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Ibovespa segura os 99 mil pontos, mas cai 1,2% e volta a patamares pré-reforma

Mercado se livrou de uma queda maior ainda, mas mesmo assim acendeu a luz de alerta a analistas em meio à aversão ao risco com temores de recessão global

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Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (15), mas o saldo poderia ter sido bem pior. Na mínima, o principal índice da B3 chegou a cair mais de 2%, a 98.200 pontos. 

Terminada a sessão, o Ibovespa teve queda de 1,2% a 99.056 pontos com volume financeiro negociado de R$ 21 bilhões. Com isso, o benchmark encerrou a sessão em seu menor patamar desde o dia 17 de junho, antes da aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados, quando ficou cotado em 97.623 pontos. 

A Bolsa sofreu hoje principalmente com um flight to quality – quando investidores vendem ações e buscam ativos mais seguros – global.

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O rendimento do título da dívida norte-americana de 10 anos caiu abaixo de 1,5% pela primeira vez em mais de uma década e o de 30 anos despencou para menos de 2% pela primeira vez na história. Ao mesmo tempo, o ouro sobe 0,38%. 

Os movimentos se seguiram a notícias de que o Banco Central Europeu (BCE) está preparando um pacote de estímulo para a reunião de política monetária de setembro. 

A principal pressão negativa no mercado brasileiro veio de Petrobras e Vale, que refletem o desempenho negativo das commodities. A petroleira foi a principal baixa entre as blue chips da carteira teórica e acompanhou a cotação do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent caiu pouco mais de 1% e agora opera a US$ 58,33, ao mesmo tempo em que o barril do WTI recua 1,05% a US$ 54,65.

Lá fora, seguem as notícias de que o presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping, estão em contato para tentar um acordo comercial. Todavia, à Fox, Trump disse que o acordo será nos termos dos EUA. 

Entre os países emergentes, o México reduziu suas taxas de juros de 8,25% para 8% ao ano. A expectativa dos economistas era de manutenção. 

Por aqui, o Banco Central brasileiro iniciou uma atuação inédita para evitar um rali do dólar. Serão feitos leilões diários de até US$ 500 milhões em dólar à vista ao mesmo tempo em que o BC ofertará swaps cambiais reversos.  

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Com isso, o dólar comercial caiu 1,24% a R$ 3,9878 na compra e a R$ 3,9903 na venda. O dólar futuro com vencimento em setembro caía 1,56%, cotado a R$ 3,994. 

De acordo com o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, a atuação do BC reflete a escassez de dólares na Argentina. “Os argentinos compraram muito dólar diante do risco eleitoral lá. Estão comprando tudo enquanto o peso tem liquidez, por isso no nosso banco central teve que começar a vender a moeda”, avalia. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 recua quatro pontos-base a 5,44%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem perdas de cinco pontos-base a 6,42%.

As bolsas europeias fecharam em queda, tendo virado para baixa após a China anunciar que precisa tomar “contramedidas necessárias” ao plano dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 10% a mais US$ 300 bilhões em produtos chineses. 

Pequim alega também que o plano de Washington viola um consenso alcançado entre Trump e Xi. 

Nos EUA, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq apresentaram leves altas, resistindo a toda a pressão vendedora que surgiu ao longo do pregão. 

Dados dos EUA

Hoje foram divulgadas as vendas no varejo nos EUA, voltando a registrar uma variação mais forte nesta tarde. Em julho, o indicador americano subiu 0,7%, bem acima das expectativas de 0,3%. Sem automóveis, as vendas no varejo cresceram 1%, contra 0,4% esperados no consenso de mercado. 

Por outro lado, a produção industrial dos EUA em julho sofreu uma retração de 0,2%, abaixo das estimativas de expansão de 0,1%. A utilização de capacidade instalada caiu de 77,5% para 77,8% no país. 

Noticiário Corporativo

Os destaques entre as empresas são os resultados do segundo trimestre. A operadora de telefonia Oi (OIBR3) reportou um prejuízo dos acionistas controladores de R$ 1,5 bilhão no segundo trimestre, uma perda 24% superior a reportada no mesmo período do ano passado. Já o resultado das operações consolidadas apresentou prejuízo de R$ 1,6 bilhão.

A JBS (JBSS3) teve no segundo trimestre de 2019 um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, revertendo um prejuízo líquido de R$ 911 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos seis primeiros meses de 2019, a companhia teve lucro líquido de R$ 3,3 bilhões.

A Marfrig (MRFG3) reverteu no segundo trimestre um prejuízo de quase R$ 600 milhões registrados no ano passado e obteve lucro de R$ 86,5 milhões entre abril e junho deste ano, o terceiro lucro trimestral consecutivo guiado por melhora operacional.

A Natura (NATU3) viu o lucro do segundo trimestre mais que dobrar na base de comparação anual com fortes vendas e controle de custos. O lucro líquido saltou 109,4%, para R$ 66,6 milhões.

A Ultrapar (UGPA3) viu seu lucro líquido cair 47%, para R$ 127 milhões, no segundo trimestre de 2019 na comparação com abril e junho de 2018, em meio ao desempenho fraco de Oxiteno e Ipiranga.

A Via Varejo (VVAR3), dona das Casas Bahia e Ponto Frio, teve prejuízo líquido de R$ 154 milhões no segundo trimestre de 2019, revertendo lucro de R$ 14 milhões em igual período de 2018.

A Sabesp (SBSP3) reportou um lucro 2,5 vezes superior, atingindo R$ 454,4 milhões, influenciado pela melhora no resultado financeiro por conta dos ganhos com variação cambial sobre empréstimos e financiamentos.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 UGPA3 ULTRAPAR ON16,88-8,41-35,70227,99M
 SBSP3 SABESP ON52,64-5,93+67,11403,29M
 KROT3 KROTON ON10,75-5,78+22,26379,85M
 VVAR3 VIAVAREJO ON7,69-5,18+75,17490,73M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON42,06-4,84+0,10144,13M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 JBSS3 JBS ON28,62+4,64+146,96747,90M
 RAIL3 RUMO S.A. ON22,17+0,91+30,41216,60M
 VIVT4 TELEF BRASILPN51,67+0,84+18,49150,17M
 BRFS3 BRF SA ON38,16+0,42+74,01214,63M
 ITSA4 ITAUSA PN12,80+0,39+12,65452,38M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N224,23-2,771,30B1,12B86.298 
 VALE3 VALE ON43,89-2,211,04B933,98M50.888 
 JBSS3 JBS ON28,62+4,64747,90M233,43M60.449 
 BBDC4 BRADESCO PN33,20-0,69742,69M750,58M34.455 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN35,00-0,28666,83M807,67M36.758 
 BBAS3 BRASIL ON45,85-0,09495,29M513,36M28.245 
 VVAR3 VIAVAREJO ON7,69-5,18490,73M260,50M65.310 
 ITSA4 ITAUSA PN12,80+0,39452,38M258,95M37.113 
 B3SA3 B3 ON43,35-0,80427,81M370,90M29.251 
 ABEV3 AMBEV S/A ON18,78-1,21407,90M464,22M27.201 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Banco Central

A última vez em que o BC tinha leiloado dólares das reservas à vista tinha sido em 3 de fevereiro de 2009, ainda durante a crise do subprime no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Com a decisão anunciada ontem, o BC muda a política de intervenções no câmbio. Até agora, o movimento era de leiloar contratos de swap cambial tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro.

Feitas em reais, essas operações não afetam as reservas internacionais, mas têm impacto na posição cambial do BC e aumentam os juros da dívida pública. Agora, o BC atuará de maneira diferente. Venderá até US$ 550 milhões no mercado à vista e, ao mesmo tempo, comprará o mesmo valor em contratos de swap cambial reverso, que funcionam como compra de dólares no mercado futuro.

Caso a demanda por dólares à vista fique abaixo desse valor, a autoridade monetária completará a operação com contratos de swap tradicional.Ao justificar a medida, o BC explicou que os swaps cambiais tradicionais são demandados por investidores que querem se proteger da volatilidade no câmbio, mas que uma parte do mercado está demandando dólares à vista por causa da situação econômica.

“Considerando a conjuntura econômica atual, a redução na demanda de proteção cambial (hedge) pelos agentes econômicos por meio de swaps cambiais e o aumento da demanda de liquidez no mercado de câmbio à vista, o Banco Central do Brasil comunica que, para efeito de rolagem da sua carteira de swaps, implementará a oferta de leilões simultâneos de câmbio à vista e de swaps reversos”, informou a instituição em nota.

Na nota, a autoridade monetária esclareceu que as operações conjugadas de venda direta, swap tradicional e swap reverso não mudarão a posição cambial do banco. No entanto, o estoque de swap tradicional, atualmente em torno de US$ 70 bilhões, vai aumentar, assim como o valor das reservas internacionais vai diminuir menos de 1%.

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