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Ibovespa sobe 1,34% e volta a se aproximar dos 120 mil pontos, com Focus, Brasília e commodities; dólar avança a R$ 4,80

Dia foi marcado por menor volume de negociações por conta de véspera de feriado da independência nos Estados Unidos

Vitor Azevedo

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O Ibovespa fechou em alta de 1,34% nesta segunda-feira (3) aos 119.672 pontos, em um dia marcado por um volume de negociação menor, de R$ 21,5 bilhões, por conta do feriado de amanhã nos Estados Unidos. Assim, o índice voltou a se aproximar dos 120 mil pontos. Nesta segunda, Wall Street funcionou em horário reduzido.

De acordo com especialistas, o que puxou o índice brasileiro, que se saiu melhor do que seus pares americanos, foram discussões políticas, a divulgação de dados macroeconômicos e a leve retomada das commodities.

“O mercado financeiro teve uma movimentação positiva, com o Ibovespa subindo impulsionado pela expectativa em torno da reforma tributária e do arcabouço fiscal em discussão no Congresso”, fala Thiago Godoy, educador financeiro da Rico. “No segmento dos juros futuros (DIs), houve uma queda ao longo da curva. O boletim Focus revelou mais uma vez uma baixa contínua nas projeções de inflação, enquanto a estimativa de crescimento do produto interno bruto (PIB) subiu”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a Câmara terá esforço concentrado para aprovar a reforma tributária e o arcabouço fiscal antes do recesso branco, após reunião do colégio de líderes da casa realizada na véspera.

Já o Focus trouxe que a projeção para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2023 saiu de 5,0% na última semana para 4,98%. Para o PIB, as expectativas saíram de uma alta de 2,18% para 2,19%.

“O mercado doméstico conseguiu se descolar do exterior, com o Ibovespa garantindo alta firme e os juros futuros em queda em toda curva, com alguns vértices já precificando quedas de taxa de um dígito. O bom humor é reflexo das melhores projeções para a economia brasileira no Focus, as quais repercutem a Ata do Copom, o RTI e também as decisões do CMN, colaborando para as expectativas de corte da Selic a partir de agosto”, fala Mariane Vas, coordenadora de Economia e Conteúdo no Gorila.

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A curva de juros brasileira caiu em bloco. Os DIs para 2024 perderam sete pontos-base, a 12,78%, e os para 2025, 9,5 pontos, a 10,65%. Os contratos para 2027 ficaram em 10%, com menos 11 pontos, e os para 2029, a 10,35%, com menos sete pontos. As taxas dos contratos para 2031 recuaram cinco pontos-base, a 10,54%.

Companhias de crescimento e ligadas ao mercado interno subiram bem. As ações ordinárias da Locaweb (LWSA3) subiram 3,96%, as da Arezzo (ARZZ3), 3,30% e as da Méliuz (CASH3), 2,18%.

Mas o destaque do Ibovespa ficou mesmo para as siderúrgicas e mineradoras. As preferenciais da Gerdau (GGBR4) ganharam 3,59%, as ordinárias da CSN (CSNA3), 2,91%, e as ordinárias da Vale (VALE3), 3,13%.

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“As blue chips tiveram alta generalizada, com destaque para a alta de mais de 3% das ações da Vale, apesar da queda do minério de ferro, com os investidores de olho na relação entre os Estados Unidos e a China e na esteira de um relatório do Citi sobre mineração e siderurgia”, avalia Vas.

“Por aqui o Ibovespa registrou alta, em meio a uma recuperação das commodities metálicas em meio às especulações de incentivos fiscais na China, e com os papeis ligados à economia doméstica também se beneficiando da expectativa de queda da Selic”, fala Rafael Pacheco, economista da Guide Investimentos.

Nos Estados Unidos, as Bolsas fecharam mais cedo, às 14h, por conta do feriado de independência desta terça. Dw Jones. S&P 500 e Nasdaq subiram, respectivamente, 0,03%, 0,12% e 0,21%.

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“O que mais fez preço nos mercados foi o resultado da Tesla, que mostrou números recordes de vendas, a despeito da expectativa de alguma desaceleração. Isso, antes do início da temporada de balanços, joga alguma esperança de uma extensão do rally dos ativos de risco no país”, explica Pacheco. “Ainda assim, diversos fatores se somam para demandar mais cautela dos investidores, como a desaceleração da economia norte-americana – reforçada pelo PMI industrial divulgado hoje, que veio abaixo do esperado – e a expectativa de pelo menos mais um aumento da taxa de juros pelo Fed”.

O dólar ganhou força frente a divisas de outros países desenvolvidos, com o DXY subindo 0,09%. Frente ao real, a alta foi de 0,39%, a R$ 4,808 na compra e na venda.