Ibovespa segue bom humor de Wall Street e fecha em ligeira alta de 0,34%

Pregão é marcado por novo aumento de IOF sobre operações de empréstimo externo; alta da Vale impulsiona índice

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SÃO PAULO – O mercado acionário internacional mostrou tendências divididas nesta terça-feira (29). Enquanto Wall Street fechou com altas modestas, na Europa, os principais índices acionários apresentaram instabilidade. O Ibovespa por sua vez, após atravessar uma manhã instável, fechou o pregão em alta de 0,34%, aos 67.418 pontos, puxado pelo avanço da Vale (VALE3, VALE5). O giro financeiro do dia ficou em R$ 5,14 bilhões. 

No plano interno, destaque para novo decreto que estende a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre as operações de câmbio de empréstimo externo. A partir do novo texto, as operações de empréstimo externo que possuam prazo de até 360 dias serão taxadas em 6,00%. Antes, apenas as operações com prazo inferior a 90 dias eram taxadas, com alíquota de 5,38%.

Destaques do pregão
As ações da Cemig (CMIG4) tiveram forte avanço nesta sessão, após a empresa ter divulgado seu resultado consolidado de 2010. No período, a companhia obteve lucro líquido de R$ 2,258 bilhões, alta de 6% frente ao exercício de 2009, com números já ajustados ao IFRS (International Financial Reporting Standards).

Já os papéis da Usiminas (USIM3, USIM5) voltaram a fechar em alta nesta sessão, após a administração da CSN (CSNA3) ter afirmado que a participação total no capital com direito a voto da siderúrgica pode alcançar até 10%. Atualmente, a fatia é equivalente a 8,62% das ações ON, com compras adicionais dos papéis entre 26 de janeiro, quando a companhia anunciou que havia chegado a participação de 5%, até 21 de março.

Com ganhos de 1,85% e de 2,05%, respectivamente, as ações PNA e ON da Vale impulsionaram o Ibovespa nesta terça-feira. Nesta sessão, o diretor de Relações com Investidores da Vale, Roberto Castello Branco, descartou a possibilidade de impactos significativos do desastre no Japão sobre a demanda por minério de ferro. Segundo Castello Branco, o preço do minério no mercado à vista chinês já voltou a subir.

As ações da Tele Note Leste e da Telemar Norte Leste também voltaram a figurar entre as maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira. As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CESP6 CESP PNB 30,30 +3,77 +12,22 19,29M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,47 +3,33 -12,45 157,00M
 NATU3 NATURA ON 45,70 +3,04 -1,86 51,62M
 TMAR5 TELEMAR N L PNA 55,20 +2,79 +15,90 14,52M
 TNLP3 TELEMAR ON 38,70 +2,52 +19,81 17,05M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 RSID3 ROSSI RESID ON 13,50 -3,78 -8,72 47,02M
 TCSL4 TIM PART S/A PN 6,86 -3,65 +24,50 25,35M
 TCSL3 TIM PART S/A ON 8,30 -3,49 +21,88 3,99M
 RDCD3 REDECARD ON 23,20 -2,36 +10,21 29,09M
 MRVE3 MRV ON 12,79 -1,92 -18,07 59,35M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 47,33 +1,85 696,73M 819,01M 19.252 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ 28,35 0,00 342,20M 593,71M 12.407 
 CYRE3 CYRELA REALT ON 14,99 +0,47 211,40M 123,38M 9.984 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 36,57 -0,71 172,61M 241,36M 9.364 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,47 +3,33 157,00M 142,24M 19.165 
 BBDC4 BRADESCO PN 31,47 -0,06 152,23M 148,64M 9.989 
 VALE3 VALE ON 53,59 +2,06 141,40M 168,80M 6.030 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 19,58 -0,36 137,10M 279,92M 7.237 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 28,21 -0,56 112,70M 149,53M 10.177 
 PETR3 PETROBRAS ON EJ 32,42 -0,25 108,00M 175,14M 5.302 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Ainda no cenário corporativo, os investidores aguardam pela divulgação dos resultados de importantes companhias, como Brasil Ecodiesel (ECOD3) e Equatorial Energia (EQTL3), previstos ainda para esta terça-feira, após o fechamento do mercado.

Nota de Política Monetária 
A Nota de Política Monetária divulgada pelo Banco Central mostrou que o volume total de crédito do sistema financeiro nacional alcançou R$ 1,738 trilhão em fevereiro deste ano, o que representa um crescimento de 1,3% em relação ao apurado em janeiro. A participação do volume de crédito sobre o PIB (Produto Interno Bruto) passou de 44,1% em fevereiro de 2010 para 46,5% no mesmo período de 2011. Em janeiro a parcela havia sido de 46,3%.

S&P comenta corte no orçamento
Apesar de manter a sua perspectiva estável para o rating brasileiro, a Standard & Poor’s indicou que o governo Dilma Rousseff começou pelo caminho certo. Milena Zaniboni, diretora da agência de classificação de risco, afirmou que o corte de R$ 50 bilhões anunciado no início do ano pelo governo é “o que queríamos ver [do País]”. “Essa redução é importante para o rating se manter”, disse Milena em evento em São Paulo promovido pela Bloomberg.

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Segundo ela, parece que o novo governo está alinhado com as expectativas da agência de classificação de risco – o que também significa que não há grandes mudanças em relação ao mandato Lula. Mas o aperto fiscal é necessário para que o Brasil siga evoluindo.

Referências dos EUA
No front internacional, os investidores se mantiveram atentos para números da economia norte-americana. A confiança do consumidor norte-americano ficou abaixo do esperado no mês de março.

Além disso, a Standard & Poor’s divulgou nesta terça-feira que os preços dos imóveis norte-americanos caíram 3,1% em janeiro, na base de comparação anual. A queda no indicador foi menor que as expectativas de mercado, que projetavam recuo de 3,3% para o período, mas maior que da última medição, que apontou uma queda de 2,38%, conforme os dados revisados.

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Dólar
O dólar comercial fechou em queda de 0,48%, terminando a terça-feira cotado a R$ 1,654 na venda, mesmo com o aumento do IOF nas operações de empréstimos externos com prazo inferior a 360 dias e mais intervenções do Banco Central para impedir a apreciação excessiva da moeda brasileira.

A autoridade monetária brasileira continua comprando dólares no mercado à vista, de modo a tentar impedir a perda de valor excessiva da divisa norte-americana frente ao real. A primeira operação do dia com tal objetivo teve início às 12h22 (horário de Brasília) e término às 12h27, com uma taxa de corte aceita em R$ 1,6572, marginalmente superior aos R$ 1,6533 aceitos na segunda operação do dia, que se iniciou às 15h41 e terminou às 15h46.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam em alta. O contrato de juros de maior liquidez nesta terça-feira, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 12,82%, 0,08 ponto percentual acima do fechamento de segunda-feira.

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No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,08% em relação ao fechamento anterior, a 134,36% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve variação negativa de cinco pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 165 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em alta de 0,96% e atingiu 2.757 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 valorizou-se 0,71% a 1.319 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, subiu 0,67% a 12.279 pontos.

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Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou leve alta de 0,47% e atingiu 5.932 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris valorizou-se 0,27% a 3.988 pontos. Por outro lado, o DAX 30 da bolsa de Frankfurt fechou em leve baixa de 0,06%, atingindo 6.934 pontos.

Confira os eventos previstos para quarta-feira
Na agenda da próxima sessão, a inflação estará em foco na cena interna. O mercado deverá repercutir a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao mês de março, assim como o Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, sobre o 1T11.

Lá fora, as atenções recaem novamente sobre indicadores dos Estados Unidos. Os investidores ficarão de olho no nível dos estoques semanais de petróleo, além do ADP Employment, que vai mostrar o número de empregos gerados no setor privado norte-americano durante março.