Bolsa

Ibovespa sobe 2,5% depois de Maranhão revogar decisão que anulava impeachment de Dilma

Mercado registra ganhos passada a turbulência provocada pelo presidente interino da Câmara ontem

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (10) passada a turbulência da última sessão causada pela decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), de anular a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Hoje, Maranhão revogou a anulação com medo de ser expulso do partido e cassado de seu mandato. Enquanto isso, as informações são de que realmente o vice-presidente Michel Temer irá cortar 10 ministérios caso obtenha a Presidência da República. Lá fora, as bolsas sobem, tirando força do avanço do petróleo e da temporada de resultados corporativos.

Às 15h10 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 2,44%, a 52.236 pontos. Já o dólar comercial cai 1,39% a R$ 3,4760 na venda, enquanto o dólar futuro para junho tem queda de 1,17% a R$ 3,499. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 4 pontos-base a 13,65%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 18 pontos-base a 12,46%.

Segundo o gestor da Queluz Asset, Rodrigo Otávio Marques, não há muito o que falar sobre o mercado hoje. “Ele está incorporando preços por conta da notícia de ontem”, explica. Para o gestor, a partir de amanhã os investidores voltarão a ficar preocupados com a realidade de um eventual governo Temer, ficando de olho na composição dos ministérios, no tipo de ajuste fiscal e na correlação política de forças. Mas hoje, o dia é apenas de comprar tudo aquilo que foi vendido no pânico político de ontem. 

Marques também não vê qualquer tipo de impacto do madado de segurança da Advocacia-Geral da União para barrar o impeachment. “Os investidores estão descrentes de qualquer notícia negativa. Teria que ser algo muito surpreendente para fazer pressão, não só uma medida para ganhar tempo”, afirma. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,63, +4,64%; PETR4, R$ 9,91, +4,54%), operam em alta junto com os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) sobe 2,37% a US$ 44,47, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha ganhos de 3,78% a US$ 45,28. 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes avançam. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,88, +4,22%), Bradesco (BBDC3, R$ 28,10, +1,37%; BBDC4, R$ 26,23, +2,74%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,99, +3,65%) registram ganhos. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 QUAL3 QUALICORP ON ED15,34+7,65
 USIM5 USIMINAS PNA2,27+7,08
 BRFS3 BRF SA ON48,36+5,31
 MRVE3 MRV ON12,08+5,23
 ESTC3 ESTACIO PARTON11,87+5,04

 

 

Já a Vale (VALE3, R$ 15,50, +1,77%; VALE5, R$ 12,66, +2,51%) também sobe beneficiada pela alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 0,49% a US$ 55,26 a tonelada seca.

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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 BRKM5BRASKEM PNA21,04-2,50
 LAME4LOJAS AMERICPN13,29-1,63
 RUMO3RUMO LOG ON4,34-1,36
 RADL3RAIADROGASILON54,00-0,77
 MRFG3MARFRIG ON6,14-0,16

 

Entre as quedas, o pior desempenho fica com a petroquímica Braskem (BRKM5, R$ 21,06, -2,41%). A ação se mantém em baixa desde decisão anunciada ontem de cortar os benefícios fiscais ao setor petroquímico. A proposta de reduzir o PIS/Cofins em 6,25% este ano, 4,25% em 2017 e 3,65% a partir de 2018 foi alterada para uma redução de 3,12% a partir de 2017-2018, 2,13% em 2019-2020 e 1,13% a partir de 2021, levando o PIS/Cofins a 8,12% na perpetuidade. 

Sessão do Impeachment e Delcídio
Nesta terça, começam os trabalhos para a votação do afastamento da presidente Dilma no plenário do Senado que ocorrerá na quarta-feira (11). A sessão deliberativa no plenário começa nesta terça às 14h (horário de Brasília). Hoje, a partir das 15h, “serão abertas as inscrições em dois livros diferentes”, informou Renan Calheiros. Um para quem está a favor da admissibilidade e outro para quem está contra. Ainda hoje, Renan Calheiros convocou sessão extraordinária para 17h para analisar exclusivamente o processo de cassação do senador Delcídio do Amaral.

Reação a Maranhão
O presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) revogou, na madrugada de hoje (10) decisão tomada ontem (9) de manhã, de anular as sessões plenárias da Câmara em que foi aprovada a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Um dos motivos para tanto foi a forte reação da Câmara dos Deputados e a ameaça da bancada do PP, que votará hoje a expulsão do deputado. A decisão ocorreu após reunião entre o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e o líder do partido na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB). O líder vai convocar uma reunião da bancada da Câmara para esta terça, às 10h. Já o primeiro secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse nesta tarde a jornalistas que os deputados se reunirão às 11h para discutir a atitude de Maranhão. Segundo ele, Maranhão tem de respeitar a decisão da Câmara. “A meu ver, foi ato de improbidade administrativa, cabe recurso ao Conselho de Ética. A mesa da Câmara não concorda com o que Maranhão fez”, disse. 

Redução de ministérios
O vice-presidente Michel Temer recuou da decisão de manter em um eventual governo os atuais 32 ministérios e voltou à sua ideia inicial de reduzir o número de pastas para apenas 22, a despeito do risco de descontentar aliados que brigavam por mais espaço na Esplanada dos Ministérios, informou uma fonte próxima ao vice à Reuters. No final de semana, o vice-presidente reuniu seus auxiliares mais próximos para refazer o organograma dos ministérios, e voltaram à pauta algumas das ideias iniciais que havia, sido descartadas, informou a fonte, que pediu anonimato. Entre elas, a junção dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário com o Ministério do Desenvolvimento Social e a de unir novamente Cultura com Educação.

Inflação na China
Na China saíram na segunda (9) às 22h30 os índices de preços ao consumidor e ao produtor. O crescimento da inflação ao consumidor foi de 2,3% em abril, em linha com o esperado. Já a inflação ao produtor caiu 3,4% em estimativa anual, sendo que a expectativa mediana dos economistas era de uma queda de 3,8% no mês passado, contra o recuo de 4,3% registrado em março.  

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