Ibovespa sobe 2,8% e retoma os 102 mil pontos com encaminhamento de reformas ofuscando queda do PIB; dólar cai 1,7%

Mercado mostra fortes ganhos no início do mês com política se sobressaindo

Ricardo Bomfim

(Shutterstock)

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (1) com uma série de notícias positivas no âmbito político, que acabaram por ofuscar completamente o dado abaixo do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.

Enquanto o mercado esperava apenas pela prorrogação do auxílio emergencial hoje, o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu e informou que enviará ao Congresso Nacional na próxima quinta-feira (3) a proposta de reforma administrativa.

Ao mesmo tempo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou a senadores que a reforma tributária e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo também serão encaminhadas em breve.

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“O Congresso trabalha incessantemente para modificar o marco regulatório e destravar os investimentos. Estamos encaminhando as reformas administrativa e tributária, além da PEC do Pacto Federativo”, disse Guedes.

De acordo com o ministro, o Pacto Federativo já está pronto para ser disparado ao Congresso “assim que a política ditar o momento para isso”.

Sobre o auxílio emergencial, como esperado, a prorrogação terá mais quatro parcelas de R$ 300. O valor atual do benefício é R$ 600.

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Diante dessas notícias, o benchmark da Bolsa brasileira teve alta de 2,82%, aos 102.167 pontos com volume financeiro negociado de R$ 26,657 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial caiu 1,75% a R$ 5,3845 na compra e a R$ 5,385 na venda. O dólar futuro para outubro registra queda de 2,17%, a R$ 5,378 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 teve baixa de sete pontos-base a 2,79%, o DI para janeiro de 2023 recuou nove pontos, a 3,97%, o DI para janeiro de 2025 registrou perdas de 15 pontos-base a 5,77% e o DI para janeiro de 2027 caiu 14 pontos-base a 6,73%.

Hoje pela manhã houve a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre. A economia do País sofreu uma contração de 9,7% no período, na comparação com o primeiro trimestre na série com ajuste sazonal.

Este dado veio um pouco pior que a expectativa mediana dos economistas, que era de um recuo de 9,2% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano, de acordo com a pesquisa Bloomberg. A medição anterior foi revisada para queda de 2,5%, de -1,5% anteriormente.

Outro destaque no noticiário nacional é o Orçamento para 2021, que foi enviado na noite de ontem ao Congresso. Somando os déficits esperados entre 2021 e 2023, o buraco é de R$ 572,9 bilhões.

Lá fora, depois dos índices Dow Jones e S&P 500 consolidarem seus maiores ganhos para um mês de agosto desde a década de 1980, as bolsas americanas voltaram a subir, desta vez impulsionadas pela valorização de 4% das ações da Apple depois da companhia realizar um desdobramento.

Essa operação tornou os papéis da big tech mais acessíveis e com mais liquidez. Diversos analistas revisaram para cima suas projeções para a empresa.

O tom mais positivo do exterior veio também do Índice de Gerentes de Compras (PMI) da Caixin/Markit da China em agosto, que ficou em 53,1 pontos. Leituras acima de 50 indicam expansão, enquanto resultados inferiores a 50 revelam retração.

O resultado superou as expectativas e causou uma alta do yuan frente ao dólar, ao ficar no nível mais alto desde janeiro de 2011. Também foi o quarto mês consecutivo acima da marca de 50.

Ao mesmo tempo, o desemprego na zona do euro subiu, enquanto os efeitos do coronavírus continuam a ser sentidos. A taxa de desemprego na região foi de 7,9% em julho, mostrando uma deterioração do cenário. No entanto, o número ainda está abaixo do recorde visto no meio da crise.

Orçamento de 2021

O governo enviou ontem ao Congresso a proposta de Orçamento para 2021, que prevê um déficit nas contas públicas até 2023. Somando os déficits esperados entre 2021 e 2023, o buraco é de R$ 572,9 bilhões, de acordo com O Estado de S.Paulo.

No ano que vem, a expectativa é de déficit de R$ 233,6 bilhões; em 2022, o resultado deve ficar negativo em R$ 185,5 bilhões; já em 2023, faltarão R$ 153,8 bilhões para fechar as contas do governo.

No entanto, o governo destacou que os gastos da pandemia ficarão restritos a 2020.

O governo reservou para 2021 R$ 34,8 bilhões para gastar com o Bolsa Família no ano que vem, segundo O Globo. O Renda Brasil ficou de fora do projeto de lei orçamentária.

Outro destaque do texto é a insuficiência de R$ 453,715 bilhões para que seja cumprida a regra de ouro no próximo ano. Esta regra proíbe que o governo tome financiamentos para pagar gastos correntes, como o pagamento de salários, por exemplo. Por isso, o governo precisará da autorização do Congresso para realizar estes gastos.

Também chamou atenção o fato de que o governo desistiu de dar mais recursos à Defesa do que à Educação em 2021.

Além disso, a previsão que consta da proposta de Orçamento para 2021 prevê uma alta de 3,2% no PIB do ano que vem. A projeção para o salário mínimo é de R$ 1.067, alta de 2,1% ante o valor atual de R$ 1.045.

Auxílio emergencial

De acordo com a Folha de S. Paulo, a ampliação do auxílio por quatro meses a R$ 300 deve aumentar os gastos da União neste ano em mais R$ 100 bilhões. Com isso, o governo vai chegar a um número inédito, com déficit de R$ 1 trilhão nas contas públicas em 2020.

Outro destaque no noticiário brasileiro é a conclusão das investigações sobre um suposto esquema de “rachadinhas” que teria sido comandado pelo senador Flávio Bolsonaro quando era deputado federal. Segundo a CNN, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção do Ministério Público do Rio considerou encerradas as investigações.

O resultado foi encaminhado ao procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, que repassou o material para o subprocurador da área criminal, Ricardo Ribeiro Martins. Ele poderá pedir novas investigações ou apresentar a denúncia ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio.

Ainda no noticiário corporativo, segundo a CNN, o presidente Bolsonaro foi diagnosticado com cálculo renal e fará uma cirurgia para retirá-lo em setembro.

Radar corporativo

O mercado vai repercutir hoje os balanços divulgados na véspera pela Lojas Renner (LREN3), pela IMC (MEAL3) e pelo grupo Technos (TECN3).

A Lojas Renner registrou um lucro líquido de R$ 818,1 milhões no segundo trimestre, alta de 254,5% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pelo reconhecimento de R$ 1 bilhão referente a um crédito fiscal.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
HGTX3 9.02132 19.94
HAPV3 6.58118 68.99
UGPA3 6.22428 20.65
MULT3 6.00384 22.07
IGTA3 5.58252 34.8

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
MRFG3 -3.37079 17.2
IRBR3 -2.24404 6.97
CSAN3 -1.87387 81.69
BEEF3 -1.3751 12.91
JBSS3 -0.62389 22.3

Outro destaque é o anúncio da parceria entre Bradesco (BBDC3; BBDC4) e J.P.Morgan. O banco brasileiro vai herdar os clientes do private banking do J.P.Morgan, que está deixando de atuar neste segmento no Brasil.

Ainda no noticiário corporativo, a Pague Menos precificou a sua oferta de ações (IPO), mas teve que dar um desconto em relação ao preço inicialmente previsto. A ação foi precificada a R$ 8,50; de acordo com o documento divulgado no mês passado, a faixa estimativa de preço era entre R$ 10,22 e R$ 12,54 por papel.

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Ricardo Bomfim

Repórter do InfoMoney, faz a cobertura do mercado de ações nacional e internacional, economia e investimentos.