Ibovespa sobe 0,22% e renova sua máxima desde 15 de abril deste ano

Índice fecha aos 70.384 pontos, influenciado pela alta registrada pelos papéis do setor elétrico; Petrobras tem queda no dia

Publicidade

SÃO PAULO – Descolando-se do movimento negativo registrado nas bolsas em Wall Street, o Ibovespa fechou a sessão desta segunda-feira (4) em alta de 0,22%, a 70.384 pontos . O volume financeiro do pregão ficou em R$ 5,86 bilhões.

Assim como na última sexta, o benchmark voltou a renovar sua máxima desde 15 de abril desde ano, quando fechara em 70.524 pontos. A performance positiva do índice foi influenciada pela alta nas ações do setor elétrico, a despeito da queda auferida pela Petrobras.

Por aqui, a Petrobras voltou a ser destaque no noticiário e no pregão. A companhia informou na noite da última sexta-feira que os bancos coordenadores de sua oferta de ações exerceram a totalidade do lote suplementar, levantando a cifra de R$ 5,196 bilhões após liquidação dos papéis.

Com o montante, o total captado pela companhia em seu processo de capitalização passa a ser de R$ 120,249 bilhões. A emissão suplementar totalizou aproximadamente 188 milhões de ações – 112.798.256 ações preferenciais, e 75.198.838 ações ordinárias, incluindo sob a forma de ADSs (American Depositary Shares). A companhia publicou ainda o anúncio de encerramento de sua oferta, mostrando forte participação de investidores brasileiros.

Outra blue chip em foco no dia foi a Vale. Após comunicar acordo de financiamento de US$ 1 bilhão com a agência oficial de crédito à exportação do Canadá, a mineradora viu seus ativos ordinários e PNA oscilarem no campo negativo durante praticamente todo o intraday nesta segunda-feira, fechando, porém, em leves altas no final da sessão, de 0,08% e 0,02%, respectivamente.

Cabe destacar que as ações do setor elétrico influenciaram a performance positiva do Ibovespa neste dia. Tendo figurado entre os principais ganhos do índice ao longo desta segunda, as ações da ON e PNB da Eletrobras refletiram a notícia de que, na última sexta-feira, a CAF (Corporação Andina de Fomento) aprovou empréstimo de US$ 500 milhões para financiar, junto com bancos privados, parte do plano de investimentos da companhia.

Continua depois da publicidade

Sem sair do setor, os ativos da Copel lideraram a ponta compradora do benchmark. As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CPLE6 Copel PNB 38,75 +4,42 +6,41 39,38M
 ALLL11 ALL UNT N2 18,37 +3,55 +12,77 46,23M
 TRPL4 Trans Paulista PN 54,20 +3,24 +13,15 10,33M
 VIVO4 Vivo Part PN 48,69 +2,94 -6,73 33,75M
 ELET3 Eletrobras ON 22,26 +2,68 -12,99 21,71M

No campo negativo, as ações da JBS figuraram entre os principais destaques de baixa do Ibovespa no dia em meio a polêmica sobre os desentendimentos entre o grupo italiano Cremonini e a companhia. As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 TAMM4 TAM PN N2 38,36 -2,12 +6,07 10,39M
 JBSS3 JBS ON 7,11 -2,07 -23,46 45,42M
 MRFG3 Marfrig ON 16,86 -1,81 -11,61 24,50M
 BISA3 Brookfield ON 9,10 -1,52 +18,34 13,54M
 USIM3 Usiminas ON 26,39 -1,46 +5,63 17,05M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Continua depois da publicidade

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 Petrobras PN 27,38 -0,44 690,30M 975,20M 30.956 
 VALE5 Vale PNA 46,76 +0,02 557,24M 735,39M 14.553 
 OGXP3 OGX Petróleo ON 22,70 +2,30 482,03M 353,66M 28.562 
 BVMF3 BMFBovespa ON 14,09 +0,36 232,97M 193,55M 25.940 
 PETR3 Petrobras ON 30,56 -0,13 222,24M 295,03M 11.764 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda
No front doméstico,o relatório Focus publicado pelo Banco Central manteve o otimismo dos economistas com a economia brasileira: a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano aumentou 0,02 ponto percentual, marcando a quinta alta consecutiva. Agora, o mercado espera por um crescimento de 7,55% para a economia brasileira em 2010.

O documento também sinalizou novo avanço nas expectativas de inflação mensal e anual. Dessa forma, a variação projetada para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em setembro aumentou de +0,41% para +0,42%, enquanto o desempenho esperado para 2010 é de +5,07%.

Continua depois da publicidade

Outro destaque da agenda interna foi o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), que marcou inflação de 0,46% na semana terminada em 30 de setembro último, taxa 0,06 ponto percentual maior que a apurada na medição anterior. Os dados foram divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ainda por aqui, uma pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revelou que, em setembro, a cesta básica ficou mais cara para o consumidor em 14 das 17 capitais brasileiras analisadas. A maior alta foi registrada em Salvador, que viu o preço do conjunto de alimentos avançar 3,67% no mês frente a agosto.

Referências externas
No plano norte-americano, os investidores permaneceram inseguros frente à recuperação da economia dos EUA, com os principais índices acionários fechando no campo negativo. Na agenda do dia, foi revelado um recuo de 0,5% durante o mês de agosto no volume de encomendas à indústria norte-americana, o que incrementou a preocupação com o ritmo do crescimento industrial no país.

Continua depois da publicidade

Apesar disso, houve um avanço de 4,3%, no mesmo mês, no número de contratos de compra e venda de casas nos EUA, resultado bem acima do esperado pelo mercado, de +1%. Entretanto, tal índice apenas indica os contratos que foram assinados e não as compras realmente efetuadas.

Na Europa as notícias também não foram animadoras. Um estudo realizado por pesquisadores da New Economic Foundation anunciou que o sistema bancário do Reino Unido precisará de novo pacote de resgate financeiro em 2011. Apesar disso, o ministro das Finanças, George Osborne, discorda do estudo e afirmou a jornalistas que acredita não ser necessário um novo pacote de ajuda aos bancos do país.

Dólar
Depois de um ciclo de três quedas consecutivas, o dólar comercial trilhou movimento de ajuste nesta segunda-feira, fechando o dia a R$ 1,692 em valorização de 0,65%. Cabe lembrar que, no último pregão, a divisa norte-americana fechou a R$ 1,681, renovando seu menor valor frente à moeda brasileira desde 3 de setembro de 2008.

O Banco Central voltou a atuar no câmbio por duas vezes, a despeito do movimento positivo predominantemente mostrado pelo dólar ao longo do dia. A autoridade realizou o primeiro leilão de compra no mercado à vista entre 12h11 e 12h16, com preço de corte a R$ 1,686.

Na segunda intervenção, o BC comprou dólares entre 15h54 e 15h59, a uma taxa aceita em R$ 1,76922. As informações foram reveladas pelo Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais).

Renda Fixa
O mercado de juros futuros encerrou em queda. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2013, fechou com taxa de 11,78%, queda de 0,05 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,18% em relação ao fechamento anterior, cotado a 138,60% do valor de face.

O risco-País registrou variação positiva de um ponto-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 203 pontos-base.

Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou  em baixa de 1,11% e atingiu 2.345 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 0,80% a 1.137 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 0,72% a 10.751 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30  da bolsa de Frankfurt  registrou baixa de 1,24% e atingiu 6.134 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40  da bolsa de Paris desvalorizou-se 1,15% chegando a 3.650 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 0,66% a 5.556 pontos.

Confira os eventos previstos para terça-feira
A próxima sessão traz na agenda a divulgação, pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos), do ICV (Índice de Custo de Vida) referente ao mês de setembro. Nele, constam informações acerca do custo de vida dos moradores do município de São Paulo, através de dados referentes à assistência, saúde, transporte coletivo e domicílio.

Lá fora, destaque para o ISM Services, nos Estados Unidos, que vai reletar o nível da atividade não-industrial nos Estados Unidos ao longo do último mês. Ainda no plano internacional, o mercado também deve ficar de olho no último dia da reunião do BoJ (Bank of Japan).