Fechamento

Ibovespa sobe 0,9%, quebra sequência de quedas e “segura” os 97 mil pontos

Mercado fecha com ganhos apesar do exterior e das incertezas no cenário político, mostrando força na região dos 97 mil pontos

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (27), dia de extrema volatilidade, depois de chegar a perder os 96 mil pontos na mínima do dia. Foi o primeiro desempenho positivo da Bolsa em quatro pregões. 

Desde o dia 21 de agosto, quando o Ibovespa subiu 2% a 101.202 pontos, o benchmark só caiu. Foi uma queda de 1,2% na quinta (22), de 2,34% na sexta (23) e 1,27% ontem (26). No acumulado deste período, o índice caiu 4,7%.

O principal índice da B3 registrou hoje alta de 0,88%, a 97.276 pontos com volume financeiro negociado de R$ 20,626 bilhões. Na máxima, o Ibovespa chegou a atingir 97.950 pontos, enquanto na mínima chegou ao nível de 95.855 pontos. 

Lá fora, a diferença entre o rendimento dos títulos da dívida de 10 anos dos Estados Unidos para os títulos de dois anos caiu para cinco pontos-base negativos. A inversão da curva costuma preceder períodos de recessão no país. As bolsas norte-americanas caíram entre 0,3% e 0,4%. 

Segundo Lucas Monteiro, operador de multimercados da Quantitas Gestão de Recursos, a Bolsa hoje fez mais um movimento técnico do que algo fundamentado.

“Hoje parece que o mercado foi mais comprador nesse nível de 97 mil pontos, o que não significa necessariamente que seja um suporte muito forte. É um ponto em que os players ficaram mais confortáveis para montar posição diante das informações que dispomos agora”, explica.

Já o dólar comercial, que chegou a saltar R$ 4,19 (alta de 1,25%) após dados dos EUA e a fala de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, sinalizando que a autoridade monetária não iria intervir no mercado, zerou as altas após o contrário ocorrer.

O BC anunciou leilão de dólar à vista imediato, sem ser conjugado com swap reverso (que equivale à compra de dólar no mercado futuro).

Com isso, a divisa avançou 0,45% a R$ 4,1574 na compra e a R$ 4,1581 na venda, enquanto o dólar futuro para setembro tinha queda de 0,24% a R$ 4,144. 

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Para Carlos Menezes, gestor de recursos da Gauss em São Paulo, a alta recente do dólar está atrelada a três razões principais, que vai além de guerra comercial ou pessimismo com tensão política. Os motivos são seguintes: busca por hedge (proteção), carry trade menos atrativo e companhias que estão refinanciando suas dívidas em dólar com emissão local.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 subia quatro pontos-base a 5,59%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tinha ganhos de cinco pontos-base, a 6,66%. 

Queda da véspera

Vale destacar que ontem, no after-market, o Ibovespa Futuro fechou em queda de 2,48%, enquanto o índice à vista teve baixa de 1,27%.

O que provocou a queda mais forte do índice futuro no after-market de ontem foi a notícia do jornal O Estado de S.Paulo de que um relatório conclusivo da Polícia Federal atribuiu ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa dois no âmbito das investigações que envolvem a delação da Odebrecht. 

Na planilha de propinas da empreiteira, o deputado é identificado como “Botafogo” e teria recebido R$ 350 mil nas eleições de 2010 e 2014. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, deu 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se oferece ou não a denúncia. 

Maia é o principal credor das reformas no Congresso, sendo visto no mercado como o responsável pela aprovação com folga da Previdência na Câmara dos Deputados. Sua queda contrataria bastante incerteza no cenário político atual. 

Junto às notícias sobre o presidente da Câmara, houve a deterioração da avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro, cuja percepção negativa saltou de 19% em fevereiro para 39% este mês, enquanto a desaprovação subiu de 28,2% para 53,7%, apontou pesquisa da CNT/MDA.

Noticiário Corporativo

A Bloomberg destaca que o grupo liderado pela brasileira Itaúsa Investimentos (ITSA4) está prestes a comprar a Liquigás, distribuidora de gás em botijão da Petrobras (PETR3; PETR4), já que sua oferta de R$ 3,5 bilhões está afastando rivais, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

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O Mubadala Investment de Abu Dhabi e a brasileira Consigaz Distribuidora de Gás Ltda, que poderiam ter tentado superar a Itaúsa em uma segunda rodada de ofertas, planejam abandonar a disputa junto com seus sócios. A desistência foi por considerarem o preço ofertado pelo Itaúsa alto demais, disseram as pessoas.

Ainda sobre a Petrobras, PetroChina, Sinopec e Saudi Aramco estão entre as empresas que devem ingressar na disputa pelas oito refinarias que a Petrobras pretende licitar.

Guerra comercial

Hoje, o Conselho de Estado da China anunciou que está considerando mitigar e até remover as restrições às importações de automóveis para impulsionar o consumo interno.

Os chineses ainda disseram que facilitarão o crédito para compras de veículos com energia limpa e eletrodomésticos inteligentes. Por aqui, a bolsa local ainda sofre com a falta do investidor externo, que já retirou R$ 21 bilhões apesar do ânimo com as reformas (veja mais clicando aqui). 

Dado dos EUA

A confiança do consumidor nos Estados Unidos subiu para 135,1 pontos em agosto, ante a expectativa de 129 pontos pelo consenso Bloomberg. O índice de manufatura do Federal Reserve de Richmond também veio positivo.  

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