Ibovespa segue em alta à espera do Fed e com dados positivos de emprego dos EUA

À espera da ata da última reunião do Fomc, índice repercute dados do ADP, que mostraram criação de emprego nos EUA acima do esperado

Publicidade

SÃO PAULO – O Ibovespa segue a alta observada desde o início da sessão desta quarta-feira (8), buscando um movimento de recuperação após a queda de mais de 1% do benchmark da bolsa na véspera, em meio à dupla ameça ao rating soberano brasileiro, pela Moody’s e pela Standard & Poor’s. Às 12h58 (horário de Brasília), o índice registrava ganhos de 0,40%, a 50.633 pontos.

E o movimento segue após a abertura dos mercados norte-americanos, que oscilam entre leves ganhos e perdas na expectativa pelo grande evento do dia. No radar, está  a divulgação da ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), às 17h (horário de Brasília); na ocasião, ficou decidida a redução dos estímulos à economia norte-americana em US$ 10 bilhões, para US$ 75 bilhões ao mês em compra de títulos. 

À espera por novas sinalizações do Federal Reserve frente à sua política monetária, o mercado repercute ainda os dados de emprego. O ADP revelou que foram abertas 238 mil vagas de emprego em dezembro, mais do que as 200 mil estimadas pelos analistas. 

Já no Brasil, os dados da indústria também contribuem para o desempenho positivo da bolsa brasileira. A produção industrial registrou alta de 1,4% no acumulado de 2013 até novembro enquanto, no mês, teve leve queda de 0,2% na comparação com outubro, resultado melhor do que o esperado pelos analistas, conforme revelou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Unit do Santander em alta
Entre os destaques do Ibovespa nesta sessão, estão as units do Santander Brasil (SANB11), que sobem 2,99%, a R$ 14,12, após a companhia anunciar que pagará R$ 6 bilhões para seus acionistas. Assim, o banco pagará R$ 1,5865 por cada unit que o investidor possuir até a data de 15 de janeiro deste ano – mais que 10% do valor de cada unit, que terminou o último pregão a R$ 13,71. O Santander pretende fazer isso como parte de programa de otimização do patrimônio de referência. 

Logo em seguida, estão os ativos da Marfrig (MRFG3), que sobem 1,45%, a R$ 4,21, ainda na esteira do anúncio da última sexta-feira do “afrouxamento” no cronograma de pagamento de juros de sua 5ª emissão de debêntures, o que leve ao seu quarto dia seguido de ganhos. O Marfrig anunciou que fará uma emissão de R$ 2,150 bilhões em debêntures conversíveis em ações para resgate das debêntures antigas. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), detentor de quase todos os papéis desta classe, aceitou a migração das debêntures de segunda emissão para as de quinta. O preço mínimo de conversão apontado pelo banco público é de R$ 21,50, R$ 3,00 a menos que o antigo número apontado, mas ainda muito acima dos R$ 4,15.

Continua depois da publicidade

Enquanto isso, as blue chips Petrobras (PETR3, R$ 15,33, +0,86%; PETR4, R$ 16,28, +0,74%) e Vale (VALE3, R$ 33,38, +0,39%; VALE5, R$ 31,15, +0,81%) registram recuperação após a forte queda na véspera, ajudando a impulsionar os ganhos do índice. Vale ressaltar que a petroleira confirmou na véspera a captação de 3,05 bilhões de euros com títulos com vencimento entre quatro e 11 anos, além de 600 milhões de libras em títulos com vencimento em 20 anos. A última captação da empresa em euros havia sido feita em outubro de 2012, quando a petroleira levantou 2 bilhões de euros com títulos vencendo em 2019 e 2023. E poucas ações são destaque de queda, sendo que apenas uma delas tem baixa de cerca de 1%, a Prumo, antiga LLX Logística (LLXL3, R$ 1,08, -0,92%). 

Europa e Ásia 
À espera dos EUA, o dia é de cautela para as bolsas mundiais. Na China, o índice Shangai Composto fechou com leve queda de 0,2%, enquanto o Shenzen Composto teve ganhos de 0,9%.

Por outro lado, a bolsa de Tóquio registrou uma alta expressiva, a primeira do ano, com ganhos de 1,94%, a 16.121 pontos, em meio ao fortalecimento do dólar em relação ao iene, que impulsionou as ações de empresas exportadoras. 

Continua depois da publicidade

Além disso, os últimos dados de comércio dos EUA deram reconforto a investidores de que a decisão do Federal Reserve, banco central do país, de reduzir suas compras de ativos é justificada por fundamentos. A ata da reunião de dezembro do Fed será divulgada na tarde desta data e os mercados estarão aguardando um claro compromisso em manter as taxas baixas durante muito tempo.

Reiterando o clima otimista estavam notícias de que o FMI (Fundo Monetário Internacional) irá elevar sua previsão de crescimento global em aproximadamente três semanas, rompendo com uma longa série reduções.

Enquanto isso, na Europa, o dia é de cautela, com as principais bolsas oscilando entre leves perdas e ganhos. Além da ata do Fomc, o mercado europeu repercute os dados de venda e de varejo e de desemprego na Europa. A taxa de desemprego por lá ficou em 12,1% em dezembro, conforme o esperado; já na Itália, a taxa teve alta, para 12,7% em novembro. 

Continua depois da publicidade

Além disso, destaque para os dados de exportações na Alemanha, que subiram pelo quarto mês seguido em  novembro uma vez que o comércio acelerou, especialmente com países da União Europeia fora da zona do euro, em um sinal de que a maior economia da Europa está se beneficiando de uma melhora global. A alta foi de 0,3% na comparação mensal. 

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.