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Bolsa

Ibovespa segue bolsas mundiais e “respira” com alívio nas tensões gregas; dólar recua

Índice sobe puxado por instituições financeiras ao mesmo tempo em que bolsas internacionais registram ganhos depois de dois pregões negativos por Grécia

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (16) seguindo o movimento das bolsas mundiais, que têm leve alta com um pouco de alívio nas tensões gregas. O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras disse que o país está na reta final de negociação com os seus credores internacionais para um acordo sobre o seu programa de resgate. Por aqui, a expectativa é pela sanção ou veto da presidente Dilma Rousseff (PT) à emenda que flexibiliza o fator previdenciário e faz parte da Medida Provisória 664. Dilma tem até amanhã para decidir a questão. Os investidores ainda repercutem os dados de moradia nos Estados Unidos neste que também é o primeiro dia de reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee). 

Às 14h23 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira subia 1,21%, a 53.782 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial recua 0,66%, a R$ 3,1052 na compra e a R$ 3,1065 na venda. No mercado de juros futuros o DI para janeiro de 2017 cai 12 pontos-base, a 13,95%, ao passo que o DI para janeiro de 2020 recua 6 p.b., a 12,94%. 

Para Elad Revi, analista da Spinelli, a alta de hoje é mais um respiro do mercado do que uma alta guiada por drivers mais fortes. Segundo ele, mesmo havendo a percepção de que quanto mais se arrasta pior fica a situação da Grécia, enquanto não houver certeza de um default ou de um acordo, haverá oscilação e as bolsas mundiais tendem a fazer um movimento de “escada”, realizando ajustes dentro de uma tendência de baixa.

Grécia e Fomc
As bolsas mundiais viraram para alta depois de cair forte em dois pregões por conta do desenrolar das negociações da Grécia com os seus credores internacionais. Depois do fracasso das conversas no fim de semana, Michael Fuchs, vice-chairman do partido União Democrata-Cristã (UDC) da chanceler alemã, Angela Merkel, disse que os gregos têm que decidir se vão continuar ou sair da zona do euro.

Por outro lado, o líder do partido de centro da Grécia, To Potami, pediu nesta terça-feira que o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, feche um acordo com os credores do país e afirmou que seu partido está pronto para apoiar no Parlamento qualquer decisão que mantenha a Grécia na zona do euro. Stavros Theodorakis afirmou que Tsipras disse a ele que Atenas pode quebrar um impasse nas negociações com seus credores, desde que os credores também recuem.

Os mercados acionários mundiais têm sentido o impacto do colapso das conversas entre Atenas e seus credores no final de semana, com a Grécia tendo apenas duas semanas antes que tenha de pagar 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A confiança piorou ainda mais na segunda-feira uma vez que ambos os lados endureceram suas posturas.

Além da questão da Grécia, os investidores ainda esperam pela decisão do Fomc (Federal Open MarketComittee), que deve trazer definições mais claras acerca de uma elevação dos juros nos Estados Unidos este ano. “A dupla Fomc e a Grécia continuam a criar nervosismo. Será um tema diário pelo próximo mês; no caso do Fed, pelos próximos três a quatro meses”, escreveu o estrategista de mercado da IG Evan Lucas. Com a reunião dos ministros das Finanças da zona do euro sobre a questão grega não acontecendo até quinta-feira, a atenção passou à política monetária dos EUA.

Às 9h30 foram divulgados os indicadores de número de casas que começaram a ser construídas nos EUA e de autorizações para a construção de imóveis no país. O primeiro ficou em 1,036 milhão em maio, ante 1,165 milhão em abril e contra expectativas do mercado de que fossem iniciadas as construções de 1,1 milhão de novas casas. Já o segundo ficou em 1,275 milhão em maio, ante 1,14 milhão em abril e contra previsões de 1,1 milhão de novas permissões.

Ações em destaque
As ações dos grandes bancos, Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,35, +2,94%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,20, +1,76%; BBDC4, R$ 28,34, +2,64%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,26, +3,56%), puxavam a alta da Bolsa. Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, as instituições financeiras se beneficiam dos investidores que zeraram posições “short” (vendidas) no vencimento de opções sobre ações que ocorreu ontem.

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A ITUBE PN a R$ 35,04 por ação movimentou R$ 153,33 milhões em opções de venda. Além disso, com a fraqueza em outras blue chips como Petrobras e Vale, os bancos acabam novamente se tornando porto seguro no mercado brasileiro. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 JBSS3 JBS ON16,54+4,16
 BBAS3 BRASIL ON EJ23,26+3,56
 MRFG3 MARFRIG ON4,39+3,29
 ITSA4 ITAUSA PN8,93+3,24
 SANB11 SANTANDER BR UNT16,68+3,09

A Petrobras (PETR3, R$ 14,56, +2,54%; PETR4, R$ 13,26, +2,08%) registra forte alta na Bolsa, em meio à notícia de que a petrolífera estuda dividir sua subsidiária de gás e energia, a Gaspetro, em duas empresas para colocá-las à venda, segundo a Agência Estado. A estratégia faz parte do plano da empresa de vender ativos para reforçar o caixa e reduzir o endividamento. Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, de um lado estaria todo o negócio de comercialização de gás, que inclui participações em distribuidoras e gasodutos de transporte do combustível. Do outro, as usinas térmicas.

As negociações, intermediadas pelo banco Itaú BBA, estão avançadas. A empresa mais cotada para fechar negócio é a japonesa Mitsui Gás e Energia, interessada na área de distribuição. Ela já é sócia da Petrobras em oito distribuidoras e é alvo de investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Já do lado da queda ficam os papéis da Vale (VALE3, R$ 19,77, -2,80%; VALE5, R$ 17,06, -2,23%). O minério com entrega imediata no porto de Tianjin caiu 3,72% para US$ 62,10 por tonelada nesta terça, segundo o The Steel Index (TSI), após ter atingido na semana passada US$ 65,40, o maior nível em cinco meses.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 VALE3VALE ON19,78-2,75
 VALE5VALE PNA17,06-2,24
 CSNA3SID NACIONAL ON5,89-2,16
 GOAU4GERDAU MET PN7,30-1,88
 OIBR4OI PN6,21-1,74


Vendas do varejo e ajuste
O mercado ainda repercute o indicador de vendas do varejo aqui no Brasil, que foi divulgado às 9h. O indicador caiu 0,4% em abril ante o mês anterior e teve uma queda de 3,5% na comparação anual. A mediana das expectativas segundo pesquisa Bloomberg era de uma expansão de 0,7% na base mensal e de retração de 1,8% na anual.  

No cenário doméstico ainda fica no radar o impasse do Planalto na votação que revisa a política de desoneração da folha de pagamentos, que está marcada para amanhã no Plenário da Câmara, mas que pode ser adiada, impedindo que o governo vire de uma vez esta página do ajuste fiscal e se concentre na agenda positiva com vistas à retomada do crescimento, lembra a equipe de análise da XP Investimentos em relatório ao mercado.

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Com relação à sanção ou veto do fator previdenciário pela presidente, ontem o ministro da Previdência, Carlos Gabas, indicou que são remotas as chances de Dilma sancionar a MP aprovada no Congresso com a flexibilização do fator previdenciário. Segundo informações do Estado de S. Paulo, em reunião realizada ontem com dirigentes de seis centrais sindicais, ministros disseram que a fórmula 85/95, avalizada pelo Congresso, “quebra a Previdência” e ouviram da CUT (Central Única dos Trabalhadores), braço sindical do PT, a ameaça de que, se houver veto, a entidade deixará o fórum de negociações com o governo. 

Já de acordo com a Folha de S. Paulo, o governo já discute uma MP ou projeto de lei alternativos ao fator previdenciário para cálculo de aposentadorias. Apesar da presidente não ter decidido formalmente se vetará a fórmula proposta pelo Congresso. 

Na avaliação de Elad Revi, da Spinelli, um veto de Dilma agora mostrará comprometimento do governo com o ajuste fiscal, o que deve ser bem recebido pelo mercado. “Se ela conseguir efetivamente concretizar isso vai dar uma confiança de que um plano de melhora na questão fiscal está seguindo”, disse Elad.