Trump, como a restrição de imigrantes, o que está derrubando os mercados pelo mundo.

O pregão desta terça-feira
No radar internacional desta terça, além de uma série de indicadores macroeconômicos divulgados, ganhou força o clima de incertezas em meio às políticas implementadas por Trump, que nesta madrugada demitiu a secretária de Justiça interina dos EUA, Sally Yates, após pronunciamento e orientação ao Departamento de Justiça não atuar em defesa das ordens executivas sobre imigrantes e refugiados. No Brasil, destaque para os desdobramentos da prisão de Eike Batista, a homologação das delações de executivos da Odebrecht e as expectativas pela designação do novo relator responsável pela operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal).

O dólar, por sua vez, também registrou alta após seguidas sessões de queda. O contrato de dólar futuro com vencimento em março teve alta de 0,02%, a R$ 3,127, enquanto o dólar comercial fechou com valorização de 0,75%, a R$ 3,1510 na venda. O principal fator para a alta da moeda nesta sessão foi a fala do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Em evento realizado pelo Credit Suisse em São Paulo, Ilan sinalizou que pode rolar apenas parcialmente ou simplesmente não rolar os contratos de swap cambial – equivalentes à venda de dólar – que vencem em março. Dados do site da instituição mostram que os contratos que vencerão em março somam US$ 6,954 bilhões. Ele afirmou ainda que a redução no estoque de swaps cambiais traz mais conforto para o BC, mas que “isso não significa que não podemos voltar a diminuir os estoques” no futuro. Apesar da alta hoje, a moeda americana fechou o mês com queda de 3% ante o real. 

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“O teste do nível de R$ 3,10 para o dólar pode ter levado presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, a fazer os comentários nesse sentido”, disse o BBH em relatório enviado a clientes. A declaração sugere, claramente, que o governo está preocupado com a força do real, segundo o banco. Uma resposta mais contundente aos ganhos em curso do real seria o leilão de swaps reversos, segundo o relatório, pois têm o mesmo efeito de diminuir a oferta de dólar, o que tenderia a empurrar para cima a cotação da moeda americana sobre o real, 

Já os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 fecharam em queda de 7 pontos-base, a 10,89%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 caíram 2 pontos-base, a 10,68%. Do lado das commodities, os barris de petróleo WTI e Brent tiveram altas de 0,27% e 0,42%, a US$ 52,78 e US$ 55,55. Contribuiu para tal movimento a notícia de que a produção dos países-membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) caiu em mais de 1 milhão de barris neste mês. 

Destaques da Bolsa
Dividindo os maiores ganhos e perdas do Ibovespa, ficaram as duas empresas que divulgaram resultados entre ontem à noite e esta manhã: enquanto Fibria (FIBR3) teve queda de quase 7%, após reverter lucro de R$ 910 milhões no 4° trimestre de 2015 em prejuízo líquido de R$ 92 milhões no ano passado, as ações da Cielo (CIEL3) subiram até 2,2%, após o balanço, mas viraram para queda e tiveram baixa de mais de 1%.

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Chamaram atenção hoje também as ações da Cemig, que dispararam até 7,72% em meio a rumores sobre privatização da empresa. A Light também pegou carona no movimento e avançou 4,29% na máxima do dia.

Do lado da Petrobras, destaque para a realização de assembleia geral extraordinária para os acionistas deliberarem sobre a venda da Liquigás, da Companhia Petroquímica de Pernambuco (Petroquímica Suape) e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe). Contudo, a estatal informou hoje que foi intimada da decisão da 2ª Vara da Justiça Federal de Sergipe que concedeu liminar, em ação popular, determinando a suspensão da alienação das ações de Suape e Citepe. A Petrobras disse que “está tomando as medidas judiciais cabíveis em prol dos seus interesses e de seus investidores”.

Atenção também para a notícia do Valor Econômico de que, quatro meses após iniciar as negociações salariais com os petroleiros, a estatal está mais próxima de chegar a um acordo com a categoria. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) disse ontem que os 13 sindicatos associados à entidade aprovaram, em assembleias, a última proposta apresentada pela estatal, que ofereceu um reajuste de 8,57%, retroativo a setembro. Petrobras e a BP Energy pediram análise de operação de cessão de direitos e obrigações para exploração e produção de petróleo e derivados, segundo edital de divulgação de ato protocolado no Cade publicado no Diário Oficial.

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As maiores altas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRML3 BR MALLS PARON 14,67 +7,71 +22,76 113,81M
 CMIG4 CEMIG PN 9,14 +6,90 +18,55 101,70M
 USIM5 USIMINAS PNA 5,25 +4,37 +28,05 108,73M
 MRVE3 MRV ON 12,76 +4,16 +16,64 54,19M
 CPLE6 COPEL PNB 32,15 +3,81 +17,51 18,40M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 FIBR3 FIBRIA ON 29,37 -7,06 -7,90 120,75M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 13,40 -3,74 -5,63 61,93M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 15,90 -3,05 +0,63 15,98M
 KROT3 KROTON ON 13,51 -2,81 +1,35 84,78M
 NATU3 NATURA ON 25,27 -2,28 +9,77 34,24M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 C?digo Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,02 +1,21 466,45M 465,02M 37.108 
 VALE5 VALE PNA 30,55 +0,36 423,28M 614,08M 19.469 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 37,24 0,00 418,92M 338,95M 17.892 
 CIEL3 CIELO ON 26,49 -0,86 335,15M 188,61M 23.641 
 BBDC4 BRADESCO PN 32,70 +1,05 190,40M 240,90M 13.535 
 ITSA4 ITAUSA PN 9,28 +1,20 190,05M 106,29M 65.622 
 BBAS3 BRASIL ON 31,11 +1,93 170,89M 183,97M 9.928 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 18,49 +1,65 149,71M 212,99M 15.372 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,19 +0,31 133,67M 99,40M 19.651 
 CCRO3 CCR SA ON 15,51 +1,51 133,36M 80,73M 22.857 

* – Lote de mil a??es
1 – Em reais (K – Mil | M – Milh?o | B – Bilh?o)
IBOVESPA

Taxa de desemprego

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 12% no trimestre encerrado em dezembro de 2016, de acordo com dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgados nesta manhã pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado é o maior da série histórica (2012), e ficou dentro das expectativas dos analistas. Em igual período de 2015, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 9,0%. No trimestre encerrado em novembro de 2016, o resultado ficou em 11,9%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.043,00 no trimestre até dezembro de 2016. O resultado representa alta de 0,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 180 bilhões no trimestre até dezembro, o que representa estabilidade ante igual período do ano anterior.

O mercado de trabalho no País perdeu 1,398 milhão de vagas com carteira assinada no período de um ano. O total de postos de trabalho formais no setor privado encolheu 3,9% no trimestre encerrado em dezembro de 2016, ante o mesmo período do ano anterior, segundo os dados da Pnad Contínua. Já o emprego sem carteira no setor privado teve aumento de 4,8%, com 481 mil empregados a mais. O total de empregadores aumentou também 4,8% ante o trimestre encerrado em dezembro de 2015, com 190 mil pessoas a mais.

Eleições na Câmara 
Na segunda-feira (30), mais um deputado entrou para a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Júlio Delgado (PSB-MG) anunciou oficialmente sua candidatura para a eleição que ocorre na próxima quinta-feira (2). Ele não contará com o apoio de seu partido, já que o PSB anunciou que apoiará Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a reeleição. Delgado entrou também com um mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) solicitando que Maia seja impedido de ser candidato. Os adversários de Maia no pleito também assinaram o requerimento. Clique aqui e veja o perfil de todos os candidatos à presidência da Câmara. Clique aqui e conheça o perfil dos cinco candidatos à presidência da Câmara dos Deputados.

Noticiário político

Além da eleição na Câmara, diversos jornais trazem reportagens sobre o receio do Palácio do Planalto em relação ao vazamento seletivo das delações da Odebrecht para fragilizar o governo enquanto forem mantidas em sigilo pelo STF. Segundo o Valor, a expectativa do Planalto é que todo conteúdo das delações seja tornado público por iniciativa do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Os desdobramentos das delações são imprevisíveis, diz o jornal O  Estado de S. Paulo, citando assessores não identificados de Temer e acrescentando que há apreensão com efeitos da turbulência política na economia.

Vale destacar ainda os rumores sobre quem será o indicado de Temer para o STF. Segundo a Folha, o presidente quer escolher o ministro esta semana. Ives Gandra Filho teria perdido força; outros favoritos seriam Isabel Galotti, Luis Felipe Salomão e Rogério Schietti, do STJ.

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Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.