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Ibovespa sobe 2% e recupera parte da queda da véspera após China e EUA abaixarem o tom

Investidores acordam mais tranquilos passado o banho de sangue da véspera, quando o yuan caiu aos menores níveis em uma década

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em forte alta nesta terça-feira (6) seguindo as bolsas norte-americanas, que registraram seus maiores ganhos diários em oito semanas. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,2%, 1,3% e 1,4% respectivamente. 

A melhora no ambiente externo se deveu às sinalizações dos Estados Unidos de que seguirão negociando com a China. Segundo o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, o presidente norte-americano, Donald Trump, gostaria de continuar as conversações para encerrar a guerra comercial entre os dois países. 

O Ibovespa subiu 2,06% a 102.163 pontos com volume financeiro negociado de R$ 17,79 bilhões. A alta de hoje foi a maior desde 21 de maio, quando o principal índice da B3 avançou 2,76%. 

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Já o dólar comercial teve leve variação negativa de 0,03% a R$ 3,9555 na compra e a R$ 3,956 na venda, enquanto o dólar futuro com vencimento em setembro recua 0,51% a R$ 3,9625. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 caía nove pontos-base a 5,49% e o DI para janeiro de 2023 recua 11 pontos-base a 6,42%.

A trégua desta terça é consequência do movimento da China para estabilizar a sua moeda. O Banco Popular da China (PBoC) definiu nesta terça-feira a correção diária do câmbio em nível mais forte do que os analistas esperavam, o que ajudou a aliviar a tensão entre os investidores. 

Segundo a CNBC, o banco central chinês definiu uma taxa diária para a moeda, com uma banda contra o dólar dentro de 2% do valor médio, para o yuan onshore, que era negociado a 7,0334 contra o dólar. Sua contraparte, o yuan offshore, usada por investidores e bancos estrangeiros, estava em 7,0721 contra o dólar.

De todo modo, as tensões comerciais tiveram o efeito imediato de atrapalharem os planos do Federal Reserve, que indicou na sua última decisão de juros não estar com um cilo de cortes nas taxas engatilhado diante do bom desempenho da economia doméstica norte-americana. 

O impacto do cenário externo, que pode trazer uma guerra cambial dependendo dos próximos passos de Trump e chineses, deve ser levado em consideração pelos membros do Fed nas próximas reuniões. 

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Segundo José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, com a guerra comercial e sem corte de juros, o mercado sofre com uma forte aversão ao risco. “Caso o quadro se agrave lá fora, com o S&P caindo deste suporte de longo prazo, o dólar poderia subir para entre R$ 4,15 e R$ 4,20“, avalia.

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No Brasil, foi divulgada a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, a 6% ao ano. O documento apontou que as projeções para a inflação estão em níveis confortáveis e que a reforma da Previdência contribui para a redução da taxa estrutural. 

Indicadores de atividade econômica, como a produção de carros e os antecedentes do mercado de trabalho, também estão previstos para hoje.

As reformas também voltam à pauta, com a expectativa de início das discussões, em segundo turno, da reforma da Previdência na Câmara e da tributária, com governadores debatendo uma proposta em Brasília.

Noticiário Corporativo

A diretoria da Petrobras (PETR3; PETR4) definiu uma nova política de preço para o botijão de gás, o GLP envasado em recipiente de até 13 kg, um produto de forte apelo social.

A partir de agora, os consumidores residenciais pagarão valores alinhados aos mercado externo, como já acontece com o GLP destinado à indústria e ao comércio. Houve ainda uma alteração no prazo de reajuste, que passou a ser indefinido.

Segundo a Petrobras, hoje, a tonelada do GLP de uso industrial custa nas refinarias da estatal R$ 1.950,80 e o de uso residencial, R$ 1.850,80.

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Esses valores representam uma redução média de 13,4% no preço do GLP industrial e de 8,2% no preço dos envasados até 13 kg. Novas revisões vão depender das condições do mercado e da avaliação dos cenários interno e externo.

Entre os balanços, a Taesa (TAEE11) divulgou lucro de R$ 307 milhões, alta de 11,3%, enquanto a elétrica AES Tietê (TIET11) teve queda de 61,9%, para R$ 35,4 milhões.

O IRB (IRBR3) registrou alta de 35% no lucro, que atingiu R$ 388,4 milhões. Já a Unidas teve um lucro recorrente 59,6% maior, de R$ 83,9 milhões.

Também divulgaram resultados a Marcopolo (POMO4), com lucro de R$ 90,9 milhões (+290%), e Vulcabras (VULC3), com lucro de R$ 30 milhões (-9,1%).

Reformas

Em relação a reforma da Previdência, o governo espera votar o texto que modifica as regras das aposentadorias no Senado entre os dias 20 e 30 de setembro, disse o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na residência do parlamentar.

Na Câmara, a expectativa do Planalto é conseguir aprovar a proposta em segundo turno entre terça, 6, e quarta-feira, 7. “Estamos nesta retomada. Vamos azeitar aí as relações do poder Executivo e o Legislativo para que a gente tenha boas vitórias em favor do Brasil”, comentou Onyx.

Ontem, Onyx deve ter um café da manhã com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para mapear os votos do segundo turno. O governo espera manter o placar da primeira votação, de 379 votos favoráveis. “Nos nossos cálculos, a gente deve, a princípio, manter o placar. Se tiver alguma perda, pode ser por um ou dois votos. Não mais do que isso”, afirmou o chefe da Casa Civil.

O governo concorda ainda em incluir Estados e municípios nas mudanças previdenciárias por meio de outra Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A ideia, afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, é que o assunto seja discutido paralelamente à tramitação da reforma da Previdência no Senado, mas em outro texto.

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A extensão das novas regras de aposentadoria para servidores estaduais e municipais foi retirada da reforma que o governo elaborou pelos deputados federais. A princípio, disse Onyx, o Planalto concorda com a articulação de líderes do Senado de colocar o item em uma PEC paralela.