Ibovespa sobe 7% em março e tem melhor mês desde janeiro de 2012; dólar cai 2%

Após 4 meses seguidos de queda, índice respira mesmo com corte de rating e ameniza perdas do 1º bimestre; disparada de estatais e bancos contribuiu para a alta do benchmark

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SÃO PAULO – Em um interminável rali de 10 altas em 11 pregões, o Ibovespa alcançou seu melhor desempenho mensal desde janeiro de 2012. Com uma alta de 1,30%, a 50.414 pontos, nesta segunda-feira, o benchmark da bolsa brasileira acumulou ganhos de 7,05% em março, mas não conseguiu evitar o fechamento do primeiro trimestre do ano em queda de 2,12%. Apesar das perdas acumuladas entre janeiro e março, vale destacar a forte recuperação do índice, que, após chegar a cair 13% em 2014, amenizou o cenário de grandes adversidades, pondo fim a uma série de 4 meses de queda, embalado pelas fortes especulações eleitorais.

Nem mesmo o corte do rating soberano do Brasil de BBB para BBB-, anunciado pela agência de classificação de risco Standard&Poor’s, foi capaz de anular o ímpeto do Ibovespa, embalado sobretudo pelo maior otimismo dos investidores internacionais. O já deteriorado quadro macroeconômico do País fez com que cortes de notas de crédito já fossem precificadas e não abalassem muito a lógica do investidor.

Aliado a isso, o resultado da pesquisa Ibope/CNI constatou o que o mercado havia especulado sem sucesso uma semana antes: uma piora da visão do eleitor sobre a gestão da presidente Dilma Rousseff. Apesar da queda da confiança em Dilma não ter refletido em alterações na corrida presidencial – com os possíveis adversários nas urnas mantendo-se distantes da candidata a reeleição -, a atual presidente viu sua popularidade cair de 43% para 36% em março. Tal resultado trouxe otimismo no mercado, com os investidores não escondendo seu repúdio às políticas intervencionistas do governo na economia, sobretudo nas operações das empresas estatais – companhias que figuram na lista dos maiores destaques de alta do rali.

Outro ingrediente que contribuiu bastante para o movimento positivo do Ibovespa nos últimos dias foi o impasse russo na questão da Crimeia. Com o cenário de maior possibilidade do país sofrer cada vez mais sanções por anexar a península ucraniana a seu território, os investidores optaram por sair do investimento de risco da economia de Vladimir Putin – o que tornou o Brasil uma boa alternativa.

Aliado à disparada da Bolsa, o dólar comercial terminou o mês com queda de 2,17%, cotado a R$ 2,2694 na venda. Em 2014, a moeda norte-americana acumula depreciação de 3,74% frente ao real.

Destaques do pregão
Nesta segunda-feira, o Ibovespa acompanhou o movimento positivo das bolsas internacionais, com Wall Street repercutindo a fala da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. Os três principais índices acionários dos Estados Unidos terminaram o dia com ganhos entre 0,7% e 1,10%. Durante conferência em Chicago, Yellen destacou que a recuperação na maior economia do mundo ainda parece uma recessão para muitos norte-americanos, e é por isso que a autoridade monetária seguirá com o seu programa de estímulos por algum tempo. Assim, nem mesmo a queda do Chicago PMI de março para um valor abaixo do esperado diminui os ganhos das bolsas norte-americanas que seguem com ganhos.

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No noticiário nacional, destaque para o Focus. Os economistas de instituições financeiras elevaram pela quarta semana a perspectiva para a inflação este ano, a 6,30% ante 6,28%, mantendo a perspectiva para a Selic em 11,25% em 2014, mostrou a pesquisa Focus do Banco Central nesta segunda-feira.

Os economistas também cravaram as apostas de nova alta de 0,25% na Selic, atualmente em 10,75 por cento, na reunião desta semana do Copom (Comitê de Política Monetária). Sobre a expansão da economia neste ano, a estimativa foi ligeiramente ajustada a 1,69%, ante 1,70%. 

Noticiário corporativo
Já do lado da bolsa, na reta final da temporada de balanços, a Sabesp (SBSP3, R$ 21,10, +2,53%) registrou uma queda de 22,8% em seu lucro líquido no quarto trimestre sobre igual período de 2012. A empresa teve lucro líquido de R$ 590,7 milhões nos últimos três meses de 2013, ante R$ 765,4 milhões de reais em igual etapa do ano anterior.

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Enquanto isso, a Vale (VALE3; VALE5) admitiu perder US$ 507 milhões por mina de ferro na Guiné. Após pelo menos dois anos de discussões e depois de ter excluído, em 2013, o projeto do seu portfólio de investimentos, a mineradora passou a admitir, oficialmente, a possibilidade de amargar a perda de US$ 507 milhões aplicados na compra dos direitos minerários da jazida de minério de ferro Simandou, na Guiné, na costa ocidental da África. A hipótese foi confirmada pela própria empresa em documento protocolado na SEC (Securities and Exchange Comission, a CVM dos Estados Unidos), na quinta-feira. Contudo, seus papéis registraram ganhos de 1,32% para os ordinários e de 1,94% para os preferenciais, precificados em R$ 31,42 e R$ 28,35, respectivamente, com a proposta de pagamento de dividendos no valor de US$ 2,1 bilhões.

Entre os maiores destaques de ganhos, ficaram as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 6,60, +4,76%; ELET6, R$ 10,88, +0,93%), em continuidade ao movimento da última sessão, após o anúncio da proposta de pagamento de dividendos. Enquanto isso, os ativos da Petrobras (PETR3, R$ 14,96, -0,33%; PETR4, R$ 15,78, +0,77%) ficaram voláteis em um dia de noticiário agitado para a companhia.

Informações apontam que a estatal pagou US$ 85,14 milhões à Astra Oil em fevereiro de 2007 para garantir à sua então sócia na refinaria de Pasadena um lucro mínimo com o negócio, atendendo à exigência do acordo de acionistas que as duas empresas haviam assinado no ano anterior.

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Segundo a XP Investimentos, a Petrobras deverá permanecer no radar durante todo o ano de 2014, continuando citando dois pontos importantes para as ações: reajuste de combustíveis, no intuito de estancar perdas de R$ 5,5 bilhões por trimestre, e cenário macroeconômico, com divulgação de pesquisas eleitorais.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GFSA3 GAFISA ON 3,57 +6,25 +1,13 32,35M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,30 +5,86 -9,25 25,48M
 ELET3 ELETROBRAS ON 6,60 +4,76 +12,44 22,02M
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 7,57 +4,13 +15,40 20,97M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 25,11 +3,98 +5,03 215,37M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 DTEX3 DURATEX ON 11,55 -3,51 -12,17 41,44M
 OIBR4 OI PN 3,12 -3,41 -13,09 58,53M
 LLXL3 LLX LOG ON 1,00 -2,91 -7,41 4,79M
 GOLL4 GOL PN N2 10,94 -1,71 +4,39 8,92M
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 16,41 -1,09 -7,03 30,88M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 28,35 +1,94 552,46M 444,77M 28.178 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,78 +0,77 440,01M 534,12M 38.722 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 33,90 +1,99 356,68M 324,30M 23.762 
 BBDC4 BRADESCO PN 31,19 +1,60 312,32M 260,42M 23.674 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,25 +2,74 265,72M 125,18M 32.378 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 25,11 +3,98 215,37M 142,29M 24.540 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,95 0,00 205,81M 160,98M 29.035 
 VALE3 VALE ON 31,42 +1,32 188,03M 165,98M 12.737 
 ITSA4 ITAUSA PN 9,25 +1,98 181,44M 134,11M 27.345 
 BRFS3 BRF SA ON 45,30 +0,22 169,87M 140,60M 9.659 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Europa e Ásia
No noticiário asiático, o mercado seguiu cauteloso à espera de que o governo da China adote novas políticas de estímulo à economia do país. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, tentou acalmar os investidores afirmando que Pequim está pronta para combater uma economia em desaceleração, dizendo que o governo tem as políticas necessárias e que vai avançar com investimentos em infraestrutura.

No Japão, a produção industrial do país caiu 2,3% em fevereiro, ficando longe da expectativa de um aumento em 0,3%. Já no primeiro trimestre de 2014, o índice japonês teve o pior desempenho entre os benchmarks asiáticos, acumulando no período queda de 9% – pior desempenho trimestral em dois anos.

Já na Europa, o índice de preços ao consumidor na Zona do Euro atingiu 0,5%, ficando abaixo da estimativa do mercado de 0,6%. Com o resultado, investidores especulam que o BCE (Banco Central Europeu) poderá adotar novas medidas de estímulos.

Os indicadores divulgados na Alemanha ficaram bem acima das estimativas do mercado. As vendas no varejo atingiu 1,3% em março, contra previsões de 0,5%. Na comparação anual o valor chegou a 2%, bem acima das projeções de 0,8%.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.