Ibovespa sobe 0,53% e tem melhor sequência de alta em dois meses

Essa é a sexta vez em sete pregões que índice fecha no positivo; Falas de Bernanke e indicadores dos EUA impulsionaram mercado; Brookfield, B2W e Oi lideraram os ganhos

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou esta quinta-feira (18) no seu quarto pregão seguido de alta – na melhor sequência em dois meses, ajudado mais uma vez pelas declarações do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, além de uma rodada de indicadores positivos nos Estados Unidos. O índice, que esteve apenas na parte da manhã no negativo, avançou 0,53%, a 47.656 pontos, após atingir ganho máximo de 1,37%, a 48.056 pontos. Essa é a sexta vez em sete pregões que o benchmark brasileiro fecha no positivo, acumulando alta de 5,17%. O giro financeiro foi de R$ 5,888 bilhões.

Entre os dados norte-americanos, houve uma redução de 24 mil pedidos de seguro-desemprego, para 334 mil na semana encerrada em 13 de julho, ante expectativa de 340 mil. Já o Federal Reserve da Filadélfia divulgou expansão da atividade industrial na região, para 19,8 na prévia de julho, enquanto o mercado esperava que o indicador mostrasse forte queda para 5,3.

Os indicadores juntaram-se também ao Leading Indicators de junho, que reúne diversas referências já apresentadas. O indicador mostrou estabilidade, ante expectativa de aumento de 0,3%, mostrando uma referência negativa para os mercados.

Já Bernanke reafirmou, no segundo dia de sabatinas no Congresso, que a retirada de estímulos na economia dos Estados Unidos não acontecerá repentinamente e que o ritmo de compras de bônus pode ser mantido por mais tempo, ou até elevado. A leitura foi de que a redução dos estímulos pode não ocorrer no curtíssimo prazo.

Na véspera, os mercados dos EUA apresentaram forte volatilidade no decorrer do discurso, que teve início às 11h – mesma hora de hoje. Na ocasião, o chefe do Fed reforçou flexibilidade acerca da retirada de estímulos monetários, afirmando que pretende começar o plano de saída ainda este ano, mas isso tudo depende da robustez da recuperação econômica. Ademais, os indicadores recentes ainda indicam manutenção da taxa de juros aos níveis historicamente baixos – entre 0% e 0,25% ao ano – o que pode influenciar na decisão do Fed, assim como os dados sobre o mercado de trabalho.

Com isso, o mercado doméstico acompanhou o otimismo lá fora, que levou o Dow Jones a bater sua máxima histórica e o S&P 500 a figurar próximo do seu patamar recorde durante o intraday. O Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,51%, a 15.549 pontos, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq encerraram com ganhos de 0,48% e 0,03%, respectivamente, a 1.689 pontos e 3.611 pontos. 

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Maiores ganhos e perdas
Entre os destaques corporativos, as ações da Brookfield (BISA3, +7,41%, R$ 1,74), B2W (BTOW3, +6,53%, R$ 9,46), Oi (OIBR3, +5,0%, R$ 3,99; OIBR4, +5,19%, R$ 3,65) e JBS (JBSS3, +4,72%, R$ 6,88) lideraram os ganhos do Ibovespa. 

Por outro lado, os papéis do Bradesco (BBDC3, -3,16%, R$ 31,86), Eletrobras (ELET3, -2,07%, R$ 4,73; ELET6, -2,65%, R$ 9,18), V-Agro (VAGR3, -2,13%, R$ 3,68) e OGX Petróleo (OGXP3, -1,96%, R$ 0,50) figuraram entre as maiores quedas.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,74 +7,41 -49,12 14,85M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 9,46 +6,53 -44,35 7,24M
 OIBR4 OI PN 3,65 +5,19 -52,03 28,83M
 OIBR3 OI ON 3,99 +5,00 -52,92 4,54M
 JBSS3 JBS ON 6,88 +4,72 +15,82 24,01M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BBDC3 BRADESCO ON 31,86 -3,16 +3,85 151,90M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 9,18 -2,65 +3,83 18,47M
 VAGR3 V-AGRO ON 3,68 -2,13 -0,27 4,15M
 ELET3 ELETROBRAS ON 4,73 -2,07 -19,35 8,44M
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 0,50 -1,96 -88,58 59,90M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 28,22 +0,21 441,80M 591,43M 29.084 
 PETR4 PETROBRAS PN 16,10 +0,25 374,05M 539,57M 23.487 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 28,44 +0,14 329,49M 390,06M 19.680 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,22 -1,33 253,55M 266,42M 19.469 
 HGTX3 CIA HERING ON 30,30 +0,33 170,20M 58,21M 11.809 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

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Copom reforça temor com inflação
Por aqui, ganhou destaque na agenda a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), quando foi definida por unanimidade a elevação da taxa de juros brasileira em 0,5 ponto percentual, para 8,50% ao ano. Segundo o documento, a depreciação do câmbio justifica o reajuste, uma vez que incute mudanças nos preços, mas avalia que a correta condução da política monetária evita que a depreciação se materialize no longo prazo. “A volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos.”

O mercado de trabalho também foi destacado na ata, uma vez que “a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos”, com risco na concessão de aumentos salariais incompatíveis com o cresicmento da produtividade. Além disso, o BC comentou também que a percepção dos mercados sobre a inflação influencia negativamente e mostra resistência do quadro, que pode afetar investimentos e consumo no país.

“O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos 12 meses persistam no horizonte relevante para a política monetária”, disse o comitê em alta.

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Ainda na pauta doméstica, a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mensal) mostrou desaceleração  para 0,24% em julho, segundo informações da FGV (Fundação Getulio Vargas). No mesmo período do mês anterior o índice subiu 0,74%.

Já entre as referências políticas, Guido Mantega, ministro da Fazenda, disse em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo que não há espaço para maiores cortes de impostos. Mantega reuniu-se na última quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff para discutir maiores desonerações públicas. Segundo o jornal, a decisão de congelar as desonerações, após 2 anos e meio figurando como mote do governo Dilma, ocorre enquanto o Governo trabalha para cortar novamente as despesas do Orçamento e tentar cumprir a meta fiscal de 2013 – cortar 2,3% de despesas do PIB (Produto Interno Bruto).

EUA: resultados acima do esperado
A agenda dos EUA ainda trouxe novos resultados corporativos, com os números trimestrais de Morgan Stanley e BlackRock, ambos acima do esperado por analistas. O banco apresentou alta de 42% em seu lucro trimestral, com US$ 0,41 por ação ou US$ 802 milhões no total, apoiado em receitas maiores com corretagem, assessoria em emissões de títulos e gestão de riqueza. Já a maior gestora de ativos no mundo apresentou lucro de US$ 729 milhões no período, ou US$ 4,19 por ação, com a forte demanda global de seus clientes institucionais e de varejo, além do crescimento nos mercados.

Resultados e Grécia movimentam Europa
A temporada de resultados corporativos também movimentou a Europa, com balanços de Carrefour e Ericsson. A rede de supermercados apresentou resultado positivo, com aumento de ganhos no segundo trimestre e suas ações sobem enquanto os ativos da Ericsson caem após a empresa divulgar seu lucro operacional, que ficou abaixo do esperado pelo mercado.

Ainda no velho continente, o parlamento grego aprovou uma reforma no setor público, que cortará vagas de emprego, o que causou protestos por parte da população. Ainda nesta quinta-feira, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, visitará a Grécia e ofecererá 100 milhões de euros para um fundo que deve promover o crescimento econômico do país.