Ibovespa segue para 3ª queda, pressionado pelo cenário externo

Inflação na zona do euro preocupa especialistas e leva principais índices da região para o negativo; índice caminha para fechar janeiro com o pior desempenho desde 1995

Publicidade

SÃO PAULO – Após renovar a mínima desde julho de 2013, o Ibovespa inicia a negociação na sua terceira sessão seguida no negativo, puxado por dados negativos de inflação na Europa e a falta de referência do mercado chinês – fechado devido ao feriado de ano novo lunar. Às 11h20 (horário de Brasília), o índice registrava queda de 0,70%, a 46.911 pontos, dando continuidade ao movimento de pressão e temores dos investidores.

Caso o desempenho do índice se mantenha nesse patamar, este será o pior janeiro do benchmark desde 1995. Com queda acumulada na semana de 1,89%, o Ibovespa caminha para sua 5ª semana consecutiva de queda, acumulando no período perdas de mais de 8,5%, além de atingir o 3º mês seguido no negativo.

A última sessão foi marcada por forte volatilidade em meio à tentativas de superar o mau humor que atinge o mercado. Analistas destacaram que o ano novo chinês, que mantém as bolsas fechadas a partir de hoje por lá, ajudou a trazer maior volatilidade para a Bolsa na véspera. Segundo o analista de investimentos da Monte Bravo, Bruno Madruga, o “carro-chefe” dos BRICS é usado por muitos investidores estrangeiros como termômetro das economias emergentes, sendo que sem ele, o mercado acaba ficando mais sensível.

Na agenda macroeconômica, as atenções ficam com os dados dos EUA. O ISM divulgou que o  índice de gerente de compras do setor industrial de Chicago subiu para 59,6 em janeiro, ante 59,1 em dezembro, enquanto o Michigan Sentiment caiu para 81,2 na leitura em janeiro, ante 82,5 em dezembro.  No Brasil, destaque para Pesquisa Mensal do Comércio, que registrou queda de 1,6% entre novembro e janeiro. Segundo analistas da XP Investimentos, o resultado da pesquisa sinaliza um ritmo de atividade moderado para o setor ao início de 2014, sustentado por expectativas mais otimistas em relação aos meses seguintes.

Elétricas lideram ganhos

Nesta data, voltam a chamar atenção as ações das companhias elétricas, com destaque para a Cesp (CESP6, R$ 23,02, +1,19%) e Cemig (CMIG4, R$ 13,67, +0,51%) estendem os ganhos da véspera, quando lideraram os ganhos do benchmark. Segundo analistas do Credit Suisse, as duas empresas, junto com a Copel (CPLE6, R$ 27,60, -0,36%) são as mais favorecidas com a expectativa de que o preço de energia de curto prazo atinja seu recorde histórico na próxima semana, com valores acima de R$ 800 por megawatts-hora.

Continua depois da publicidade

Destaque também para os papéis favorecidos pela alta do dólar, caso da Fibria (FIBR3, R$ 26,35, +0,23%) e da Embraer (EMBR3, R$ 18,74, +0,97%). No mesmo horário, o dólar avançava mais de 0,5%, atingindo os R$ 2,43. A companhia é favorecida neste cenário por ter boa parte de sua receita atrelada à moeda norte-americana.

Fora do índice, destaque para a OGX (OGXP3), que opera estável a R$ 0,27 – chegando a recuar 7,41% mais cedo, para R$ 0,25 -, após a notícia de que a companhia deve adiar a entrega do seu plano de recuperação judicial, que era previsto para hoje. A apresentação do plano pela petroleira da Eike Batista vai ficar para dia 7 de fevereiro, devido a questões operacionais que incluem esforços para reduzir o custo de empréstimo de US$ 200 milhões acertado com credores.

Bolsas na Europa e na Ásia pressionam
Na Europa, as principais bolsas operam a manhã em queda em meio aos dados da região. Os índices europeus acentuaram suas perdas após a divulgação do indicador de inflação da região, que ficou abaixo do esperado pelos analistas, encerrando janeiro em 0,7%, ante 0,8% no mês anterior. Já a taxa de desemprego em dezembro ficou em linha com novembro e fechou a 12%.

Continua depois da publicidade

Os economistas estão preocupados que os temores de deflação na região poderia piorar a frágil recuperação econômica na Zona do Euro, forçando o BCE a cortar as taxas de juros ainda mais ou lançar medidas políticas não convencionais. Caso o cenário se mantenha, as bolsas europeias devem encerrar janeiro em seu pior desempenho desde 2010. Ajuda a piorar o cenário a divulgação do PIB da Rússia, que encerrou o quarto trimestre a 1%, com crescimento acumulado em 2013 previsto para 1,3%, ficando abaixo das expectativas.

Sem a referencia chinesa nesta sessão, as atenções na região ficam com o Japão, onde o índice Nikkei fechou com perdas de 0,62%. O principal índice do país encerrou o pregão abaixo dos 15.000 pontos e registrou em janeiro seu pior desempenho mensal desde maio de 2012, totalizando perdas de 8,5% no período, com os investidores mostrando pouca disposição de tomar risco em meio ao feriado na China.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.