Ibovespa “rompe” a média móvel de 200 períodos; por que preciso saber disso?

Média usada por bancos e tesourarias é superada e, na visão de analistas, mostra que abriu-se espaço para uma valorização maior dos ativos<span> </span>

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SÃO PAULO – O rali de mais de 11% – ou de 5.600 pontos – que o Ibovespa apresenta de 10 de março pra cá, provocou uma mudança “técnica” importante no mercado brasileiro: nesta segunda-feira (6), o principal índice da BM&FBovespa rompeu a média móvel de 200 períodos no gráfico diário. Para os amantes dos estudos gráficos, este pode ser um ótimo indicativo para acreditar em ainda mais altas nos próximos dias.

A média móvel aritmética de 200 períodos – ou simplesmente “MMA200” – é utilizada como referência por bancos e tesourarias por ser uma estimativa mais conservadora da tendência que a ação se encontra. Uma estratégia comum entre os investidores consiste em operar no rompimento desta média móvel, comprando quando o preço da ação cruza a média de baixo para cima – ou vendendo quando ela cruza a linha de cima para baixo.

“A MMA200 é utilizada pela maioria dos grafistas para identificar a tendência de longo prazo de um ativo ou de um índice. Portanto, o rompimento dessa média para cima é bem significativo, sinalizando uma possível reversão de tendência para alta no longo prazo”, explica Igor Graminhani, analista gráfico da WinTrade Corretora. A lembrar: o Ibovespa operava abaixo da MMA200 desde 1º de dezembro do ano passado.

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MME200 já havia sido rompida antes
O analista técnico da Clear Corretora, Raphael Figueredo, destaca também a MME200, que é a média móvel exponencial e que já havia sido rompida no dia 1º de abril. “Eu particularmente uso a MME200 pois ela dá maior relevância aos últimos negócios. Por se tratar de uma média para uma visão de médio/longo prazo, é muito mais importante dar peso aos últimos negócios, na minha opinião”, explica o analista.

Além de cumprir sua função clássica de uma média móvel, as MM200 (tanto a aritmética quanto a exponencial) também servem para avaliar os níveis de sobrecompra e sobrevenda de acordo com a distância do último preço à linha – na prática: quando mais distante para cima o candlestick está da MM200, mais “sobrecomprado” está o papel, e vice-versa.

Ressalvas antes de sair comprando
Como a MM é um importante balizador de tendência, ela costuma funcionar melhor em mercados com tendência definida – de alta ou de baixa. Por isso mesmo que, de 2010 pra cá, o rompimento da MME200 gerou poucas operações bem sucedidas, já que o Ibovespa apresentava uma clara lateralização – ou uma tendência indefinida.

“A MM200 flat, ou andando quase que na horizontal, nos dá uma clara indicação de um mercado consolidado e com perspectiva menor de engatar uma trajetória de alta ou de baixa. Por isso que os preços costumam ‘costurar’ várias vezes a média para cima e para baixo, não dando claras aberturas de operações”, explica Figueredo, da Clear.

Os dois gráficos abaixo mostram na prática a eficiência de uma média móvel em momentos de tendência. Na primeira imagem, vemos a média móvel nos períodos entre 2006 e 2010, quando o Ibovespa estava em clara tendência de alta até 2008, quando reverteu para baixo durante a crise do subprime e voltou a subir em 2010:

No segundo gráfico, mostramos a MME200 entre 2010 e 2015, momento que o mercado estava lateralizado e, por isso, os rompimentos de média foram mais histéricos e menos efetivos:

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