Conteúdo editorial apoiado por

Ibovespa sobe 0,8% mesmo com tensões políticas na Venezuela; B3 não será afetada?

Petroleiras brasileiras ficaram para trás, mas Vale e bancos mitigaram o impacto negativo

Agências de notícias

Ativos mencionados na matéria

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Publicidade

Mesmo com a contribuição negativa de Petrobras (PETR3 – ON -1,67%; PETR4 – PN -1,66%) na contramão do avanço do petróleo em Londres e Nova York, o Ibovespa ficou perto de retomar em fechamento a linha dos 162 mil pontos nesta abertura de semana, em alta de 0,83%, aos 161.869,76 pontos. No agregado de duas sessões, sobe 0,46% neste início de 2026. O giro financeiro desta segunda-feira foi a R$ 22,5 bilhões.

Na sessão, o desempenho de Petrobras foi mitigado pelo avanço de Vale ON (VALE3 +1,02%), a principal ação do Ibovespa. O dia também foi positivo para o setor financeiro, com destaque para Bradesco ON (BBDC3 +3,39%) e Bradesco PN (BBDC4 +4,23%, máxima do dia no fechamento), além de Itaú PN (ITUB4 +1,46%) entre as maiores instituições.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, ficaram as construtoras MRV (MRVE3 +6,09%), Cyrela (CYRE3 +5,47%) e Direcional (DIRR3 +5,14%). No lado oposto, C&A (CEAB3 -15,71%), Brava (BRAV3 -5,76%) e Lojas Renner (LREN3 -2,99%).

“Petrobras ficou para trás, nesta segunda-feira, 5, mesmo em dia de alta para o petróleo. A percepção é de que, se houver reabertura da Venezuela para as empresas americanas, haverá mais competição regional e maior oferta, o que afeta o setor no Brasil”, diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

“Embora ainda haja muita incerteza sobre como a transição para fora do chavismo se desenrolará, acreditamos que o impacto no mercado de quaisquer notícias venezuelanas permanecerá limitado”, avalia Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury, destacando, na agenda da semana, a divulgação de dados oficiais sobre o mercado de trabalho americano, na sexta-feira, referente a dezembro. “Será crucial, já que muitas dúvidas foram levantadas sobre a qualidade do relatório anterior devido à paralisação do governo federal dos EUA entre outubro e novembro”, acrescenta.

No horizonte mais amplo, “a transição da Venezuela pode vir a ser como um microcosmo de um realinhamento global mais amplo, ao qual os investidores talvez precisem se adaptar ativamente”, apontam em nota os analistas Alex Veroude, Lucas Klein e Seth Meyer, da Janus Henderson. “É improvável que a mudança política na Venezuela provoque uma reprecificação mais ampla do mercado no curto prazo”, acrescentam.

Continua depois da publicidade

No entanto, segundo eles, as implicações para o fornecimento de energia, os efeitos nos títulos soberanos de emergentes, o prosseguimento das tensões geopolíticas e a diversificação global da cadeia de suprimentos exigem atenção contínua dos investidores.

“A movimentação geopolítica na Venezuela impacta pouquíssimo o mercado acionário brasileiro. É muito mais movimentação geopolítica em relação ao petróleo”, resume Pedro Moreira, sócio da One Investimentos.

Em relatório sobre os acontecimentos na Venezuela, economistas do UBS afirmaram que veem “implicações imediatas limitadas para os ativos locais nos principais mercados da região”. Os analistas, porém, ponderaram que a situação “pode levar os investidores a reavaliar certos cenários de risco que haviam desaparecido de vista e a examinar mais de perto as vulnerabilidades específicas de cada país”, principalmente no México e na Colômbia.

Continua depois da publicidade

Já o Brasil, na avaliação do banco, está numa posição mais favorável que os vizinhos latino-americanos.

“Para o resto da região, as implicações parecem mais limitadas por enquanto. O Brasil é uma grande economia, tendo a China como seu principal parceiro comercial e cuja relação com os EUA melhorou nos últimos meses”, disse o UBS.

DESTAQUES

Continua depois da publicidade

(com Reuters e Estadão Conteúdo)